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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Boa noite!

Leituras no Metro - 234

Lisboa: Companhia das Letras, 2015

Um livro que eu queria ler e que foi um presente de Natal. Comecei a lê-lo ontem e quase que o acabei.

«E era nos livros que eu me escorava, desde muito pequeno [...]. E quando não havia ninguém por perto, eu passava horas a andar de lad rente às estantes, sentia certo prazer em roçar a espinha de livro em livro. Também gostava de esfregar as bochechas nas lombadas de couro de uma coleção que, mais tarde, quando já me batiam no peito, identifiquei como os Sermões do padre António Vieira. E, numa estante acima dos Sermões, li aos quatro anos a minha primeira palavra: GOGOL.»
Havia muitas baratas em casa, devido aos livros: «Mamãe também estava familiarizada com as baratas, quando casou sabia bem o que a esperava. Não fosse uma mulher valente, teria dado meia-volta ao entrar pela primeira vez na casa do meu pai. Calculo que então, aos trinta e tantos anos, meu pai já tivesse quase a metade dos livros que juntou na vida. E, antes da minha mãe, imagino que essa livralhada, além de empilhada no escritório, atulhasse os dois quartos vagos dos futuros filhos, em forma de escombros de pirâmides astecas. Mamãe tratou logo de erguer estantes pelas paredes de sobrado, e ao engravidar decorou o quarto do bebê com livros de linguística e arqueologia, além da mapoteca, dos espanhóis e dos chineses. Para o meu quarto, dois anos mais tarde, reservou os escandinavos, a Bíblia, a Torá, o Corão e metros e metros de dicionários e enciclopédias. [...] Só em livros raros [meu pai] gastou metade da herança, ao vender a tipografia que meu avô Arnau de Hollander possuía no Rio de Janeiro. O suprassumo da biblioteca eram onze volumes hospedados num nicho da sala de visitas, como que um altar no centro da estante com espessas molduras de jacarandá que os segregavam dos livros por assim dizer plebeus. Essas raridades já foram doze, mas uma primeira edição de Hans Staden do século XVI fiz o favor de inutilizar. Foi num dia em que meu irmão me disse que, quando nasci, meu pai me tomou por um mongoloide. Eu nem sabia o que era mongoloide, foi a gargalhada do meu irmão que me acertou. Arrastei uma cadeira, alcancei o nicho e catei o livro que me pareceu mais sagrado, por causa das letras de ouro na capa dura. Espicacei página por página, depois ainda mijei em cima. A capa não consegui rasgar, e já tocava fogo nela quando mamãe chegou e meu deu um tapa na cara qu nem doeu. Mas quando meu pai desceu as escadas com o chinelo na mão, me caguei todo e mijei o que não tinha para mijar.» (p. 15-17)

Retrato de Hans Staden feito por H. J. Winkelmann, em 1664
Página de História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens (Marburgo, 1557)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

sábado, 25 de maio de 2013

Bom dia !



Thaís Gulin, 33 anos, namorada de Chico Buarque mas cantora por direito próprio. Está em digressão europeia.

Ana : Ela hoje canta em Coimbra, no Salão Brazil.

sábado, 23 de junho de 2012

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cinenovidades - 170 : Budapeste



Este filme de Walter Carvalho, que adapta o romance homónimo de Chico Buarque, teve ontem estreia nas nossas salas. É uma produção luso-brasileira-húngara, por isso não se admirem quando também virem Nicolau Breyner e Ivo Canelas no ecrã.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Boa noite!


Uns amigos brasileiros enviaram-me hoje um CD de Duetos, de Chico Buarque. Apesar de o disco ser de 2002, não o conhecia.
Aqui fica este Seu Chopin, desculpe, um dueto com Johnny Alf, para o Jad que ontem colocou um Prelúdio do músico polaco.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sul - Nuno Júdice!

Teatro grego, fotografia tirada da Acrópole de Atenas
SUL

Tudo, ali, é simples e complexo: a luz,
a solidão, o olhar que se comove com o cair
da noite e com o nascer do dia; e, até,
os risos de mulheres que se ouvem desde longe,
trazidos pelo ar cuja transparência se sente
na própria respiração. No entanto, debruço-me
da varanda e dou por que algo se oculta,
para além dos muros e dos quintais, e chama
por mim sem que eu possa responder. Então,
volto para dentro; preparo o café; e
enquanto a água ferve o mistério desaparece,
inútil e excessivo, no início da tarde.

Nuno Júdice, As Regras da Perspectiva, Lisboa: Quetzal, 1990 p.16.

Chico Buarque, Mulheres de Atenas

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Em português - 3

É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio.

A bela Viver do Amor, da Ópera do Malandro de Chico Buarque. Aqui pela voz de Andréa Pinheiro.