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domingo, 5 de maio de 2024

Marcadores de livros - 3015

No Dia Mundial da Língua Portuguesa, escolhi marcadores de livros de una escritora portuguesa nascida em Angola, de três escritores brasileiros e de um jornalista angolano - todos editados pela Tinta da China. 
Para o ano haverá outros e de outros países de língua portuguesa.

Dulce Maria Cardoso.

Em cima, João Guimarães Rosa; em baixo, Machado de Assis.

Ruy Castro. Outro marcador aqui.



quinta-feira, 29 de setembro de 2022

terça-feira, 22 de março de 2022

Marcadores de livros - 2154

 

O GIRASSOL 

Sempre que o sol
Pinta de anil 
Todo o céu 
O girassol 
Fica um gentil 
Carrossel. 

O girassol é o carrossel das abelhas. 

Pretas e vermelhas 
Ali ficam elas 
Brincando, fedelhas 
Nas pétalas amarelas. 

- Vamos brincar de carrossel, pessoal? 

- «Roda, roda, carrossel 
Roda, roda, rodador 
Vai rodando, dando mel 
Vai rodando, dando flor.»

- Marimbondo não pode ir que é bicho mau!
- Besouro é muito pesado! 
- Borboleta tem que fingir de borboleta na entrada! 
- Dona Cigarra fica tocando seu realejo! 

- «Roda, roda, carrossel 
Gira, gira, girassol 
Redondinho como o céu 
Marelinho como o sol.»

E o girassol vai girando dia afora... 

O girassol é o carrossel das abelhas.

Rio de Janeiro, 1970 
Vinicius de Morais

Para o Luís.

sábado, 6 de julho de 2019

Boa noite!

Há pouco, quando cheguei a casa, soube da morte de João Gilberto. Que tristeza! Era um dos meus músicos preferidos brasileiros. O outro é Chico Buarque.



sábado, 29 de dezembro de 2018

Miúcha



Agora tocam os três juntos novamente.
Adeus , querida Miúcha  ( Heloísa Maria Buarque de Holanda, 1937- 2018 ) . RIP

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Leituras no Metro - 249

Lisboa: Tinta da China, 2016

Meio intelectual, meio de esquerda reúne cerca de 80 crónicas de António Prata, um brasileiro nascido em 1977 que escreve na Folha de São Paulo, mas já foi cronista de O Estado de S. Paulo e da revista Capricho.
Estou a devorar estas crónicas, sempre divertidas. Um livro que não estava nos meus planos de leitura.

«Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso frequento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinquenta anos. […] No bar ruim que ando frequentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.» (in «Bar ruim é lindo, bicho», p. 41).

«Estou feliz e satisfeito. Se não tivesse que revisa esta crónica, até abriria uma cerveja: acabei de eliminar o último montinho da casa, o maior que me acompanhava há mais de um ano. Não sei se você, disciplinado leitor, também sofre desse mal - o montinho -, mas a minha vida é uma inútil e etern guerra contra eles.» (in «Caos e celulose», p. 71).
Eu sofro. E tenho passado uns dias de férias a lutar contra eles. São uns dos grandes infernos da minha vida: os montinhos.

«É inegável a simpatia da bicicleta. [...] Se Cervantes escrevesse hoje, Rocinente não seria pele e osso, mas quadro, guidão e pneus.» (in «Bicicleta!», p. 77).





BALADA DAS MENINAS DE BICICLETA

Meninas de bicicleta
Que fagueiras pedalais
Quero ser vosso poeta!
Ó transitórias estátuas
Esfuziantes de azul
Louras com peles mulatas
Princesas da zona sul:
As vossas jovens figuras
Retesadas nos selins
Me prendem, com serem puras
Em redondilhas afins.
Que lindas são vossas quilhas
Quando as praias abordais!
E as nervosas panturrilhas
Na rotação dos pedais:
Que douradas maravilhas!
Bicicletai, meninada
Aos ventos do Arpoador
Solta a flâmula agitada
Das cabeleiras em flor
Uma correndo à gandaia
Outra com jeito de séria
Mostrando as pernas sem saia
Feitas da mesma matéria.
Permanecei! vós que sois
O que o mundo não tem mais
Juventude de maiôs
Sobre máquinas da paz
Enxames de namoradas
Ao sol de Copacabana
Centauresas transpiradas
Que o leque do mar abana!
A vós o canto que inflama
Os meus trint'anos, meninas
Velozes massas em chama
Explodindo em vitaminas.
Bem haja a vossa saúde
À humanidade inquieta
Vós cuja ardente virtude
Preservais muito amiúde
Com um selim de bicicleta
Vós que levais tantas raças
Nos corpos firmes e crus:
Meninas, soltai as alças
Bicicletai seios nus!
No vosso rastro persiste
O mesmo eterno poeta
Um poeta - essa coisa triste
Escravizada à beleza
Que em vosso rastro persiste,
Levando a sua tristeza
No quadro da bicicleta.

Rio de Janeiro, 1946
Vinicius de Moraes

terça-feira, 8 de julho de 2014

Boa noite!

No domingo num programa de candidatos a cançonetistas, apareceu um rapaz a cantar «Eu sei que vou te amar», como sendo uma canção de Caetano Veloso. A produção do programa devia ter cuidado com estas atribuições, mesmo que Caetano Veloso a cante, como dezenas de outros cantores brasileiros. A canção é da autoria de Tom Jobim e de Vinicius de Morais.
Para mim, ninguém a canta como Maysa Matarazzo e a seguir João Gilberto.



sexta-feira, 23 de maio de 2014

sábado, 15 de março de 2014

Parabéns, Luís

Parabéns, Luís!
Um dia muito feliz.



Sempre que o sol 
Pinta de anil 
Todo o céu 
O girassol 
Fica um gentil 
Carrossel
(...)

Vinicius de Moraes

sábado, 2 de março de 2013

Paris: boulevard Saint-Michel

Esta é a única que não fica no bd Saint-Michel, mas na esquina com uma rua de que não recordo o nome.
A PORTA

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa…)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!
assinaturaVinicius 1

Umas portas, para a Isabel.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Boa noite!

No seguimento do post de MLV.

Garota de Ipanema

Esta semana a canção Garota de Ipanema fez 50 anos. A musa inspiradora foi Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, que na tarde de 2 de Agosto de 1962 inspirou a dupla Tom Jobim/Vinicius de Moraes, quando caminhava para o mar.
Muitas raparigas terão desejado o título da Garota, e até garantindo que eram a verdadeira inspiração para a música até 1965, quando esta ficou pronta e Vinicius revelou o nome da rapariga mistério.
Heloísa, ou melhor, Helô, como ficou mais conhecida, teve de início alguns dissabores com a fama inesperada, tendo que abreviar o seu casamento para acalmar os ciúmes do namorado, beneficiando depois de um percurso profissional com passagem pela publicidade e televisão, foi actriz e criou uma marca de roupa com o nome da canção. Actualmente com 67 anos, confessou, entre outras coisas, que Tom Jobim a pediu várias vezes em casamento. Ficaram apenas bons amigos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Não comerei da alface a verde pétala...

Édouard Vuillard (1868-1940) - Nature morte à la salade, 1887-1888
Paris, musée d’Orsay

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro; dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.
 
Vinicius de Morais
 
Para Miss Tolstoi que referiu este quadro em exposição na Gulbenkian.