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terça-feira, 7 de março de 2023

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

«El único jardín», de Miguel Elias


«A exposição El Único Jardin – de la Botânica de Johann Hieronymus Kniphof al Jardín de D. João de Mendonça, de Miguel Elias procura valorizar a imagem botânica como meio para atingir conhecimento científico e sentir poético. Hoje, mais que nunca, é impossível desvincular o conhecimento científico das imagens que o desvendam. Daí a reivindicação do valor do desenho científico de carácter botânico como conhecimento científico em si mesmo.
Ninguém pode duvidar que este, juntamente com a palavra poética [de António Salvado] é o meio mais eficaz para a divulgação e fixação de novas linhas do saber científico. Nesta exposição, dividida em quatro partes bem definidas, procura-se evidenciar isso mesmo, de uma forma acessível para todos os públicos enlaçando o público e induzindo a compreensão do feito científico/poético não apenas como um mero sujeito passivo, interpelando-o para a compreensão do facto científico através do desenho.»
Esta exposição, muito atraente, pode ser vista no Museu Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, até 16 de dezembro.

domingo, 4 de maio de 2014

Às mães




Passados quase setenta anos em que foi mãe pela primeira vez, recordo hoje emocionado e saudoso a minha mãe. E, prestando-lhe assim uma homenagem, na sua recordação sempre presente, homenageio as mães que vivem nas minhas amigas do Prosimetron e todas as que nos leem e as outras, ainda, que acalentaram no seu seio os filhos que todos nós somos.






É Noite, Mãe         

As folhas já começam a cobrir
o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
pra colocar na tua face, mãe!...

Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos agora,
e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechado

que uma qualquer manhã me ressuscite!..

António Salvado, in "Difícil Passagem"

terça-feira, 13 de novembro de 2012

As cores do Outono

Castelo Branco, 10 nov. 2012

Outono. Como restam
ainda nesta árvore
as verdes ilusões?

António Salvado
In: Otoño = Outono = 秋. Salamanca: Trilce, 2009, p. 17

sábado, 10 de novembro de 2012

Flores de Georgia O'Keefe

White calico flower, 1931
The white flower (White trumpet flower), 1932

OCULTO

O que lhe diz o Inverno
à flor que atravessou 
audaciosa o Outono?

... e que espera, solícita,
nas pétalas de carne
o sol da Primavera?

António Salvado
In: Tropos. 2.ª ed. aument. Castelo Branco, 1975, p. 21

Para a Isabel.

sábado, 2 de maio de 2009

Poemas à "Mãe" III. António Salvado.

É Noite, Mãe
As folhas já começam a cobrir
o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
pra colocar na tua face, mãe!...

Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos agora,
e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechados,
que uma qualquer manhã me ressuscite!...

António Salvado, in "Difícil Passagem" (1962)