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domingo, 3 de março de 2024

A caminho do 25 de Abril - 6

Diário de Lisboa, 5 mar. 1974

Reunião da Comissão Coordenadora em casa de Luís Macedo, preparatória da reunião de Cascais. Decidem que Otelo e Vasco Lourenço vão falar com Spínola, procurando obter informações sobre a comunicação que Marcelo Caetano fará no dia seguinte e que ficará conhecida como «Não transigiremos!».

sábado, 28 de maio de 2022

Mário Mesquita (1950-2022)

Ontem à hora do almoço vinha no metro a ler o essencial sobre o Diário de Lisboa. Em 1988, Mário Mesquita foi escolhido para diretor do Diário de Lisboa, cargo que só ocupou em dezembro de 1989.

«"O ambiente na redação era muito bom", recorda hoje Dina Soares, sublinhando que os recém-chegados à profissão como ela eram muito acompanhados. "Os estagiários saíam em serviço com os mais velhos. Quando os textos eram revistos - o que acontecia sempre -, chamavam-nos para nos explicarem o que estava mal e porque tinha sido alterado. Além disso, havia outra coisa muito boa para quem estava a começar, marcavam-nos todo o tipo de serviços. Eu, por exemplo, que estava na secção de Política, fui fazer um jogo de futebol." [...] "A família [Ruella Ramos] queria relançar o jornal e o contexto político internacional, com a queda do Muro de Berlim, era entusiasmante", contou Mário Mesquita [...]. A proposta de Mesquita é apostar num olhar reflexivo sobre a atualidade, diferenciando-se dos outros diários, e mantendo-se um jornal independente de esquerda.

«Fundador do PS em 1973 (partido de que se afastaria mais tarde), Mário Mesquita tinha começado no República e dirigira o Diário de Notícias entre 1978 e 1986 (e fora diretor-adjunto entre 1975 e 1978).» (Cláudia Lobo, p. 120-122)

Quando cheguei a casa, telefonaram-me a dizer que o Mário Mesquita tinha falecido. Que choque!

domingo, 22 de maio de 2022

Leituras no Metro - 1111

Lisboa: Imprensa Nacional, 2022

Uma história do DL, muito bem esgalhada por Cláudia Lobo. 
Fico à espera de histórias de outros jornais.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Diário de Lisboa: 100 anos


«Há precisamente 100 anos, a 7 de abril de 1921, foi lançado o primeiro número do Diário de Lisboa.
«Jornal republicano, com a redação inicial situada no n.º 90 da Rua do Carmo, composto na Rua do Mundo (atual Rua da Misericórdia), tinha apenas oito páginas, custava 10 centavos e era dirigido por Joaquim Manso, que o liderou até à sua morte, em 1956. Num momento de crise da República, este novo jornal trazia, entre outras, a novidade de ser vespertino, saindo ao final da tarde. Era igualmente moderno no seu grafismo e pioneiro no formato tabloide. 
«O Diário de Lisboa afirmou-se rapidamente como um jornal de referência. Com o andar do tempo mudou o local da redação, aumentou o número de páginas, transformou-se, refletindo o percurso histórico do País, acompanhando as diversas dinâmicas políticas e sociais. 
«Ao longo dos 70 anos em que esteve nas bancas nacionais, publicaram textos nas suas páginas, grandes figuras da cultura nacional, como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa, Jaime Cortesão, José Régio, António Sérgio, Alexandre O’Neill e tantos outros. Era, como tantos afirmam, o “jornal dos intelectuais”, das animadas tertúlias. Entre as múltiplas iniciativas do periódico, ficou célebre o suplemento semanal “A Mosca”, dirigido por Luís Sttau Monteiro.
«Passaram pela sua redação alguns dos mais notáveis jornalistas portugueses, desde Norberto Lopes, Artur Portela e Félix Correia, que integraram o projeto desde o início, até Mário Neves, Artur Santos Jorge, Joaquim Letria, Urbano Tavares Rodrigues, Raul Rêgo, Carlos Veiga Pereira, José Carlos Vasconcelos, Vítor Direito, Fernando Assis Pacheco, Silva Costa, Antónia de Sousa, Manuel Beça Múrias, Mário Zambujal, Fernando Dacosta, Diana Andringa, entre muitos outros. Foram diretores do Diário de Lisboa Norberto Lopes (1956-1967), Ruella Ramos (1967-1989; 1990) e Mário Mesquita (1989-1990). 
«Jornal marcante no panorama jornalístico nacional, com tantas características particulares, foi um resistente, fazendo a “oposição possível” ao Estado Novo, em tempos de apertada censura prévia. Não deixou, porém, de viver profundas crises internas, que o marcaram e transformaram, levando inclusivamente a mudanças expressivas no seu corpo redatorial. Após o 25 de Abril de 1974, viveu os conturbados meses da Revolução e as lutas políticas de então de forma empenhada e percorreu o caminho da institucionalização da Democracia, procurando adaptar-se e reinventar-se, mas não resistiu aos graves problemas económicos que teve de enfrentar e publicou o seu último número a 30 de novembro de 1990. Chegava ao fim um jornal que “faz parte do património nacional”, como logo nesse dia assinalou Raul Rêgo, e “um dos grandes mitos do jornalismo”, como se lhe referiu Baptista-Bastos.» (Retirado daqui.)

Para assinalar o centenário da criação do Diário de Lisboa, que foi o meu jornal durante muitos anos, a Fundação Mário Soares e Maria Barroso organiza um programa comemorativo que tem início com um colóquio no próximo dia 30 de abril. Na Fundação encontram-se todas as edições do Diário de Lisboa digitalizadas e disponíveis online, que pode consultar aqui, de um modo muito fácil.