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terça-feira, 25 de julho de 2017

Festival de Salzburgo 2017

Ainda durante a Primeira Guerra Mundial, nasce a ideia de dar à luz um festival na cidade barroca de Salzburgo, longe da azáfama das metrópoles europeias. O realizador Max Reinhardt que iniciara a sua carreira de actor no Stadttheater de Salzburgo, submete um memorando às autoridades competentes em Viena em 1917. O escritor e poeta Hugo von Hofmannsthal publica, por sua vez, uma proposta a delinear o conceito deste festival em 1919. Apoiam este projecto também o compositor Richard Strauss, o maestro e director da Ópera de Viena Franz Schalk e o encenador Alfred Roller. Este “quinteto” consegue, contra todas as resistências, levar a cabo a realização da primeira edição: a 22 de Agosto de 1920, é representada a peça Jedermann de Hugo von Hofmannsthal na encenação de Max Reinhardt, ao ar livre na praça da catedral. 

A história em torno de um homem rico que pensa poder comprar tudo com a sua fortuna, até se confrontar com a morte, integra, sem interrupção, todas as edições do festival desde 1920 (à excepção das edições entre 1938 e 1944).
E precisamente com a exibição desta peça no passado dia 21 de Julho, arrancou a edição do Festival de Salzburgo de 2017. Até 30 de Agosto, os espectadores poderão escolher entre ópera, teatro e concertos sinfónicos. 


O elenco de artistas é infindável, contando, entre outros, com Cecilia Bartoli, Plácido Domingo, Joseph Calleja, Juan Diego Flórez, Rolando Villazón, Theodor Currentzis e John Eliot Gardiner.


Imagens: Tobias Moretti, Stefanie Reinsperger e Hanno Koffler, actores nos papéis principais de Jedermann este ano 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Salzburgo e o seu festival


Dentro de sensivelmente três horas, subirá ao palco do Grosses Festspielhaus de Salzburgo a ópera Don Carlo de Giuseppe Verdi, talvez o highlight da 93 ª edição do festival desta cidade que decorre até 1 de Setembro.  Constitui a mais ambiciosa e complexa obra operática do compositor, baseada no drama Don Karlos, Infante de Espanha de Friedrich von Schiller que pouco se preocupou com a autenticidade histórica dos personagens e factos. A título de exemplo, refira-se que a paixão que o infante vive pela sua madrasta Isabel de Valois no libreto nunca existiu. O verdadeiro Don Carlo, tudo menos esbelto, sofria de graves problemas mentais, talvez derivados do matrimónio praticamente incestuoso entre Maria de Portugal e Filipe II de Espanha. E o personagem de Rodrigo, Marquês de Posa, resulta simplesmente da criatividade fictícia do escritor, dramaturgo e filósofo alemão. Mas foi precisamente esta distância entre realidade e fantasia que permitiu a Verdi dar à luz um trabalho que interliga a esfera política sinistra do século XVI com a privacidade e intimidade dos actores de uma forma tão estreita que nenhuma outra ópera do repertório verdiano alcançou. A multiplicidade das relações humanas do drama junta-se ao ambiente tenebroso que Verdi, desde o primeiro compasso, reproduz na sua abordagem musical.
 
Salzburgo leva a cabo uma produção grandiosa: mais de 240 figurantes chegam a ocupar o palco. O elenco é "estrondoso": Jonas Kaufmann (Don Carlo), Matti Salminen (Filipe II de Espanha), Anja Harteros (Elisabetta di Valois) e Thomas Hampson (Rodrigo, Marchese di Posa) encarnam os papéis principais, acompanhados pela Orquestra Filarmónica de Viena sob a direcção de Antonio Pappano. A realização cabe a Peter Stein.
A organização do festival decidiu, e muito bem, recorrer à versão original de cinco actos que sofreu várias alterações, mesmo aquando da estreia em Paris a 11 de Março de 1867. Assim, o espectáculo durará cerca de cinco horas. "É uma ópera longa, é verdade. Mas tem de ser assim", justificava Giuseppe Verdi a dimensão da sua obra prima.
 
 
Imagens: Jonas Kaufmann, Anja Harteros e Thomas Hampson

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mestres cantores do século XXI


O Festival de Salzburgo decorre dentro da sua "normalidade" desde 27 de Julho, ou seja, os três géneros artísticos da ópera, do teatro e concerto, encontram na 91ª edição deste certame o mais alto patamar qualitativo, quer sob o ponto de vista de programação, quer no aspecto da interpretação. Um dos highlihgts será Don Giovanni de Mozart com estreia agendada para esta quinta-feira. Do elenco constam, entre outros artistas, Erwin Schrott, Dorothea Röschmann e o jovem tenor Joel Prieto (no papel de Don Ottavio).

Prieto que já encantou o público de Salzburgo em 2009 e 2010, nasceu em Espanha, tendo, no entanto, crescido em Puerto Rico. Com apenas 28 anos, já pisou os principais palcos da música lírica. A temporada 2011/12 levá-lo-á como Fenton (Falstaff) ao Théâtre du Capitole em Toulouse e ao Royal Opera House de Covent Garden, como Tamino à Ópera de Berlim, bem como no papel de Ferrando à Washington National Opera e à Ópera Estadual da Baviera.


Foto da autoria de Felix Broede

domingo, 5 de setembro de 2010

Salzburgo e o seu festival: 2002 - 2010


Ao longo de toda a sua história, o Festival de Salzburgo tem vindo a apostar em jovens talentos. Constituído em 2002, o Young Directors Project (YDP) abre a plataforma das jornadas a artistas jovens nos campos da realização e encenação, graças ao apoio financeiro da Montblanc.
O Young Singers Project (YSP) emergiu em 2008 como uma autêntica máquina geradora de cantores promissores. Patrocinado pelo Crédit Suisse desde 2010, assegura a criação de uma nova geração para o futuro.


A primeira década do novo milénio consolidou a posição cimeira de Salzburgo no panorama internacional da música clássica. A actual Direcção, composta por Jürgen Flimm, Helga Rabl-Stadler e Gerbert Schwaighofer, congratula-se, em conjunto com os restantes organizadores, de registar um balanço excelente para 2010: a 90ª edição orgulha-se de 250 000 espectadores que, em seis semanas, contribuíram para um total de de 24,5 mio. € de vendas de bilhetes.

Com estes dados financeiros recentes, despede-se aqui o breve historial do Festival de Salzburgo. A concluir e a festejar os 90 anos, seguem Anna Netrebko e Rolando Villazón em Brindisi, libiamo ne’lieti calici de La Traviata de Verdi, na produção da edição de 2005.
Imagens: Anna Netrebko e Ildebrando d'Arcangelo, cantores "habitués" do Festival de Salzburgo


domingo, 29 de agosto de 2010

Salzburgo e o seu festival: 1990 - 2001

O novo director artístico do festival, Gerard Mortier, definiu, como tarefa prioritária, a reforma das jornadas, já que a era von Karajan padecia de alguma estagnação durante os últimos anos de “reinado” do grande maestro. “A nova Salzburgo”, assim o anunciava Mortier, revelar-se-ia através de um repertório moderno, encenado numa perspectiva diferente e provocadora por vezes, e destinado a um público mais jovem e diversificado. Entre várias alterações, Mortier introduziu um fio condutor para cada edição anual, ou seja, as temáticas das produções dos três géneros (ópera, teatro e concertos) do festival passaram a submeter-se a um mote comum. Uma nova geração de realizadores marcou presença nos palcos, tais como, Luc Bondy, Peter Sellars ou Robert Wilson.
De facto, a música clássica do século XX viveu uma época de apogeu durante o mandato de Mortier: um ciclo dedicado à obra de Janacek, a produção grandiosa de Saint François d’Assise de Olivier Messiaen,o Grand Macabre de Ligeti, ou óperas de Strawinsky, Weill, Schönberg, Busoni ou Berg dominaram a programação do festival.
O teatro, género preferido do fundador do festival, Max Reinhardt, ressuscitou após anos de pouca criatividade. Peter Stein, Ivan Nagel e Frank Baumbauer dedicaram-se a esta tarefa. Em relação à componente sinfónica, de destacar projectos e ciclos temáticos, entre eles, o “Progetto Pollini” que abarcou composições desde a Idade Média aos nossos dias.

Gérard Mortier não temia as fortes críticas da imprensa conservadora, nomeadamente da imprensa vienense, ao reformar radicalmente o conceito do festival. Nunca conformado com privilégios instituídos, quebrou a primazia dos Wiener Philarmoniker em actuações durante o festival e enfrentou os lobbies da indústria discográfica.
Mortier poderá não ter revolucionado o festival, transformou-o, no entanto, de forma significativa, assegurando a componente contemporânea e moderna e, assim, o futuro do próprio festival.

- to be continued -

Imagens: Gerard Mortier; a produção de Don Giovanni em 1994, com Patrice Chéreau e Daniel Barenboim; Ricardo II de Shakespeare em 1999

domingo, 22 de agosto de 2010

Salzburgo e o seu festival: 1960 - 1989


A inauguração do novo auditório Grosses Festspielhaus a 26 de Julho de 1960 marca o início de uma nova era na história do Festival de Salzburgo. Sob a direcção de Herbert von Karajan, sobe ao palco, nesse serão, o „Cavaleiro da Rosa“ de Richard Strauss. O espaço com capacidade para 2.200 espectadores impressiona com dimensões imbatíveis: o palco mede 32 metros de comprimento e mais de 100 metros de largura. Destina-se, em primeiro lugar, ao repertório do século XIX e, curiosamente, não à obra operática de Mozart. Ainda que von Karajan integrasse um orgão directivo, constituído por vários membros, as orientações decisivas, quanto à organização e ao rumo das jornadas, eram quase exclusivamente tomadas por ele. Daí a alcunha do „último governante absolutista“, dada após o desaparecimento do maestro em 1989.

Em décadas anteriores, a companhia residente da Wiener Staatsoper dominava os papéis prinicipais. Von Karajan consolidou a internacionalização do festival ao requisitar artistas internacionais de grande craveira que actuavam nos palcos de referência, entre eles, Giuseppe Taddei, Franco Corelli, Leontyne Price, Jon Vickers, Nicolai Ghiaurov, Mirella Freni, Plácido Domingo ou José Carreras.
O jet-set internacional juntou-se assim aos verdadeiros melómanos que, felizmente, se mantiveram em maioria. A importância do festival como factor macro-económico para a região de Salzburgo aumentou significativamente


- to be continued -

Imagens: Herbert e Eliette von Karajan; Mirella Freni, uma das cantores "preferidas" de von Karajan; A produção do "Rapto do Serralho" com Luciano Damiani, Giorgio Strehler (realizador) e Zubin Mehta

domingo, 15 de agosto de 2010

Salzburgo e o seu festival: 1945 - 1959

Em Agosto de 1945, realizam-se novamente os Festspiele - um pequeno milagre, tendo em consideração que decorreram apenas três meses após o fim da Segunda Guerra Mundial. Salzburgo, repleta de refugiados e soldados, mostra as feridas dos bombardeamentos, e muitos dos bens essenciais adquirem-se somente no mercado negro. As tropas americanas impulsionam a retoma das jornadas.


A partir de 1946, inicia-se um processo de normalização e renovação em simultâneo. Membros da Wiener Staatsoper e dos Wiener Philarmoniker regressam a Salzburgo. Um dos nomes mais significativos do período pós-guerra é Oscar Fritz Schuh que, até 1970, viria a concretizar 30 encenações para o festival, contribuindo para uma programação inovadora que inclui estreias absolutas de obras de Carl Orff, Frank Martin ou Rolf Liebermann. Os maestros Wilhelm Furtwängler, Karl Böhm e Josef Krips criam uma nova geração de cantores, talvez a geração “ínclita” da história do festival e do canto lírico em geral: Elisabeth Schwarzkopf, Lisa della Casa, Irmgard Seefried, Elisabeth Grümmer, Fritz Wunderlich, Hermann Prey, Anneliese Rothenberger, Dietrich Fischer-Dieskau, e muitos, muitos outros artistas, cujos nomes ainda hoje fazem “arrepiar” qualquer admirador de ópera. Produções, como as de Don Giovanni de 1953, sob a direcção de Furtwängler e com as interpretações de Schwarzkopf/Grümmer, continuam referências no universo da música clássica. Inúmeras são as ideias criativas na década de 1950. Refira-se, a título de exemplo, a encenação da produção da Flauta Mágica de 1955 por Oskar Kokoschka.


O teatro encontra um perfil novo e fresco, graças a Ernst Lothar como responsável. A primeira encenação moderna de Jedermann, após a estreia de 1920, a ele se deve, com o saudoso Will Quadflieg no papel principal (uma das últimas aparições cinematográficas foi em O nome da rosa).
E cada vez mais, é notável a presença de um homem que daria aos Festspiele uma reputação sem precedentes: Herbert von Karajan. Em 1948, dirige o Orfeu de Gluck, em 1956, é nomeado director artístico e, em 1957, estreia-se como realizador em Fidelio de Beethoven. A produção do Don Carlo de Verdi de 1958 com Fischer-Dieskau e Della Casa tornou-se lendária.
- to be continued -


Imagens: Elisabeth Schwarzkopf; Fritz Wunderlich; Anneliese Rothenberger; Hermann Prey

domingo, 8 de agosto de 2010

Salzburgo e o seu festival: 1938 - 1944

A entrada de tropas alemãs em Salzburgo a 12 de Março de 1938 inicia o período negro na história do festival. Consumado o Anschluss da Áustria, a ideologia nazi domina o espírito das jornadas culturais. Artistas que, até então, marcaram o perfil dos Festspiele, são afastados, entre eles, Bruno Walter, Max Reinhardt e Arturo Toscanini. Algumas das obras do co-fundador Hugo von Hofmannsthal, tais como o Jedermann, desaparecem da programação. A “arte alemã” deverá, segundo a propaganda de Berlim, impor-se. O público internacional deixa de comparecer e é substituído por milhares de alemães que no âmbito da “iniciativa” Kraft durch Freude, se deslocam até Salzburgo: em muitos casos, operários com salários modestos com direito a bilhetes subsidiados. A cidade e o seu festival não escapam à maquinaria de propaganda, os símbolos da ocupação são bem visíveis. Hitler visita a edição do Festival de 1939.


Com o início da Segunda Guerra Mundial, é reduzida significativamente a oferta cultural. O público é maioritariamente constituído por soldados e restantes membros do exército alemão, ou por trabalhadores de fábricas de munição próximas. Em 1943, é proibida a designação “Festspiele”, substituída por “Salzburger Theater –und Musiksommer” (Verão de teatro e de música de Salzburgo). Após o fracasso do atentado contra Hitler a 20 de Julho de 1944, é decretado por Goebbels o fim de todos os festivais em território pertencente ao Deutsches Reich. Assim, realizam-se em Salzburgo apenas um concerto sinfónico e o ensaio geral da ópera “Die Liebe der Danae” de Richard Strauss. Entre os artistas que continuam a actuar entre 1938 e 1945, figuram Clemens Krauss e o maestro Karl Böhm.
- to be continued-
Imagens: Salzburgo no final dos anos 30; Hitler na inauguração da construção da autoestrada Munique - Salzburgo, Março de 1938

domingo, 1 de agosto de 2010

Salzburgo e o seu festival: 1920 - 1937

Ainda durante a Primeira Guerra Mundial, nasce a ideia de dar à luz um festival na cidade barroca de Salzburgo, longe da azáfama das metrópoles europeias. O realizador Max Reinhardt que iniciara a sua carreira de actor no Stadttheater de Salzburgo, submete um memorando às autoridades competentes em Viena em 1917. O escritor e poeta Hugo von Hofmannsthal publica, por sua vez, uma proposta a delinear o conceito deste festival em 1919. Apoiam este projecto também o compositor Richard Strauss, o maestro e director da Ópera de Viena Franz Schalk e o encenador Alfred Roller. Este “quinteto” consegue, contra todas as resistências, levar a cabo a realização da primeira edição: a 22 de Agosto de 1920, é representada a peça Jedermann de Hugo von Hofmannsthal na encenação de Max Reinhardt, ao ar livre na praça da catedral. A história em torno de um homem rico que pensa poder comprar tudo com a sua fortuna, até se confrontar com a morte, integra, sem interrupção, todas as edições do festival desde 1920 (à excepção das edições entre 1938 e 1944).


A programação é enriquecida em 1921 com a apresentação de concertos sinfónicos, e em 1922, junta-se o género operático. A utilização da Felsenreitschule (antiga Escola de Equitação) e a construção de um novo espaço para espectáculos, o Festspielhaus (1925/1927), permitem uma programação de nível qualitativo imbatível.

Salzburgo torna-se assim num ponto de encontro obrigatório: nomes como os de Bruno Walter, Arturo Toscanini ou Clemens Krauss são inseparáveis da fase pioneira do Festival de Salzburgo.

- to be continued -

Imagens: interior da catedral de Salzburgo; a primeira apresentação de Jedermann em 1920, com Alexander Moissi no papel principal

domingo, 25 de julho de 2010

Salzburgo e o seu festival


O Festival de Salzburgo festeja este ano o seu 90º aniversário.
Seus fundadores, , Hugo von Hofmannsthal, Max Reinhardt e Richard Strauss, conceberam este projecto ainda durante a Primeira Guerra Mundial, com o objectivo principal de estabelecer paz entre os povos europeus inimigos. As jornadas culturais, iniciadas a 22 de Agosto de 1920, destinar-se-iam a combater conflitos, mas também a perda de valores e da identidade do indivíduo e de um povo inteiro. Enfim, um mal-estar social que infelizmente nos é tão familiar nos dias de hoje...


Por ocasião dos 90 anos de existência de um dos mais importantes festivais no panorama musical clássico, foi inaugurada uma exposição em vários locais de Salzburgo no passado dia 17 de Julho, sob o título Das grosse Welttheater (O grande teatro mundial) que, numa retrospectiva, recorda os highlights das jornadas, ou seja, os grandes nomes de maestros, realizadores, intérpretes e actores que marcaram os Festspiele. Estará aberta ao público até 26 de Outubro.

A edição deste ano segue a tradição (quase) secular, ao dividir-se entre ópera, teatro e concerto (sinfónico e de Lied). O elo de ligação entre os três géneros é, desta vez, a mitologia. A estreia mundial da ópera Dionysos de Wolfgang Rihm centra-se em textos de Nietzsche. Outras produções, há muito aguardadas, serão Elektra de Richard Strauss, baseada na tragédia antiga na versão de von Hofmannsthal, bem como Orfeo ed Euridice de Gluck, e Lulu de Alban Berg com a extraordinária soprano francesa Patricia Petibon no papel principal. Anna Netrebko dará uma Juliette seguramente inesquecível.

Festival de Salzburgo (Salzburger Festspiele), de 25 de Julho a 30 de Agosto



Imagens: Salzburgo; os fundadores Richard Strauss, Max Reinhardt, Hugo von Hofmannsthal; Patricia Petibon

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sábado em Salzburgo

Começa este sábado, 25 de Julho, mais uma edição do Festival de Salzburgo, e a noite inaugural é dedicada a Haendel com uma récita da ópera Theodora, com direcção musical de Ivor Bolton.
E, como sempre, o programa é muito aliciante- http://www.salzburgerfestspiele.at

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Festival de Salzburgo 2008

“Salzburgo é o coração do coração da Europa”, assim descrevia o escritor e poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal a cidade de Salzburgo. Von Hofmannsthal, Richard Strauss e Max Reinhardt fundaram há 88 anos o festival Salzburger Festspiele, highlight absoluto e incontornável no universo cultural. As jornadas começam amanhã.

A edição deste ano guarda a tradição do passado: a trilogia de ópera, teatro e concerto (sinfónico e de Lied) estende-se ao longo do mês de Agosto, numa simbiose musical desde Mozart, o genius loci, à modernidade, e numa convivência cénica, desde interpretações clássicas à experiência avanguardista. A Direcção, by the way muito pouco modesta, orgulha-se de organizar o melhor festival do mundo em que confluem apenas os melhores artistas da actualidade. Talvez seja verdade, ainda que, na minha humilde opinião, o Festival de Munique brilhe por uma oferta incomparavelmente mais rica, quer de intérpretes, quer de obras escolhidas.

Mas claro, Salzburgo é sempre Salzburgo, e o filho ilustre da cidade é o autor da primeira ópera a subir para o palco este domingo: Don Giovanni de Mozart será dirigido por Bertrand de Billy à frente da Orquestra Filarmónica de Viena. Dos cantores destaque-se Dorothea Röschmann que se afirma, mais uma vez, como Donna Elvira após o seu êxito merecido na Wiener Staatsoper em Janeiro de 2007 no mesmo papel.
E Mozart continuará omnipresente, pois a Flauta Mágica, sob a batuta de Riccardo Muti, é um must imprescindível destas jornadas.

Um bom Otello verdiano vive, seguramente, de um elenco de alta qualidade o que, à partida, parece garantido: Carlos Álvarez será o mau da fita (Iago), a ele juntar-se-ão Aleksandrs Antonenko (Otello) e Marina Poplavskaya (Desdemona), valor seguro no mundo da ópera italiana (refira-se a impressionante Elisabetta di Valois na produção do Don Carlo no Royal Opera House de Covent Garden).

Rolando Villazón, em Roméo et Juliette de Gounod, far-nos-á sofrer e chorar com a sua voz e o seu temperamento.
Outras produções incluem Herzog Blaubarts Burg de Bartók e Rusalka de Dvořák.

Tanta emoção será digerível apenas em alternância com concertos e teatro.
Para quatro recitais de Lied, foram convidados Ian Bostridge, Thomas Quasthoff, Christine Schäfer e Matthias Goerne.

O drama, componente forte do festival, leva ao palco, entre outras obras, Crime e Castigo de Dostojewskij, Die Räuber de Friedrich (von) Schiller e, evidentemente, Jedermann de Hugo von Hofmannsthal, peça já menos digerível e apresentada no largo da catedral da cidade.

E assim, de acordo com von Hofmannsthal, Salzburgo é “o coração do coração da Europa”, pelo menos até ao encerramento do festival a 31 de Agosto.