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segunda-feira, 14 de maio de 2018

sábado, 5 de abril de 2014

José Wilker (1947-2014)

José Wilker faleceu hoje, vítima de ataque cardíaco.
Conheci-o, como a maioria dos portugueses de então, através do seu papel de Mundinho Falcão na telenovela Gabriela (1975).
Vi-o ainda em Roque Santeiro (1985), interpretando a personagem que dava título à telenovela.
Em 2012 interpretou o papel do coronel Jesuíno Mendonça num nova adaptação de Gabriela, de que vi alguns episódios.
Lembro-me ainda de o ter o visto no filme Dona Flor e seus dois maridos (1976), daptação ao cinema do romance de Jorge Amado.

domingo, 9 de setembro de 2012

Gabriela, cravo e canela


Mem Martins: Europa-América,1960
Csps de Afonso Domingues  
1977 
2003
Alfragide: Dom Quixote, 2012

Jorge Amado na Biblioteca Nacional

Gabriela: resumo dos episódios de férias. Cartoon de António.
Expresso, Lisboa, 27 ago. 1977
Imagens da exposição que se encontra na BNP, na parte referente ao impacto que a apresentação da telenovela Gabriela teve na divulgação da obra de Jorge Amado em Portugal. A exposição pode ser vista até dia 29 de setembro.

Quando o país parava para ver a Gabriela

Amanhã estreia uma nova versão da telenovela Gabriela, baseada no livro Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado.
Há 35 anos, o país parava para ver personagens inesquecíveis, como:

Gabriela e Nacib, interpretados por Sónia Braga e Armando Bógus
Dr. Mundinho, por José Wilker 
Coronel Ramiro Bastos pelo ator Paulo Gracindo
Tonico Bastos, interpretado por Fulvio Stefanini
Malvina, por Elizabeth Savalla

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Jorge Amado em Braga

100 anos de Jorge Amado, exposição evocativa do centenário do nascimento do escritor. Esteve patente na Reitoria da Universidade do Minho até 1 de setembro. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Lisboa, 1979 - o gourmet


«Estamos saindo para o almoço no restaurante da Mimi, no Parque Mayer, Zélia chama-me a atenção: olha quem está ali. Olho, vejo Gilberto Freyre reclinado num dos sofás do hall do Hotel Tivoli, a seu lado Madalena. Dirgjimo-nos para eles.
«Gilberto acaba de chegar da Espanha [...]. Noto-o cansado, tomado pela gripe, está com baixo astral, a gripe derrota qualquer um. [...]
«Quis saber onde íamos almoçar: a gripe o deixava com fastio, sem apetite, no entanto [...] devia alimentar-se [...]. Vamos à Mimi, dissemos, expliquei-lhe o Parque Mayer e o restaurante Amadora, o encanto das três irmãs, Glória, Amadora, Mimi, a ementa caseira, a freguesia de gente de teatro e de imprensa, não figurava nos guias de turismo, mas que requinte de cozinha! Se desejam provar, venham connosco. 
«O fastio desapareceu assim Gilberto Freyre saboreou a primeira colher de açorda, seguiu-se o peixe, robalo cozido com couve e batatas, para equilibrar Glória pôs na mesa frango corado com arroz de manteiga, Gilberto chamando a si entre suspiros, e os queijinhos frescos e os pastéis de nata e o arroz doce para finalizar à portuguesa. Não está nos guias de turismo? Pois devia estar, protestou o mestre do Recife degustando o cálice de ginginha, oferta da casa.
«Durante os cinco dias de anonimato em lisboa, Gilberto e Madalena foram habitués do restaurante Mimi do Parque Mayer. A gripe curou-se ao caldo verde, apetite devorador sucedeu ao fastio, que fastio pode resistir ao rim de porco assado na brasa, especialidade de Amadora? Que apetite não se abre de entrada às pataniscas de bacalhau servidas por Glória? Sem contar à sobremesa as recordações de Mimi, ex-corista do teatro de revista - ainda não perdeu a graça juvenil.»
Jorge Amado - Navegação de cabotagem. 2.ª ed. Mem Martins: Europa-América, 1992, p. 52-53

Paris, [10 de outubro de] 1991 - Álvaro Salema

Da esquerda para a direita: Rogério de Freitas, Álvaro Salema, Ferreira de Castro, Jorge Amado, Fernando Namora e Francisco Lyon de Castro, no Aeroporto de Lisboa, 1953.

«A morte de Álvaro Salema chega-me pelo telefone, repetida: primeiro Nuno [Lima de Carvalho], logo José Carlos [de Vasconcelos], por fim Celestino, solidários, tristíssimos, um telefonema atrás do outro.
«Ai, meu Deus!, exclamo quando Nuno me diz: desculpa chamar-te para má notícia. Salema morreu. Quem foi? - pergunta Zélia ao escutar meu lamento: a cada semana pelo menos um amigo vai-se embora, o vazio se torna maior.
«A partir de agora Portugal será menos ensolarado, menos alegre, menos fraterno. Perco o amigo português de toda a minha vida, o amigo perfeito, o de todos os instantes, aquele que tudo sabia e tudo podia entender. Os acontecimentos dos últimos anos, a crise da sociedade soviética deixavam-no enfermo, num silêncio doloroso, percebi que ia-se retirando da vida, sem alarde, na discrição com que vivera. Quando estivemos juntos em Agosto deste ano aparentava melhor saúde, estás ótimo, eu lhe disse, estou no fim, me respondeu. Senti que não voltaria a vê-lo, ainda bem que vim a Lisboa a tempo de encontrá-lo, de comer à mesa de Elisa, de com ele recordar Ferreira de Castro, Fernando Namora, nossos mortos. [...]
«O homem mais modesto, o mais tímido, o mais corajoso, o mais leal, o mais digno, Álvaro Salema. Em silêncio se retirou de cena, pouco antes do final da tragicomédia, personificava a decência, já não tinha lugar no palco.»
Jorge Amado - Navegação de cabotagem. 2.ª ed. Mem Martins: Europa-América, 1992, p. 47

Mem Martins: Europa-América, 1982

Hoje, dia em que passam 100 anos sobre o dia do nascimento de Jorge Amado, vou colocar alguns excertos do seu livro de memórias, Navegação de cabotagem. Este foi o primeiro.

sábado, 30 de junho de 2012

No centenário de Jorge Amado - 1

Mem Martins: Europa-América, 1992 

Este foi o último livro de  Jorge Amado que li. E trago-o hoje porque este ano celebra-se o centenário do seu nascimento, dedicando-lhe a Biblioteca Nacional de Portugal, a Casa Ferreira de Castro e o Museu do Neorrealismo exposições.
Um livro de histórias, de estórias, entre o riso e a tragédia. O  homem e o escritor estão aqui: os seus anos como comunista, as suas prisões, as suas viagens, as suas paixões, a família e os amigos. E a sua terra: Salvador da Bahia.


Dele transcrevo uma memória porque há por aqui umas apreciadoras de Alçada Baptista:



Lisboa, 1989 - a tia

A cada encontro no restaurante de Mimi, no Parque Mayer - sem o Restaurante Amadora, o Parque já não é o mesmo -, António Alçada Baptista apresenta-me à mais bela de ofícios diferentes: a mais bela advogada de Portugal, a mais bela redatora, a mais bela dançarina e por aí vai, são muitas. A mais bela? Maneira de louvar do sedutor: bonitas todas, umas mais, outras menos, charmosas, elegantes, sobretudo apaixonadas. António as pastoreia, ar de frade em férias, pecaminoso.
«Ensaísta consagrado, polémico, António estreou na ficção com romance que fez época, entusiasmo da crítica, prémios, best-seller, O nó e os laços: o começo do livro é um achado. [...]
«Outro romancinho, Tia Suzana, meu amor [...], descreve as intimidades de pensamento, religião e cama do narrador, um rapazola - o autor fazendo-se de personagem? Só o próprio António poderia responder - e uma sua tia, balzaquiana. Na cama coçam-se mutuamente as costas, catam-se cafunés, trocam beijinhos [...] e nada mais acontece, acredite quem quiser. Dela decerto, dessa tia meio freira meio iaba, herdou António o ar de frade em férias, prevaricador.
«- Tu queres me convencer, António, que jamais tu e tua tia chegaram às vias de facto?
«- Primeiro não somos eu e minha tia, são o personagem e a Suzana, tia dele. Mas, ainda que fôssemos eu e a tia, posso te garantir que tudo não passou de ternura, nada além das cosquinhas.
«- As cosquinhas, os cafunés, os toques, os beijinhos, o fornicoques, tudo platónico?
«- Tudo. Mais pura e inocente que tia Suzana nunca houve.
«António Alçada Baptista fala sério, o ar de frade imaculado. Acredite quem quiser, eu hein! não sou daqui, não conheço os costumes locais, os hábitos de cama, na Bahia tia Suzana não escapava.» (p. 41-42)