Uns marcadores da (infelizmente) defunta Cotovia.
Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Livros Cotovia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livros Cotovia. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 20 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Agamben - 5
Ideia da vocaçãoA que coisa é fiel o poeta? A pergunta envolve certamente qualquer coisa que não pode ser fixada em proposições ou em profissões de fé memorizadas. Mas como se pode conservar uma fidelidade sem nunca a formular, nem sequer a si próprio? Ela teria sempre de sair da mente no próprio instante em que se afirma.
Um glossário medieval explica assim o sentido do neologismo dementicare ( esquecer ), que tinha passado a ser usado para substituir o termo literário oblivisci: dementicastis: oblivioni tradidistis. Aquilo que se esqueceu não foi simplesmente anulado, posto de parte: foi consignado ao esquecimento. O esquema desta informulável tradição foi exposto, na sua forma mais pura, por Hölderlin quando, nas notas à tradução do Édipo de Sófocles, escreve que o deus e o homem, " para que não desapareça a memória dos olímpicos, comunicam na forma, esquecida de tudo, da infidelidade".
A fidelidade àquilo que não pode ser tematizado, mas também não simplesmente silenciado, é uma traição de natureza sagrada na qual a memória, girando subitamente como um redomoinho, descobre a frente de neve do esquecimento. Este gesto, este abraço invertido da memória e do esquecimento, que conserva intacta, no seu centro, a identidade do que é imemorial e inesquecível, é a vocação.
-Giorgio Agamben, A Ideia da prosa, tradução, prefácio e notas de João Barrento, Cotovia, 1999.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Agamben - 3

Ideia da linguagem I
I. Um belo rosto é talvez o único lugar onde há verdadeiramente silêncio. Enquanto que o carácter deixa no rosto as marcas de palavras não ditas, de intenções não realizadas, enquanto que a face do animal parece sempre estar a ponto de proferir palavras, a beleza humana abre o rosto ao silêncio.
Mas o silêncio- aquele que advém daqui- não é uma simples suspensão do discurso, mas silêncio da própria palavra, a palavra a tornar-se visível: a ideia da linguagem. Assim, o silêncio do rosto é a verdadeira morada do homem.
II. Só a palavra nos põe em contacto com as coisas mudas. A natureza e os animais são desde logo prisioneiros de uma língua, falam e respondem a signos, mesmo quando se calam; só o homem consegue interromper, na palavra, a língua infinita da natureza e colocar-se por um instante diante das coisas mudas. A rosa informulada, a ideia da rosa, só existe para o homem.
- Giorgio Agamben, Ideia da Prosa, tradução, prefácio e notas de João Barrento, Cotovia, 1999, p. 112.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Quatro Ensaios à Boca de Cena - Casa da Achada
Edições Cotovia, Lda
R. Nova da Trindade, nº 24
1200 - 303 Lisboa
Tel: 213471447 / Fax: 213470467
http://www.livroscotovia.pt/
Associação Casa da Achada - Centro Mário Dionísio
Rua da Achada, nº 11 r/c - 1100-004 Lisboa
tels: 21 8877090 e 21 8822264
e-mail: casadaachada@centromariodionisio.org
página: http://www.centromariodionisio.org/
notícias: http://noticias.centromariodionisio.org/
mapa: http://www.centromariodionisio.org/localizacao.php
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Sobre o proverbial egoísmo dos escritores...
EscritorTelefonava-lhe a meio da noite. Não importava a hora, precisava. Ela acordava sobressaltada. Ele dizia: "Sou eu." Ela dizia: "És tu?" fingindo espanto.
Ele dizia disparates. Ela ficava a ouvir.
Isto durou alguns meses. Até ele acabar o romance que estava a escrever. Depois deixou de telefonar. Ela primeiro ficou triste e depois procurou um namorado que não fosse escritor.
- Pedro Paixão, Do mal o menos ( oito livros reunidos ) , Cotovia , 2000.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Tu

Tu
É preciso dar tempo ao tempo, dizias tu, e eu não gostava nada. Dar tempo ao tempo? Já reparaste o tempo que o tempo demora a passar, não achas que é mais do que suficiente? Porque é que queres dar mais tempo ao tempo? Achas que ele precisa de ajuda? E eu? Tu achas que eu não preciso de ajuda e já? Sim, já.
Tu não sabes nada. Não faz mal. Eu não mereço nada.
- Pedro Paixão, Histórias Verdadeiras, in Do mal o menos- Oito livros reunidos, Cotovia, 2000.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)







