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sexta-feira, 27 de março de 2009

A Cotovia-dos-bosques!

Cotovia-dos-bosques

A Cotovia-dos-bosques, ou Lullula arborea em latim, é uma pequena cotovia de plumagem castanha, cauda curta e poupa vestigial. Habita uma grande diversidade de bosques e florestas pouco densos por toda a Europa temperada e mediterrânica. A Cotovia-dos-bosques é principalmente sedentária, sendo migradora na parte Norte e Oriental da sua área de distribuição europeia. As aves do Sul da Escandinávia, Europa Central, Rússia e Turquía migram para Sul e para Sudoeste durante o Inverno.
O canto da Cotovia-dos-bosques é dos mais melodiosos de entre todas aves europeias. Canta durante a noite ou de manhã, normalmente em voo ondulante, e a mais de 100 metros de altura.

A Cotovia-dos-bosques prefere sempre os locais com árvores.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

De Pedro Paixão - 2







Apagar


Escrevia uma página.
Relia-a e cortava logo alguns parágrafos. Voltava a lê-la e tirava algumas frases. Depois ia às palavras. Reparava na inutilidade de muitas e extraía-as. O que se encontra após uma vírgula também podia desaparecer. Um ponto e vírgula geralmente indicia a ineficácia das frases que une, e eram retiradas.
Continuava assim durante algum tempo.
Se não fosse a sua mulher roubar-lhe a página, restaria uma palavra ou talvez nada. Ele precisava tanto de escrever como de apagar o que escrevia.


- Pedro Paixão, Vida de Adulto, in DO MAL O MENOS, Cotovia, 2000.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

De Pedro Paixão - 1

Homens

O corpo é um bicho estranho cheio de manias. O espírito com espanto assiste. Se assim não fosse morreríamos de tédio e agonia. Há coisas que precisam de ser feitas. Embora poucas, estão muito vivas. Não temos obrigação de gostar do que nos faz bem ou mal. A vida é imperfeita, mas a natureza não tem história. Se não fossemos nós não fazia diferença, mas assim. Olhamos em volta e o que vemos não deixa de ser o mesmo. Por isso crescemos de várias maneiras e das mais surpreendentes. Damo-nos cabo da cabeça. Esforçamos o corpo para além do que seria saudável, com todo o direito. De vez em quando precisamos de nos zangar com o melhor amigo. Vamos acumulando amores na memória que dói. Só nos arrependemos se já não vale a pena. Somos assim, os homens.

- Pedro Paixão, in Vida de Adulto, DO MAL O MENOS ( oito livros reunidos ) , Cotovia, 2000.