«Um dos mais belos quadros que já vi […] é o original e
grandioso Guernica, de Pablo Picasso.
É um quadro que temos de ver para crer, pois serve como um poderoso aviso
contra o terrorismo, a violência e a guerra. Eu já tinha visto reproduções do
quadro, mas não transmitem a ideia do seu extraordinário virtuosismo.»
Brendan Behan – Nova Iorque. Lisboa: Tinta da China, 2011,
p. 33
Guernica, 1937
Madrid, Museu Reina Sofia
(Brendan Behan viu o quadro no MoMA, onde esteve exposto entre 1943 e 1981.)
Gostei imenso deste livro, que Brendan Behan escreveu
(ditou) pouco antes da sua morte: uma vivência de Nova Iorque com imensas histórias e muito da sua Irlanda natal.
«Uma cidade é um lugar onde o Homem vive, caminha, conversa,
come e bebe, em plena luz do sol ou da eletricidade, durante vinte e quatro horas
por dia. Em Nova Iorque, às três da manhã, podemos andar pela rua, ver
multidões, ler os jornais e tomar uma bebida: sumo de laranja, café, uísque,
seja o que for. É o maior espetáculo do mundo, para toda a gente. A sua
fabulosa beleza noturna, mesmo há quarenta anos, fascinava o mundo inteiro.» (p. 12)
«O lugar mais encantador que conheci foi o Four Seasons, uma
brasserie aberta vinte e quatro horas
por dia, todos os dias. O Four Seasons é um restaurante incrível, cuja decoração
varia consoante a estação do ano, assim como as fardas dos empregados. O
gerente mostrou-me uma tapeçaria da autoria de Picasso, uma coisa maravilhosa –
não que precise de qualquer louvor da minha parte -, e disse:
- Isto não demonstra que somos um povo tolerante? Afinal,
Picasso é comunista.» (p. 19)
Esta tapeçaria (Le Tricorne, cenário para o bailado O chapéu de três bicos, 1919) está desde 2015 na New-York Historical Society.