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quarta-feira, 20 de abril de 2016

«Home is where the music is»

Música no Salão foi o título escolhido por Patrícia Vasconcelos para o seu espetáculo no São Luís. E que espetáculo!


«Home is where the music is - esta sempre foi uma das máximas que tentei aplicar nos meus concertos. Tanto em salas de espetáculo com centenas de espectadores, como em pequenos espaços onde só cabiam algumas dezenas, sempre procurei que cada pessoa se sentisse em casa enquanto eu cantava e contava histórias.» (Da folha de sala)
E foi o que aconteceu. Fomos provando os petiscos feitos pela cantora nos intervalos. E que petiscos!



E que petiscos provámos?

Tudo acompanhado com

Mas também podia ter escolhido 

Foi um final de tarde inesperado e muito bem passado.

domingo, 30 de junho de 2013

Uma lição de vida

Lisboa: Bizâncio, 2005
2.ª ed.: 2007

«Mandela tornou-se um herói. É um mito cuja génese, força e exemplo quis aqui narrar. Tive a oportunidade e o privilégio de conhecer Mandela há mais de dez anos, depois de, com muitos outros militantes, ter contribuído para o boicote à antiga África do Sul e militando a favor da sua libertação. 
«Mandela, nascido em 1918, é o rebelde que se empenha no combate à injustiça cometida contra os Negros. Primeiro pela via do direito e da não-violência, como Ghandi, depois, a partir de 1944, na ilegalidade e na clandestinidade. É também o cativo sem ódio que descobre o teatro na prisão e se transforma em homem de Estado pronto a dar provas do seu talento logo que é libertado, numa negociação impossível em que a paciência, a tolerância e a democracia lhe permitem evitar um banho de sangue. É finalmente aquele que renuncia à vingança para personificar uma noção ‘arco-íris’. 
«Foi meu propósito ser um modesto transmissor deste destino aos leitores de hoje, nomeadamente aos jovens.» (Jack Lang)
Este livro de Jack Lang, que li há anos, é muito interessante, dado que a personalidade de Nelson Mandela é abordada de um modo inovador.
«Se a vida é um palco de teatro, em que os homens  e as mulheres desempenham um papel de atores – e é assim que Jack Lang ilustra o seu tema – então o papel de uma grande obra consiste em encarnar, prolongando o tempo da sua passagem, o destino daqueles que, antes dele, foram investidos de idêntica missão. Assim, Jack Lang atribui a Nelson Mandela o papel principal de um maravilhoso drama em quatro atos, que passa em revista a sua vida e a sua época, bem como a formação complexa da luta pela liberdade na África do Sul. Nele, Mandela é identificado com as personagens carismáticas que, de Ésquilo e Sófocles a Beckett, marcaram a história da filosofia e da ação moral.
«No I Ato, Mandela é Antígona perante o rosto soturno do apartheid, que o priva, e ao seu povo, dos seus direitos humanos. No II Ato, surge como chefe de um bando de revoltados contra as forças do regime sul-africano, assumindo os traços do célebre gladiador Espártaco, que outrora se opôs aos Romanos. No III Ato, à imagem de Prometeu, é agrilhoado ao rochedo do racismo por ter roubado aos deuses do apartheid – e dado aos mortais – a chama da resistência a Zeus, chefe máximo do regime impiedoso. Finalmente, no IV Ato, Mandela volta á sua época e à sua idade atuais, mas sob a identidade de Próspero, benfeitor da humanidade e vencedor de Calibã.» (do «Prefácio» de Nadine Gordimer). Finalmente, o V Ato intitula-se «O rei Nelson».
E quais as epígrafes escolhidas para cada um dos atos? I Ato: «Antígona simbolizava a nossa luta; ela era, à sua maneira, uma lutadora pela liberdade.» (Nelson Mandela); II Ato: «Um dono? Que disseste tu? O negro já não tem dono. Espártaco quebrou-lhe as grilhetas algures que não em Roma» (Lamartine, Toussaint-Louverture); III Ato: «Tu és grande, e grande é a prova que vais enfrentar: / A tua glória irá até apo ponto de colidir com o céu.» (Eurípedes, As Bacantes): IV Ato: «Para quê obstinares-te no rancor? Destruída a tua pátria, terás avançado?» (Sófocles, Édipo em Colona); V Ato: «nenhum torpe desígnio, nenhuma ingrata inveja / Atacará o curso de tão bela vida. / Haveis descoberto toda a arte de conquistar os corações.» (Corneille, Cinna)
A vida de Mandela é interligada, em cada um dos atos, com a dos heróis da mitologia.