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sexta-feira, 5 de março de 2010

Citações - 67: Grafar a divindade

Respondendo a alguma celeuma sobre como falar de Deus, a Alexandra Lucas Coelho escreveu hoje na sua coluna habitual no Público um texto de que passo a citar um excerto:

(...) Ao escrever deus não estou a desrespeitar os crentes, nem a diminuir o Deus de quem acredita que Deus existe. Respeito os crentes-e naturalmente invejo-lhes a crença na vida eterna-, na exacta medida em que espero que respeitem o meu direito a não acreditar em deus, a deus ser para mim apenas um substantivo abstracto. Será próprio das sociedades laicas que a igualdade de crentes e não-crentes exista. Assim sendo, tal como o leitor não se reconhece no meu uso da minúscula para deus, e está no seu direito, eu não me reconheço na afirmação totalitária de Deus com maiúscula- como se a existência de Deus fosse, no fundo, no fundo, inquestionável, e a presença dos ateus apenas tolerada desde que não afrontem a norma dos crentes. (...)

sábado, 9 de maio de 2009

Citações - 25 : Sobre a poesia portuguesa

" (...) Uma vez escrevi que havia empatias entre a nova poesia portuguesa e a nova poesia brasileira, mas agora vejo sobretudo diferenças. Uma delas é o mundo.
De Camões a Alberto Pimenta, a poesia portuguesa sempre foi da Ilha de Moçambique a Bagdad, mas nestes anos 2000 quase não sai do bairro. Isso não quer dizer que seja má. Às vezes é mesmo muito boa. Do bairro, aliás, vê-se o mundo.
À noite, entre paparis e chicken korma, deram-me o nome desta crónica. "

- Alexandra Lucas Coelho, Beco dos Navegantes, no PÚBLICO de ontem.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

As redes sociais - 1

" (...) Ao segundo minuto apareceram mails dos amigos dos amigos a perguntar se eu queria ser amiga deles. Eu não sabia se era um gesto automático ou eram seres vivos, mas se fossem iriam saber que eu os recusava se eu os recusasse? E se não os recusasse ia dar-lhes o tempo que não dou a quem está comigo?
Ao terceiro minuto eu sabia. Tinha que sair dali. E comecei a correr dentro do Facebook à procura da saída.
Se toda a gente está no Facebook é provável que ninguém saiba disto: eles não querem que a gente saia, embora eu não faça ideia de quem sejam eles. A gente faz para sair e aparece um inquérito. A gente não dá motivo e o inquérito volta. A gente dá motivo mas não é suficiente. A gente desespera. E quando dá com a saída, o Facebook ainda vai atrás de nós a dizer que continuará sempre à nossa espera. (...) "

- Alexandra Lucas Coelho, Três minutos e meio no Facebook (III), no PÚBLICO de hoje.


Há três semanas que ando a ler as crónicas da Alexandra Lucas Coelho sobre o Facebook porque me tenho identificado com as mesmas perplexidades e dúvidas sobre esta rede social da net. Aliás, tenho resistido imenso às redes sociais da internet embora com algumas dúvidas perante o enorme entusiasmo de alguns amigos pelas mesmas. Entusiasmo temperado, há que dizê-lo, também com algum espanto perante alguns dos desenvolvimentos permitidos por esta rede, alguns que se prendem até com os perigos de partilhar certas informações pela net.
Por enquanto, não estou nem no Facebook, nem no Hi5, nem no Twitter, embora esteja registado em redes sociais mais específicas e sempre por convites de amigos. Mas não sei se vou resistir- raro o dia em que não receba convites para integrar esta ou aquela rede, ou visitar perfis de amigos que estão nessas redes. E já começo a recear que o meu silêncio melindre alguém, até porque não se trata de uma questão interpessoal, antes "sistémica".
Eis um dilema no "admirável mundo novo" da internet- a tensão entre a exposição e a privacidade.