Fotos Cláudia.
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segunda-feira, 11 de maio de 2026
domingo, 1 de fevereiro de 2026
sábado, 29 de novembro de 2025
Livro e marcador - 215
Foto Maria.
«Já li este livrinho de contos de Conceição Evaristo.
Gostei muito do primeiro, depois foram endurecendo, alguns foram mesmo difíceis de ler, não pela qualidade da escrita mas pelas vidas que eles retratam....
«O saldo é positivo, e acho a capa linda.»
O meu estava no monte mas, entretanto, emprestei-o. Também acho a capa linda, a capa e o marcador.
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
Leituras no Metro - 2974
Lisboa: Tinta da China, 2023.
É deste modo que Rubem Braga termina a primeira crónica, provavelmente de 1935, recolhida nesta antologia:
«Amanhã eu posso voltar bonzinho, manso, jeitoso; posso falar bem de todo o mundo, até do governo, até da polícia. Saibam desde já que eu farei isto porque sou cretino por profissão; mas que com todas as forças da alma eu desejo que vocês todos morram de erisipela ou de peste bubônica.
«Até amanhã. Passem mal.» (p. 13)
Lembrei-me de João Paulo Cotrim que se despedia sempre com um «Portem-se mal!». Mas esta interjeição é bem mais simpática e afetuosa que a de Rubem Braga. 😉
E a despedida da segunda crónica, escrita no «Rio de Janeiro, 1935»:
«O que é necessário é que chegou o outono. Chegou ás 13:48 horas, na Rua Marquês de Abrantes, e continua em vigor. Em vista do que, ponhamo-nos melancólicos.» (p. 16)
E para terminar, por hoje, o final de outra, de março de 1944:
«E dizer que outro dia eu li um artigo de um cavalheiro, no jornal, dizendo que o nosso povo precisa se fortalecer fazendo ginástica! Ah, ginástica, ginástica! Ginástica para viver, ridícula e patética ginástica que tanta gente faz todo dia simplesmente para isso: para continuar. Ah, ginástica! Isso cansa, meu caro senhor, isso cansa.» (p. 24)
Por hoje, ficamos por aqui, mas Rubem Braga (1913-1990) vai voltar.
quarta-feira, 27 de novembro de 2024
quinta-feira, 27 de junho de 2024
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
sábado, 1 de julho de 2023
O «Tesouro dos remédios da alma» - 53
Eliseu Visconti - Instrução (Solidariedade Humana), 1910
Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional
«Na Biblioteca Nacional - o prédio, as pinturas de Eliseu Visconti, Modesto Brocos, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo, as esculturas de Correia Lima e Rodolfo Bernardelli, e principalmente as estantes cheias de livros causavam em José um grande enlevo - José podia satisfazer o seu vício, a leitura, que então já era incurável e do qual nunca conseguiu se livrar, tendo se tornado ainda mais exacerbado com a idade. [...]
«Todos os dias José passava uma parte do seu tempo lendo na Biblioteca, e mesmo ao entrar para o curso ginasial, quando trabalhava durante o dia e estudava à noite, conseguia arranjar tempo para ir lá. Nas ocasiões em que tinha muita pressa, para voltar ao trabalho ou ao colégio, que também ficava no centro da cidade, ele preenchia rapidamente uma ficha de pedido de livro, sentava-se numa das cadeiras marrons do imenso e acolhedor salão de leitura, e enquanto aguardava o livro, que era entregue por um funcionário, entretinha-se a olhar as fileiras de estantes sobrepostas até o teto, que na época podiam ser vistas do salão, e sentia como era bom viver. Ficar, por menor que fosse o tempo, no meio daquela infinidade de livros do mundo inteiro era, para José, como estar no paraíso.»
Rubem Fonseca - José. Porto: Sextante, 2012, p. 40, 42.
terça-feira, 6 de junho de 2023
quarta-feira, 10 de junho de 2020
terça-feira, 21 de abril de 2020
Marcadores de livros - 1606
Foi o único marcador de livros de Rubem Fonseca que encontrei. Do último livro publicado em Portugal:
Lisboa: Sextante, 2019
Para Miss Tolstoi.
sábado, 18 de abril de 2020
Leituras na quarentena - 23
As leituras de Miss Tolstoi:
«Acabei de ler "O selvagem da ópera" sobre António Carlos Gomes, compositor brasileiro, autor de "O Guarani". Gostei muito.»
Lisboa: Sextante, 2018
Porto: Civilização, 2010
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Rubem Fonseca (1925-2020)
«O homem é um animal solitário, um animal infeliz, só a morte pode consertar a gente.»
Rubem Fonseca
Lisboa: Dom Quixote, 1991
Gosto muito da escrita deste autor brasileiro que nos deixou ontem. Agosto foi o primeiro livro que li dele e aquele que mais me marcou, talvez porque o tema me interessa: a morte de Getúlio Vargas.
Um escritor que merece ser lido.
Agosto deu uma série de tv, de que pode ver aqui o primeiro episódio; os outros estão disponíveis no Youtube.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Citações
Crio com a esperança de que a narrativa jamais me deixe, esteja em todas as partes. Como companheira de jornada, irradie os caprichos humanos, os interstícios do mistério, frequente os pontos cardiais da minha existência.
Escrevo porque o verbo provoca-me desassossego , afia os mil instrumentos da vida.
E porque, para narrar, dependo da minha crença na mortalidade. Na fé de que um enredo provoca pranto. Sobretudo quando, em meio à exaltação narrativa, menciona amores contrariados, despedidas pungentes, sentimentos ambíguos, destituídos de lógica.
Escrevo, então, para ganhar um salvo-conduto com que circular pelo labirinto humano.
- Nélida Piñon, Uma Furtiva Lágrima, Temas e Debates, à venda este mês.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Marcadores de livros - 476
Sou fã das crónicas de Luís Fernando Veríssimo, de modo que estes dois livros, acabados de publicar, vão ser das minhas próximas leituras.
«Quantas vezes você mente por dia? Calma, não precisa responder agora. Também não é sempre que você diz uma mentira, só de vez em quando. Na verdade, quando você mente, é porque precisa. Para proteger o outro — e, de preferência, a outra. Foi assim com a mãe, a namorada, a mulher, a sogra. Tudo pelo bom convívio social, pela harmonia dentro de casa, para uma noite mais agradável com os amigos. Você só mente, no fundo, para poupar as pessoas e, sobretudo, para o bem das mulheres.
Luis Fernando Verissimo, este observador bem-humorado do quotidiano brasileiro, reúne em As mentiras que os homens contam um repertório divertido de histórias assim - tão indispensáveis que, de repente, se tornam até verdades. Depende de quem ouve. Depende de quem conta.»
«Tudo começa com a mãe, com o «Olha o aviãozinho!» à mesa do almoço. É a mentira inaugural, que se vai desdobrando noutras ao longo da vida. Mas calma lá. Nem sempre a ideia é disfarçar um caso ou ocultar um segredo. Por vezes são apenas eufemismos, ambiguidades, desculpas educadas - tudo com o objetivo um pouco mais nobre de preservar a harmonia social.
Nas histórias de As mentiras que os mulheres contam aparecem, por exemplo, a senhora que se tenta enganar a si mesma fazendo uma plástica atrás da outra e a moça que mente na idade - para mais! - apenas para ouvir que ainda está nova. Há dramas, comédias, tragicomédias - e até histórias que terminam em tragédia. Mas tudo permeado pelo humor irresistível de Verissimo.»
(Sinopses retiradas da Wook.)
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Leituras no Metro - 249
Lisboa: Tinta da China, 2016
Meio intelectual, meio de esquerda reúne cerca de 80 crónicas de António Prata, um brasileiro nascido em 1977 que escreve na Folha de São Paulo, mas já foi cronista de O Estado de S. Paulo e da revista Capricho.
Estou a devorar estas crónicas, sempre divertidas. Um livro que não estava nos meus planos de leitura.
«Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso frequento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinquenta anos. […] No bar ruim que ando frequentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.» (in «Bar ruim é lindo, bicho», p. 41).
«Estou feliz e satisfeito. Se não tivesse que revisa esta crónica, até abriria uma cerveja: acabei de eliminar o último montinho da casa, o maior que me acompanhava há mais de um ano. Não sei se você, disciplinado leitor, também sofre desse mal - o montinho -, mas a minha vida é uma inútil e etern guerra contra eles.» (in «Caos e celulose», p. 71).
Eu sofro. E tenho passado uns dias de férias a lutar contra eles. São uns dos grandes infernos da minha vida: os montinhos.
«É inegável a simpatia da bicicleta. [...] Se Cervantes escrevesse hoje, Rocinente não seria pele e osso, mas quadro, guidão e pneus.» (in «Bicicleta!», p. 77).
«Estou feliz e satisfeito. Se não tivesse que revisa esta crónica, até abriria uma cerveja: acabei de eliminar o último montinho da casa, o maior que me acompanhava há mais de um ano. Não sei se você, disciplinado leitor, também sofre desse mal - o montinho -, mas a minha vida é uma inútil e etern guerra contra eles.» (in «Caos e celulose», p. 71).
Eu sofro. E tenho passado uns dias de férias a lutar contra eles. São uns dos grandes infernos da minha vida: os montinhos.
«É inegável a simpatia da bicicleta. [...] Se Cervantes escrevesse hoje, Rocinente não seria pele e osso, mas quadro, guidão e pneus.» (in «Bicicleta!», p. 77).
BALADA DAS MENINAS DE BICICLETA
Meninas de bicicleta
Que fagueiras pedalais
Quero ser vosso poeta!
Ó transitórias estátuas
Esfuziantes de azul
Louras com peles mulatas
Princesas da zona sul:
As vossas jovens figuras
Retesadas nos selins
Me prendem, com serem puras
Em redondilhas afins.
Que lindas são vossas quilhas
Quando as praias abordais!
E as nervosas panturrilhas
Na rotação dos pedais:
Que douradas maravilhas!
Bicicletai, meninada
Aos ventos do Arpoador
Solta a flâmula agitada
Das cabeleiras em flor
Uma correndo à gandaia
Outra com jeito de séria
Mostrando as pernas sem saia
Feitas da mesma matéria.
Permanecei! vós que sois
O que o mundo não tem mais
Juventude de maiôs
Sobre máquinas da paz
Enxames de namoradas
Ao sol de Copacabana
Centauresas transpiradas
Que o leque do mar abana!
A vós o canto que inflama
Os meus trint'anos, meninas
Velozes massas em chama
Explodindo em vitaminas.
Bem haja a vossa saúde
À humanidade inquieta
Vós cuja ardente virtude
Preservais muito amiúde
Com um selim de bicicleta
Vós que levais tantas raças
Nos corpos firmes e crus:
Meninas, soltai as alças
Bicicletai seios nus!
No vosso rastro persiste
O mesmo eterno poeta
Um poeta - essa coisa triste
Escravizada à beleza
Que em vosso rastro persiste,
Levando a sua tristeza
No quadro da bicicleta.
Rio de Janeiro, 1946
Vinicius de Moraes
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Vinicius de Moraes (1913 -1980)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Leituras no Metro - 234
Lisboa: Companhia das Letras, 2015
Um livro que eu queria ler e que foi um presente de Natal. Comecei a lê-lo ontem e quase que o acabei.
«E era nos livros que eu me escorava, desde muito pequeno [...]. E quando não havia ninguém por perto, eu passava horas a andar de lad rente às estantes, sentia certo prazer em roçar a espinha de livro em livro. Também gostava de esfregar as bochechas nas lombadas de couro de uma coleção que, mais tarde, quando já me batiam no peito, identifiquei como os Sermões do padre António Vieira. E, numa estante acima dos Sermões, li aos quatro anos a minha primeira palavra: GOGOL.»
Havia muitas baratas em casa, devido aos livros: «Mamãe também estava familiarizada com as baratas, quando casou sabia bem o que a esperava. Não fosse uma mulher valente, teria dado meia-volta ao entrar pela primeira vez na casa do meu pai. Calculo que então, aos trinta e tantos anos, meu pai já tivesse quase a metade dos livros que juntou na vida. E, antes da minha mãe, imagino que essa livralhada, além de empilhada no escritório, atulhasse os dois quartos vagos dos futuros filhos, em forma de escombros de pirâmides astecas. Mamãe tratou logo de erguer estantes pelas paredes de sobrado, e ao engravidar decorou o quarto do bebê com livros de linguística e arqueologia, além da mapoteca, dos espanhóis e dos chineses. Para o meu quarto, dois anos mais tarde, reservou os escandinavos, a Bíblia, a Torá, o Corão e metros e metros de dicionários e enciclopédias. [...] Só em livros raros [meu pai] gastou metade da herança, ao vender a tipografia que meu avô Arnau de Hollander possuía no Rio de Janeiro. O suprassumo da biblioteca eram onze volumes hospedados num nicho da sala de visitas, como que um altar no centro da estante com espessas molduras de jacarandá que os segregavam dos livros por assim dizer plebeus. Essas raridades já foram doze, mas uma primeira edição de Hans Staden do século XVI fiz o favor de inutilizar. Foi num dia em que meu irmão me disse que, quando nasci, meu pai me tomou por um mongoloide. Eu nem sabia o que era mongoloide, foi a gargalhada do meu irmão que me acertou. Arrastei uma cadeira, alcancei o nicho e catei o livro que me pareceu mais sagrado, por causa das letras de ouro na capa dura. Espicacei página por página, depois ainda mijei em cima. A capa não consegui rasgar, e já tocava fogo nela quando mamãe chegou e meu deu um tapa na cara qu nem doeu. Mas quando meu pai desceu as escadas com o chinelo na mão, me caguei todo e mijei o que não tinha para mijar.» (p. 15-17)

Retrato de Hans Staden feito por
H. J. Winkelmann, em 1664

Página de História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens (Marburgo, 1557)
sábado, 1 de novembro de 2014
Getúlio Vargas
Estou com vontade de ver este filme. Veremos se será hoje.
O pouco que sei sobre Getúlio Vargas li-o numa biografia sobre Luís Carlos Prestes e noutra sobre Olga Benário, mulher deste. Deixou-me péssima impressão.
Há uns anos li Agosto de Rubem Fonseca, livro que retrata de forma romanceada o período representado (ao que me parece) neste filme: os últimos dias de Getúlio Vargas.
Gostei imenso deste livro, aliás sou grande fã de Ruben Fonseca. Li-o numa edição da Dom Quixote.
Teixeirinha escreveu esta canção alusiva ao suicídio de Getúlio, ocorrido a 24 de agosto de 1954.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Citações : Ainda Ubaldo Ribeiro
(...) Quando podia, o autor de A Casa dos Budas Ditosos cá vinha à pátria. Sempre com muitas histórias, em geral divertidíssimas, ninguém que as ouviu as poderá esquecer, e às suas gargalhadas. Mas também lhe podia dar, já se viu, para a melancolia. Uma vez ficou, sozinho, num hotel da Rua Castilho, e passei lá a buscá-lo, no fim do jantar. Estava ainda à mesa, com um vinhinho à frente. O Carlos Villaret tocava no piano melodias antigas e o João, reparei, em silêncio chorava, chorava, chorava. " Lembrou-me o meu velho avô português ... "
- José Carlos de Vasconcelos, na Visão .
sábado, 19 de julho de 2014
João Ubaldo Ribeiro (1941-2014)
João Ubaldo Ribeiro, jornalista e escritor, faleceu ontem no Rio de Janeiro. É autor de um dos melhores livros de literatura brasileira qe li: Viva o povo brasileiro (1984), que abre com a seguinte frase: «O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias.»
O primeiro livro que li de J.U.R. foi O sorriso do lagarto (1989) e o último A casa dos budas ditosos (1999). A comicidade é uma das características da obra deste autor e ela está bem patente nesta última obra que referi.
Também crónicas dele em O Jornal, onde colaborou.
Foi Prémio Camões em 2008.
Lsboa: Dom Quixote, 2000
Lisboa: Caminho, 1992
Lisboa: Dom Quixote, 1999
«Não se lê porque não se gosta de ler, porque dá trabalho. Ler é chato porque a pessoa não aprendeu a ler. Ela aprendeu a ficar na frente da TV onde tudo é fornecido.»
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