Lisboa, Rua do Século, maio 2023.
Lisboa, Telheiras, maio 2023.
Fotos Maria. Castelo Branco, 18 maio 2023.
Pássaro na calçada característico do bordado de Castelo Branco.
Foto Maria. Castelo Branco, 18 maio 2023.


O Bairro Alto fez ontem 497 anos. Para assinalar a data, foi realizado o primeiro passeio por aquela zona da capital dando a conhecer algumas das suas histórias. Tudo começou no dia 15 de Dezembro daquele ano quando uma família rica galega, os Andrade, obteve autorização para um loteamento privado que viria a dar origem ao primeiro bairro concebido fora da muralha da cidade. A primeira rua aberta no BA foi a Rua do Norte. A Rua das Gáveas foi assim chamada por ser ali que habitavam os gáveas - homens que subiam aos mastros dos navios para fazer a vigia. Mais a norte, na Travessa da Queimada, seria o ponto de encontro de todos os homens do mar e onde estes faziam fogueiras ou queimadas para se aquecerem. Existe também a teoria de que ali viveria uma fidalga: a dona Ana Queimada. Outra referência às lides marítimas volta a aparecer na Rua das Salgadeiras. O local seria, no séc. XVI, a zona onde se salgava o peixe para depois ser vendido. Mas o nome desta rua também pode estar ligado a uma espécie de erva, a salgadeira, cujas raízes faziam com que o terreno nãs se desfizesse com tanta facilidade. A Rua do Diário de Notícias foi em tempos a Rua dos Calafates, os homens que vedavam os navios para que pudessem ir para o mar, sendo os marinheiros mais bem pagos, com direito a um criado. Na Travessa da Água-Flor, terá vivido um afamado fabricante ou vendedor daquele perfume e foi onde teve lugar o episódio que deu origem ao "conto do vigário". Ali vivia o padre Manuel Vicente (séc. XIX), que depois de ter sido embebedado foi convencido a vender a sua casa por 7500 réis. A história correu os jornais da época, que utilizaram como manchete a frase "O conto do vigário". Com longa tradição noctívaga, o BA teve na Travessa da Espera o local preferido dos boémios para se encontrarem. Mas o bairro foi também uma zona desejada por ter "bom ar", o que ajudava os moradores a fugirem à peste (a Grande Peste de Lisboa dizimou no séc. XVI um terço da população da capital).
Já devem ter conhecimento, mas ainda assim aqui ficam assinalados os 497 anos do Bairro Alto, data que se comemora hoje com passeios guiados e outros eventos.