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terça-feira, 31 de maio de 2022

Marcadores de livros - 2225

 Uns malmequeres para o final de maio:

Rep. de aguarela pintada com a boca por M. Kolp.
Ed. dos APBP de Estrasburgo.

Creio no mundo como num malmequer, 
Porque o vejo. 
Mas não penso nele 
Porque pensar é não compreender... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos... 
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Alberto Caeiro

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

"Leve, leve, muito leve"

Fernando Pessoa Plural como o Universo
Exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, 2012


Leve, leve, muito leve,


XIII

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.
s.d.


Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”.  (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). p. 42.

Um poema de Alberto Caeiro nos 80 anos da morte de Fernando Pessoa. 30 de Novembro é também o dia dos Livreiros.

Boa noite!

domingo, 19 de abril de 2015

Aniversário - "Ao entardecer..."

Para festejar o 7º aniversário

A todos um dia feliz!:))

Carlo Crivelli, S. Jorge, 1472
Detalhe
[parece-me um menino por isso o trouxe para festejar os 7 anos]


Imagem daqui


III

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente.
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,

E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...

s.d.

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). p 25. (Arquivo Pessoa)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

125 Anos de Alberto Caeiro

Na Biblioteca Nacional de Portugal existem, no espólio de Fernando Pessoa, dois relatos sobre o nascimento de Alberto Caeiro, que se apresentam:

BNP/E3, 21-34

BNP/E3, 21-72

E a informação em ambos é concordante: Caeiro, nasceu a 16 de Abril de 1889, às 13:45' horas.