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sábado, 4 de janeiro de 2020

[Há uma urgência]


Há uma urgência de ti que me procura
ao mais pequeno ensejo, inusitada.
E em todo o lugar é sempre altura
de acender a luz à madrugada.

António de Almeida Mattos (1944-2020)
In: A ilusão do breve. Fafe: Labirinto, 2011, p. 48

terça-feira, 26 de julho de 2011

No dia do aniversário de António de Almeida Mattos...

Fossem de ver-te os olhos
de alegria
e não de entristecer
a tua ausência.

António de Almeida Mattos
In: O prisma das muitas cores: poesia de amor portuguesa e brasileira. Fafe: Labirinto, 2010, p. 34

... e ainda a tempo de o felicitar.

terça-feira, 28 de junho de 2011

António de Almeida Mattos: A ilusão do breve

Quando te digo entende que me digo:
o entender-me vem pelas palavras
neste monólogo contigo.
Um lento haver de busca, e combinar
sentidos que consigo, a decifrar
o linear abismo que persigo.

António de Almeida Mattos
Fafe: Ed. Labirinto, 2010

Com um agradecimento a APS.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A ilusão do breve


Fafe: Labirinto, 2011

O novo livro de poemas de António de Almeida Mattos, A ilusão do breve, com desenhos de Júlio Resende, é hoje apresentado na Biblioteca Municipal de Fafe, pelas 21h30.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


Magritte - La corde sensible, 1960

Colhe nos céus este sabor bizarro,
tão único. Apenas um deus sabe. E diz:
pertence a deuses só de ser tão raro.

António de Almeida Mattos (1944-)
In: Conjuntivo presente. Porto: Afrontamento, 1990, p. 27

domingo, 29 de agosto de 2010

Em jeito de agradecimento

Ao autor deste livro e a APS, um enorme obrigado.


António de Almeida Mattos - Conjuntivo presente. Porto: Afrontamento, 1990

De não dizer-te nada reaprendo:
os rios da memória em solidão.
António de Almeida Mattos

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tudo quanto o mar trouxe...


Cesariny - Linha de água
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Tudo quanto o mar trouxe
foi espuma
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Um corpo que sonhei
no areal
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Deixou-me sede um vento de loucura
Ficou nos olhos um sabor a sal
X
António de Almeida Mattos (1944-)
In: Golpe de sol na lucidez amarga. Porto: Brasília, 1985
x
Parabéns!
Vi no Arpose que faz hoje anos este poeta, amigo de dois poetas nossos amigos - um residente e outro que nos frequenta:
x
Como as palavras se excedem
nas palavras
o silêncio recolhe-se nos lábios.
João Mattos e Silva
x
x
Transfere a luz
do campo da ternura
x
Para este soluçar
sem compromisso
Alberto Soares

sábado, 21 de novembro de 2009

A.S.: Escolhas Pessoais VII

David Mourão-Ferreira

Ensaísta notável, contista e romancista, tradutor escrupuloso, David Mourão-Ferreira (1927-1996) é conhecido, sobretudo, como poeta do amor (…não há dúvida, Amor, que te não fujo / e que, por ti, tão cego, surdo e sujo, / tenho vivido eternamente preso!), amor físico, mas também mental:

HAI-KAI
Nós temos cinco sentidos:
São dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio
?


A sua poesia estrutura-se, para lá de uma vertente clássica cultural e de um erotismo estético muito trabalhado, numa matriz tradicional que não consegue dissimular, de todo, uma raiz religiosa nem sempre negada. Isto é visível, não só, mas também, em vários poemas sobre o Natal (Cancioneiro de Natal, 1972) que escreveu e que são dos mais belos da língua portuguesa (Ah como se alongava a província Natal/ com distritos de luz dentro do Novo Ano/ Vinha já de mais longe um perfume lunar/ Começava em Novembro a « toilette» dos Anjos…).
A musicalidade dos seus versos ( Tu vens de terras de Holanda, / mas tens a carne morena./ E em vez da serena, branda/ postura que o Norte manda, / teu corpo se desordena/ à carícia, por mais branda…) , a luminosidade mediterrânica , que incorpora toda uma herança greco-latina a que se acrescenta sempre o sinal da modernidade; e uma consciência muito aguda da presença do tempo, em luta constante com a morte – tudo isto são factores constantes na poesia de David Mourão-Ferreira.

Dele escolhi:

LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do infinito


[P.S.: Com agradecimentos a Pedro Chorão e a António d’Almeida Mattos.]
Post de Alberto Soares (a quem o Prosimetron agradece a colaboração que tem dado).

domingo, 22 de março de 2009

No Dia Mundial da Água

Fossem de água os braços
um rio de afagar-te.

António de Almeida Mattos

Li este poeta graças a um post de JMS. Obrigada.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Os meus poemas -21

Raiz ou flor assim eram palavras
de tuas mãos abrindo como trigo
A madura semente mas estéril
por força dessa voz que vem de longe

E cada vez mais fundas se raízes
E cada vez mais belas se eram flores

Na sombras desse dia que te espero
o mar talhou as grutas onde o eco
das palavras que grito se perdeu

Porque as palavras não geraram gestos
Porque as sementes não geraram frutos

António de Almeida Mattos
(1944 - )