O tema deste mês, lançado pela Goretti, são os livros. Para além dos posts dos dias 22 e 23 de abril dedicados ao Dia Internacional do Livro, aqui ficam uns marcadores com livros:
Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra.
Livraria Parlamentar: dois marcadores.
Verso e reverso iguais.
Versos e reversos de três blocos de marcadores-calendário.
Versos e reversos.
Não quer ler?! Mau, Maria! Melhor: mau, Manel!
Verso e reverso.
Verso e reverso.
Duas variantes.
Há montes de marcadores com capas de livros, que não são muito apreciados pelos colecionadores. Uns exemplos:
Gosto imenso deste escritor. O meu livro preferido dele continua a ser o primeiro que li: Os enamoramentos. Também com Kundera e o seu A insustentável leveza do ser me aconteceu o mesmo. E com Saramago e Memorial do convento.
Há pelo menos três prosimetronistas que gostam do escritor Javier Marías que morreu ontem. Para mim inesperadamente porque não sabia que estava internado há tempos.
«Alegra muito comprovar que há pessoas e sítios que estão iguais, mesmo que permaneçam longe ou pareçam perdidos. Certamente só se perde realmente o que é esquecido ou rejeitado, o que preferimos apagar e já não queremos levar connosco, o que não fica incorporado na vida que contamos a nós próprios.»
Javier Marías - Veneza, um interior. Lisboa: Relógio d'Água, 2016, p. 57
Gostei bastante dos dois textos que compõem este pequeno livro sobre Veneza.
«O viajante curioso poderá reconhecer os escassos nativos [venezianos] com que se cruze no seu deambular porque, assim como os turistas andam como sempre feitos uns fantoches, se não uns sórdidos, os venezianos parece que vão para uma festa elegante a qualquer hora do dia e em qualquer estação».
Mas não é fácil vê-los porque «andam por ruas diferentes das escolhidas pelos turistas. Expulsos das mais luminosas e principais pela inundação contínua que por vezes provoca engarrafamentos humanos para desespero dos que querem chegar a tempo, os venezianos procuram atalhos e metem-se por onde nenhum forasteiro se aventuraria com medo de se perder no labirinto insondável que é a cidade» (p. 18-19).
Estou a ler Berta Isla, romance do meu muito apreciado Javier Marías, que narra a história de um casal: Berta Isla, madrilena, e Tomás Nevinson, hispano-britânico, bilingue.
Tomás vai estudar para Oxford e é recrutado pelos serviços secretos britânicos para se infiltrar, o que só aceita quando é suspeito de um homicídio que não cometeu e lhe é proposto que se aceitar a proposta, a suspeita sobre si desaparece. A vida de ambos vai ser condicionada por este 'acidente' e segredo.
Javier Marías, neste livro com vários narradores, regressa ao mundo da espionagem.
«Cada coração palpitante é um segredo para o coração mais próximo, aquele que dormita e palpita ao seu lado».
Num café de bairro, Maria (que trabalha numa editora) vê todas as manhãs Luísa e Miguel, a quem ela apelida de «Casal Perfeito». Num desses dias, ela vê-o despedir-se da mulher e descobre dias mais tarde que ele foi assassinado pouco depois. Quando Luísa volta ao café uns tempos depois, Maria resolve falar-lhe e descobre que o casal a tratava por «Jovem Prudente». E mais não digo. A verdade é que deste Os enamoramentos pouco se pode contar porque tiraria o interesse a quem o queira ler. Fiz uma leitura seguida, mas lenta, atendendo à velocidade com que costumo ler romances.
Um belíssimo romance de Javier Marías. A verdade é que ultimamente a melhor literatura que tenho lido vem da vizinha Espanha. Tenho mais uns espanhóis no monte: Javier Cercas, outro Javier Marías e o último de Reverte.