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domingo, 26 de julho de 2020
sábado, 4 de janeiro de 2020
[Há uma urgência]
Há uma urgência de ti que me procura
ao mais pequeno ensejo, inusitada.
E em todo o lugar é sempre altura
de acender a luz à madrugada.
António de Almeida Mattos (1944-2020)
In: A ilusão do breve. Fafe: Labirinto, 2011, p. 48
terça-feira, 26 de julho de 2011
No dia do aniversário de António de Almeida Mattos...
Fossem de ver-te os olhos
de alegria
e não de entristecer
a tua ausência.
António de Almeida Mattos
In: O prisma das muitas cores: poesia de amor portuguesa e brasileira. Fafe: Labirinto, 2010, p. 34
... e ainda a tempo de o felicitar.
de alegria
e não de entristecer
a tua ausência.
António de Almeida Mattos
In: O prisma das muitas cores: poesia de amor portuguesa e brasileira. Fafe: Labirinto, 2010, p. 34
... e ainda a tempo de o felicitar.
terça-feira, 28 de junho de 2011
António de Almeida Mattos: A ilusão do breve
Quando te digo entende que me digo:
o entender-me vem pelas palavras
neste monólogo contigo.
Um lento haver de busca, e combinar
sentidos que consigo, a decifrar
o linear abismo que persigo.
António de Almeida Mattos
Fafe: Ed. Labirinto, 2010
Com um agradecimento a APS.
quinta-feira, 17 de março de 2011
A ilusão do breve
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Em jeito de agradecimento
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Tudo quanto o mar trouxe...

Cesariny - Linha de água
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Tudo quanto o mar trouxe
foi espuma
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Um corpo que sonhei
no areal
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Deixou-me sede um vento de loucura
Ficou nos olhos um sabor a sal
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António de Almeida Mattos (1944-)
In: Golpe de sol na lucidez amarga. Porto: Brasília, 1985
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Parabéns!
Vi no Arpose que faz hoje anos este poeta, amigo de dois poetas nossos amigos - um residente e outro que nos frequenta:
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Como as palavras se excedem
nas palavras
o silêncio recolhe-se nos lábios.
João Mattos e Silva
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Transfere a luz
do campo da ternura
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Para este soluçar
sem compromisso
Alberto Soares
sábado, 21 de novembro de 2009
A.S.: Escolhas Pessoais VII
Ensaísta notável, contista e romancista, tradutor escrupuloso, David Mourão-Ferreira (1927-1996) é conhecido, sobretudo, como poeta do amor (…não há dúvida, Amor, que te não fujo / e que, por ti, tão cego, surdo e sujo, / tenho vivido eternamente preso!), amor físico, mas também mental:
HAI-KAI
Nós temos cinco sentidos:
São dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
Nós temos cinco sentidos:
São dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
A sua poesia estrutura-se, para lá de uma vertente clássica cultural e de um erotismo estético muito trabalhado, numa matriz tradicional que não consegue dissimular, de todo, uma raiz religiosa nem sempre negada. Isto é visível, não só, mas também, em vários poemas sobre o Natal (Cancioneiro de Natal, 1972) que escreveu e que são dos mais belos da língua portuguesa (Ah como se alongava a província Natal/ com distritos de luz dentro do Novo Ano/ Vinha já de mais longe um perfume lunar/ Começava em Novembro a « toilette» dos Anjos…).
A musicalidade dos seus versos ( Tu vens de terras de Holanda, / mas tens a carne morena./ E em vez da serena, branda/ postura que o Norte manda, / teu corpo se desordena/ à carícia, por mais branda…) , a luminosidade mediterrânica , que incorpora toda uma herança greco-latina a que se acrescenta sempre o sinal da modernidade; e uma consciência muito aguda da presença do tempo, em luta constante com a morte – tudo isto são factores constantes na poesia de David Mourão-Ferreira.

Dele escolhi:
LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do infinito
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do infinito
[P.S.: Com agradecimentos a Pedro Chorão e a António d’Almeida Mattos.]
Post de Alberto Soares (a quem o Prosimetron agradece a colaboração que tem dado).
domingo, 22 de março de 2009
No Dia Mundial da Água
Fossem de água os braços
um rio de afagar-te.
António de Almeida Mattos
Li este poeta graças a um post de JMS. Obrigada.
um rio de afagar-te.
António de Almeida Mattos
Li este poeta graças a um post de JMS. Obrigada.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Os meus poemas -21
Raiz ou flor assim eram palavras
de tuas mãos abrindo como trigo
A madura semente mas estéril
por força dessa voz que vem de longe
E cada vez mais fundas se raízes
E cada vez mais belas se eram flores
Na sombras desse dia que te espero
o mar talhou as grutas onde o eco
das palavras que grito se perdeu
Porque as palavras não geraram gestos
Porque as sementes não geraram frutos
António de Almeida Mattos
(1944 - )
de tuas mãos abrindo como trigo
A madura semente mas estéril
por força dessa voz que vem de longe
E cada vez mais fundas se raízes
E cada vez mais belas se eram flores
Na sombras desse dia que te espero
o mar talhou as grutas onde o eco
das palavras que grito se perdeu
Porque as palavras não geraram gestos
Porque as sementes não geraram frutos
António de Almeida Mattos
(1944 - )
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