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domingo, 29 de março de 2015

Cantina Bella Ciao

Ontem fui com uns amigos a esta antiga taberna,  agora renovada e de comida italiana. Fica na Rua do Crucifixo, em Lisboa e tem uns preços muito em conta.
Comi Paccheri con Ragù di Agnello (uma massa em tubos largos com molho de borrego) que estava verdadeiramente deliciosa; e experimentei o Tiramisù que é o melhor que já comi em restaurantes. Com mais um pouco de marsala ficaria divinal.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Apontamentos artísticos

Pesaro, cidade natal de Gioachino Rossini, dedica todos os anos um festival ao seu mais célebre filho. A edição deste ano do Rossini Opera Festival contará, entre récitas de várias óperas do compositor, com uma produção grandiosa de Guilherme Tell: cinco horas de espectáculo, a decorrerem no Adriatic Arena, destinadas à execução integral segundo o libreto original em francês, sob a direcção de Graham Vick. Até 23 de Agosto.


Ancona, mais uma localidade junto ao Mar Adriático, apresenta-se este mês como ponto de encontro de culturas que se desenvolveram ao longo dos séculos à volta deste braço do Mediterrâneo. Celebra 2.400 anos de existência e aproveita esta efeméride para realizar a 7. edição do Festival Internazionale Adriatico Mediterraneo, um festival trans-adriático que reune artistas de diferentes países, com especial destaque para a Croácia que entrou na União Europeia recentemente. Toda a cidade de Ancona empenha-se neste acontecimento: O Arco de Trajano acolhe concertos de jazz, a Igreja de Jesus a música clássica e a Marina Dorica a música popular e folclórica. De 24 a 31 de Agosto.


Até 3 de Novembro, decorrerá uma exposição intitulada Il Gran Principe nos Uffizi de Florença. Para assinalar o tricentenário da morte de Ferdinando de' Medici (1663 - 1713), figura absolutamente chave  na história dos Medici e um dos maiores colecionadores e mecenas artísticos da História Universal, a Galleria florentina pretende evidenciar a complexidade do interesse e do gosto do Gran Principe pelas Artes, bem como a abordagem inovadora deste Medici que incentivou músicos, escritores, pintores e escultores de toda a Europa a fixarem-se na capital toscana entre o final do século XVII e as primeiras décadas do século XVIII.  

 

domingo, 23 de junho de 2013

Música para o serão

O Verão parece ter chegado. Para todos os que tencionam aproveitar estes dias quentes, segue uma canção estival: Legata a un granello di sabbia, na versão original de Nico Fidenco de 1961 (este registo da RAI data de 1968).
Nota: Descobri que Cliff Richard gravou o álbum "When in Rome" em 1965, incluindo o mesmo tema. As gravações decorreram num estúdio em Lisboa.
Ti voglio cullare, cullare ...
 

Isola Bella


O Lago Maggiore, o segundo maior lago de Itália com uma extensão de 65 km de norte a sul e uma superfície de 212 km2, reparte-se entre as regiões do Piemonte e da Lombardia. Sua ponta norte pertence à Suíça, mais concretamente ao cantão Ticino, cujo nome provém do rio homónimo que, juntamente com os rios Toce e Maggia, alimenta este lago alpino.   
O clima ameno, a vegetação mediterrânica e exuberante, bem como o magnífico cenário dos Alpes tornaram este local num dos destinos mais visitados da península itálica. Aqui, as vantagens da civilização germânica reúnem-se com os encantos do savoir vivre latino-italiano.  
As pérolas do Lago Maggiore são as três ilhas Borromeas: a Isola Madre, Isola dei Pescatori e, a mais conhecida, a Isola Bella (imagem). Antigas fortalezas durante a Idade Média, mudaram o seu visual graças à poderosa família dos Borromeo na época do Barroco.
O palácio e os jardins da Isola Bella datam da segunda metade do século XVII, encomendados por Carlo III Borromeo. O interior do palácio deslumbra com os seus frescos, as tapeçarias flamengas e várias salas faustosas, entre elas, a Sala do Trono, os aposentos onde Napoleão pernoitou e a Sala de Música onde decorreu a Conferência de Stresa em 1932.
Os jardins, compostos de dez terraços, acolhem o visitante com uma riquíssima oferta de árvores e flores de diversas espécies. Como Dickens já descrevia: trata-se de uma ilha "fantástica e bizarra".
 

domingo, 25 de novembro de 2012

Apontamentos artísticos

Os Museus Capitolinos de Roma dedicam uma exposição imperdível à idade de ouro do Império Romano, intitulada l’età dell’equilibrio. A chamada felicia tempora que, entre os anos 98 e 180 depois de Cristo, atravessou os impérios de Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio, representou o apogeu político e artístico da antiguidade romana. 165 obras de arte testemunham este período áureo, entre elas, estátuas de mármore, retratos em mosaico, bem como objectos em bronze e terracota. Das seis secções que constituem a exposição, distingue-se uma que se centra na vida pública, nomeadamente, na educação dos jovens romanos no campo da filosofia, literatura, mas também do exercício físico.

L’età dell’equilibrio: Traiano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurelio; Musei Capitolini, Roma, até 5 de Maio


A pintura da Emilia Romagna encontra-se em destaque numa exposição no Palazzo Pepoli Bentivoglio de Bolonha, que reúne as obras de artistas locais de um período que se estende do século XV até ao século XIX. O Maestro di Castrocaro, Antonio Carracci , Giovanni Maria Viani e Guido Reni, representante máximo da pintura bolonhesa, figuram entre os nomes mais conhecidos. De aproveitar também a visita ao próprio palácio que data do século XIV e que, desde Janeiro deste ano, acolhe o Museo della Storia di Bologna.

Il bel dipingere: dipinti e disegni emiliani dal XV al XIX secolo; Palazzo Pepoli, Bolonha, até 22 de Dezembro


A célebre editora Salani festeja 150 anos de existência e organiza, por ocasião deste aniversário especial, uma amostra de sensivelmente 300 obras, pertencentes ao arquivo histórico desta casa e que datam dos finais do século XIX até aos dias de hoje, ou, dito por outras palavras, de Pinocchio até Harry Potter. Ilustrações de autores italianos e internacionais, tais como, Luzzati, Pericoli, Paladino e Blake, compõem esta exposição interessante no Castello Sforzesco de Milão.

Da Pinocchio a Harry Potter. 150 anni di illustrazione italiana dall'Archivo Salani; Castello Sforzesco, Milão, até 6 de Janeiro

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Apontamentos artísticos

Pablo Picasso volta a Milão pela terceira vez, após as duas retrospectivas de 1953 e 2001 - um regresso em grande, já que as 250 obras do mestre de Málaga, em exposição no Palazzo Reale de Milão a partir de 20 de Setembro, provêm do Museu Picasso de Paris que detém a maior colecção do espólio artístico do pintor espanhol. Quadros, esculturas e fotografias proporcionam uma oportunidade extraordinária de percorrer cronologicamente a evolução da carreira de Picasso e rever os métodos expressivos e as técnicas aplicados, desde a abordagem figurativa, ao cubismo e primitivismo  
O retrato de Dora Maar de 1937 (imagem) integra o conjunto de obras expostas.
 
Palazzo Reale, Milão, de 20 de Setembro até 6 de Janeiro
  

Igualmente no Palazzo Reale milanês decorrerá, a partir de 18 de Setembro até 20 de Janeiro, uma exposição intitulada "Da Guercino a Caravaggio. Sir Denis Mahon. 100 anni di vita e di studio attraverso il Seicento." Pretende homenagear Sir Denis Mahon (1910 - 2011), coleccionador e historiador de arte britânico, que contribuiu muito significativamente para a redescoberta da pintura barroca do século XVII. Obras de Caravaggio ou Poussin tornaram-se conhecidas junto do grande público, graças ao trabalho de investigação de Sir Mahon. O percurso desta amostra compõe-se de quadros, pertencentes à colecção particular do historiador, e de obras primas vindas dos grandes museus, tais como do Eremitage de São Petersburgo.
Imagem: I Bari de Caravaggio (1594)

domingo, 16 de setembro de 2012

Oito séculos de competição e festa

Realiza-se hoje o célebre Palio de Asti, a corrida de cavalos mais antiga de Itália. Suas origens remontam ao ano de 1275. A localidade norte-italiana, já no século XIII descrita por um cronista como cidade "de riqueza, protegida por muralhas sólidas", serve de cenário com a sua linha urbana, repleta de torres e fortalezas, palácios medievais, bem como de edifícios pomposos do século XVIII. Na corrida, participam 21 cavaleiros representando os bairros de Asti. As praças e as ruas principais, entre elas, o elegante Corso Vittorio Alfieri, enchem-se de damas e cavalheiros faustosamente vestidos que testemunham a tradição e o orgulho piemonteses. A capital da província homónima oferece assim muito mais do que o famoso espumante....


sábado, 1 de janeiro de 2011

La bella Italia


Lisboa: Dinalivro, 2006
Guia da Cidade Eterna, profusamente ilustrado e descrevendo os lugares mais importantes de Roma e do Vaticano. Tem também umas páginas dedicadas a Óstia, Vila d'Este e Vila Adriana. Adorei! Parece-me uma colecção a ter em conta. Não é para levar em viagem, antes para a preparar e depois recordar.


Köln: Taschen, ca 2010
Ed. trilingue: espanhol, italiano e português.


Há tempos tinha cobiçado este livro no Corte Inglês. E eis que o Pai Natal mo trouxe, acompanhado do de Roma.
Algumas das melhores paisagens, como o Lago Como, Veneza, Florença, a Costa Amalfitana e a Sicília. Zonas de hotéis lendários, que nos são apresentados por neles se desenrolarem cenas de alguns romances ou terem sido filmadas algumas películas, como, o Hotel Splendido em Portofino, o San Pietro na Costa Amalfitana e o Villa Cimbrone em Ravello.
A autora, Angelika Taschen, com a colaboração de Christiane Reiter, leva-nos a alguns lugares românticos como a Torre di Bellosguardo, em Florença. Livro a levar nesta viagem, de acordo com proposta da autora: Retrato duma senhora, de Henry James.
Sei que vou dar imenso uso a estes dois livros.


http://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/01/14/bc/da/villa-de-este.jpg
«A Villa d'Este já passou pelas mãos de cardeais, réis e artistas, ricos e elegantes, extravagantes e excêntricos, todos eles unidos por uma enorme paixão pelo lago de Como, um dos mais românticos lagos de Itália. [...]»
Leitura aconselhada: A Cartuxa de Parma, de Stendhal. Reli-o há três anos, quando fui a Parma, mas não me entusiasmou tanto como da primeira vez que o fiz.


http://www.matrimonioitalia.it/gestionale/images/thumb/tb3_50590_$150210112551_hotel_torre_di_bellosguardo_matrimonio_firenze_05.jpg
Torre di Bellosguardo. Deste hotel desfrutam-se as melhores vistas sobre Florença.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um fenómeno chamado Mina (3/3)

A finalizar a pequena homenagem, ouvimos Mina num registo de 1966 da RAI, interpretando o famoso Se telefonando, composto por Ennio Morricone.

Um fenómeno chamado Mina (2/3)

Mina a cantar "Il cielo in una stanza" de 1962 - um cover de uma canção da autoria de Gino Paoli.

Um fenómeno chamado Mina (1/3)


Anna Maria Mazzini, conhecida por Mina ou La Mina, nasceu em Busto Arsizio (Lombardia) a 25 de Março de 1940.

O apogeu da música ligeira italiana nas décadas de 50, 60 e 70 a ela muito deve: Mina vendeu mais de 70 milhões de discos e alcançou sucessos fora de fronteiras itálicas, como por exemplo na Alemanha ou em Espanha.
A Itália, sobretudo o Norte, vivia o boom económico do pós-guerra - e Mina cantava.
A Itália dominava a alta costura e destacava-se na indústria cinematográfica - e Mina cantava.
A Itália produzia non-stop êxitos no Festival de Sanremo - e Mina cantava, cantava, cantava...

Por ocasião deste aniversário especial, seguem-se três pequenas "amostras" do talento de Mina ao longo do dia.
Viva Mina!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Capolavoro - apontamentos artísticos

27 quadros de Caravaggio, um dos mestres mais queridos entre os prosimetronistas, encontram-se em exposição nas Scuderie del Quirinale de Roma desde o dia 20 de Fevereiro. Vindas dos mais importantes museus de todo o mundo, estas obras repercorrem a vida artística de Michelangelo Merisi, testemunhando a técnica, a visão e inovação do grande pintor do chiaroscuro. Entre os quadros expostos figuram Bacco dos Uffizi de Florença, I Musici do Metropolitan nova-iorquino, Il Suonatore di Liuto do Ermitage de S. Petersburgo e l’Amore Vincitore da Gemäldegalerie de Berlim. Uma “cadeira obrigatória” a não perder, até 13 de Junho


Cima da Conegliano (1459 – 1518), mestre da pintura sacra renascentista, é celebrado na sua cidade natal próxima de Treviso. Um percurso, composto de 40 obras de museus italianos e internacionais, reconstrói a vivência artística de Cima, discípulo de Giovanni Bellini e mestre inspirador de outros pintores, tais como Lotto ou Giorgione. Do espólio que inclui painéis de altar a quadros com pintura paisagística e temas religiosos, destaca-se L’Annunciazone do Ermitage de S. Petersburgo.
A decorrer no Palazzo Sarcinelli até 2 de Junho



O Palazzo Sant’Elia em Palermo acolhe uma exposição, dedicada à fotografia italiana: 98 obras de 29 “mestres” documentam a evolução fotográfica desde os anos 50. Desde uma Itália mais rústica, captada em rostos e aldeias, a locais fotografados em todo o mundo por artistas italianos, esta amostra comprova o nível elevado de qualidade da fotografia italiana, internacionalmente reconhecida através de representantes como Gianni Berengo Gardin. A decorrer até 21 de Março

domingo, 3 de janeiro de 2010

Capolavoro - apontamentos artísticos


Piermatteo d’Amelia (1450 – 1506), pintor renascentista da Úmbria, continua praticamente desconhecido do vasto público. 40 quadros, expostos na cidade de Terni, pretendem divulgar a obra de Piermatteo que, durante a segunda metade do século XV, criou um estilo particular ao associar o naturalismo de Filippo Lippi, seu mestre, ao vigor plástico de Verrocchio com quem trabalhou ao longo da sua vida. A Piermatteo deve-se a decoração original do tecto da Capela Sistina, representando estrelas douradas sobre um fundo azul, antes de ser repintada por Miguel Ângelo sob Júlio II a partir de 1508.
- Até 2 de Maio, no CAOS (Centro per le Arti ex Opificio Siri), Terni(Úmbria) ;
imagem: La Madonna col Bambino

A cidade de Nápoles lançou no passado dia 12 de Dezembro um projecto ambicioso, ao iniciar uma exposição, intitulada “Il Ritorno al Barroco: Da Caravaggio a Vanvitelli”. 350 obras barrocas (quadros, esculturas, jóias, etc.) encontram-se em seis locais diferentes, entre eles, o Palazzo Reale, a Cartuxa de S. Martinho e o Museo di Capodimonte que acolhe obras de pintura sacra e profana de artistas do período pós-Caravaggio, tais como, Mattia Preti, Luca Giordano e Josep de Ribera - um percurso fantástico imperdível pela história de arte barroca.
- Até 11 de Abril. Imagem: La flagellazione di Cristo, Caravaggio, 1607


A obra de Emilio Longoni (1859 – 1932) está no centro de uma exposição temporária na Galleria d’Arte Moderna de Milão.
Parte da pintura de Longoni que inclui naturezas mortas, retratos e paisagens, tematiza aspectos político-sociais, manifestos por exemplo no célebre quadro “L’oratore dello sciopero” de 1890 em que a multidão é incentivada a aderir a uma greve (sciopero).
- Até 31 de Janeiro

domingo, 7 de junho de 2009

Flower Power

A magnífica Villa Giulia nas margens do belíssimo Lago Maggiore abriu no passado dia 24 de Maio as portas ao público ao fim de seis meses de restauro intenso. Situado numa das mais requintadas regiões da Europa, este espaço do século XIX não poderia ter uma exposição re-inaugural mais apropriada: “Flower Power” , uma homenagem a um dos temas mais representados nos diversos géneros artísticos ao longo dos séculos: a flor.

180 obras testemunham a multiplicidade e riqueza com que a flor é representada desde o século XV: de naturezas mortas de pintores flamengos a esculturas, fotografias e vestidos de inspiração floral, criados no final do século passado. A flor confronta-se com diversos estilos de diferentes escolas de várias épocas e atribui um significado a cada obra exposta: uma das mais emblemáticas fotografias deste amostra é a célebre Flower Power de Bernie Boston (1967) em que a flor simboliza a paz e a transformação social, conforme se verifica na segunda imagem. Amor, paixão, vida e morte são outras das categorias a que as obras se submetem.
O elenco de artistas é notável, incluindo, entre outros nomes, Abraham Brueghel, Henri Matisse, Paul Klee, Joseph Beuys, Andy Warhol e Yves Saint-Laurent.

Flower Power, Villa Giulia (Verbania, Lago Maggiore, Itália), até 11 de Outubro de 2009.

Imagens: Natureza morta de Abraham Brueghel (1631 - 97); Flower Power de Bernie Boston (1967)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Parabéns, Adriano!

Outro Rei Mago, desta feita um pouco mais contemporâneo, faz anos hoje: Adriano Celentano, rei da música italiana, nasceu a 6 de Janeiro de 1938 em Milão, mais precisamente na Via Gluck (recordam-se da canção homónima...?). Segue, como sugestão, um dos seus maiores sucessos, Azzurro, numa coreografia bem típica do universo televisivo dos anos 60.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Santa Maria Assunta - a catedral de Spoleto

O mundo católico celebra hoje o feriado de Nossa Senhora da Assunção. Em Itália, este dia é conhecido por Ferragosto. Muitas são as localidades que assinalam a solenidade com procissões magníficas.
Ferragosto é também sinónimo de Verão e de férias. A Itália pára por uns dias.

Uma das mais belas igrejas de Itália, dedicada precisamente à Nossa Senhora da Assunção, situa-se em Spoleto (Úmbria): la Cattedrale di Santa Maria Assunta.
Após a destruição da antiga igreja por Frederico Barbarossa em 1155, rapidamente se iniciaram as obras para a edificação do novo Duomo românico que foi consagrado à Virgem em 1198 por papa Inocêncio III.
A fachada com oito rosetas vitrais, belíssimo exemplo da simplicidade românica, destaca-se pelo mosaico central de 1207 da autoria de Solsternus, representando Cristo com Nossa Senhora e S. João.
As profundas alterações do interior no estilo barroco, a que escapou apenas a abside, foram ordenadas pelo papa Urbano VIII em 1638. Graças a intervenções recentes, foi restaurada uma preciosidade dos primórdios da pintura italiana: um magnífico crucifixo pintado por Alberto Sotio (1187) que marca o início de uma vida artística própria na Úmbria.


O ex-libris da catedral é, seguramente, o ciclo da vida de Nossa Senhora na abside da igreja, da autoria de Fra Filippo Lippi e datada de 1467-69. A Anunciação, pintada integralmente por Lippi, é o primeiro de vários frescos que representam a vida de Maria, coroada no último fresco por Deus, mostrando ainda um arco-íris de santos e de personagens do Antigo Testamento. Discípulos de Lippi terão concluído a obra após a morte do mestre em 1469.

Na igreja, encontra-se o túmulo de Lippi (um monge!), construído pelo filho, Filippino, por encomenda de Lorenzo de' Medici. Porém, os restos mortais do grande mestre desapareceram misteriosamente. Narram as más-linguas que Lippi terá levado uma vida bem divertida na companhia do universo feminino de Spoleto. A família de uma das raparigas, "vítima da desgraça", ter-se-á vingado retirando o corpo do pintor...

A bela praça em redor da igreja é todos os anos palco do Festival dei due Mondi que o compositor Giancarlo Menotti organizou em 1958 pela primeira vez.

Última nota: os leitores cinéfilos reconhecerão certamente estas imagens. Em 1962, Louis Malle juntou Brigitte Bardot e Marcello Mastroianni no seu filme La vie privée. Spoleto foi o local escolhido para as cenas finais desta película.




Fotos de Spoleto da autoria de Massimo Mantellini e Nina Volare