Há cerca de uma dezena de anos atrás, entrando eu na Livraria Artes&Letras, fronteira à Igreja de S.Roque de Lisboa, encontrei o dono da dita, o livreiro e amigo Luís Gomes, à conversa com alguém que eu desconhecia. Sem querer incomodar, fui passando os olhos pelas estantes. Deparei-me então com os volumes de O Mistério dos Painéis do António Belard da Fonseca, e, estando eu então em plena "febre paineleira" , não me contive e saí-me com esta: "Olha o maluquinho do Belard da Fonseca! " . Imediatamente, o Luís Gomes olha para mim com os olhos bem abertos e chama-me para junto deles dizendo : "Deixa que te apresente o Francisco Belard, do Expresso, filho precisamente do Belard da Fonseca".
Fiquei de todas as cores. Aproximei-me, cumprimentei o Francisco Belard e lá balbuciei um pedido de desculpas pelo excesso de linguagem. Nunca me esqueci do ar benevolente do Francisco e da maneira afável como disse : " Deixe estar, já estou habituado". Lá se prosseguiu com conversa de ocasião, e eu à primeira oportunidade escapuli-me dali para fora. Mais um episódio que comprova que Portugal é pequeno e Lisboa uma aldeia, e o melhor é ter sempre tento na língua ...
