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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Boa noite!

«O Cercado» - Poema de Ana Paula Tavares, Prémio Camões 2025. Isabella Bretz e Rodrigo Lana, voz e piano.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Boa noite!

Marília Gabriela lê «Com licença poética», de Adélia Prado que recebeu ontem o Prémio Camões.

sábado, 1 de julho de 2023

O «Tesouro dos remédios da alma» - 53


Eliseu Visconti - Instrução (Solidariedade Humana), 1910
Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional

«Na Biblioteca Nacional - o prédio, as pinturas de Eliseu Visconti, Modesto Brocos, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo, as esculturas de Correia Lima e Rodolfo Bernardelli, e principalmente as estantes cheias de livros causavam em José um grande enlevo - José podia satisfazer o seu vício, a leitura, que então já era incurável e do qual nunca conseguiu se livrar, tendo se tornado ainda mais exacerbado com a idade. [...]
«Todos os dias José passava uma parte do seu tempo lendo na Biblioteca, e mesmo ao entrar para o curso ginasial, quando trabalhava durante o dia e estudava à noite, conseguia arranjar tempo para ir lá. Nas ocasiões em que tinha muita pressa, para voltar ao trabalho ou ao colégio, que também ficava no centro da cidade, ele preenchia rapidamente uma ficha de pedido de livro, sentava-se numa das cadeiras marrons do imenso e acolhedor salão de leitura, e enquanto aguardava o livro, que era entregue por um funcionário, entretinha-se a olhar as fileiras de estantes sobrepostas até o teto, que na época podiam ser vistas do salão, e sentia como era bom viver. Ficar, por menor que fosse o tempo, no meio daquela infinidade de livros do mundo inteiro era, para José, como estar no paraíso.»
Rubem Fonseca - José. Porto: Sextante, 2012, p. 40, 42.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Rubem Fonseca (1925-2020)


«O homem é um animal solitário, um animal infeliz, só a morte pode consertar a gente.»
Rubem Fonseca

Lisboa: Dom Quixote, 1991

Gosto muito da escrita deste autor brasileiro que nos deixou ontem. Agosto foi o primeiro livro que li dele e aquele que mais me marcou, talvez porque o tema me interessa: a morte de Getúlio Vargas.
Um escritor que merece ser lido.


Agosto deu uma série de tv, de que pode ver aqui o primeiro episódio;  os outros estão disponíveis no Youtube.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Parabéns, Chico!


Foi através desta peça que o TUCSP trouxe ao Teatro Avenida que conheci Chico Buarque e li de seguida a peça de teatro de João Cabral de Melo Neto. O poema musicado por Chico Buarque «Funeral de um lavrador» ficou-me na memória.
A seguir veio A Banda:

terça-feira, 22 de maio de 2018

Parabéns, Germano Almeida!


Gosto imenso da escrita de Germano Almeida, este ano vencedor do Prémio Camões. O júri «Deliberou conceder por unanimidade o Prémio Camões ao autor cabo-verdiano Germano Almeida pela riqueza de uma obra onde se equilibram a memória, o testemunho e a imaginação; a inventividade narrativa alia-se ao virtuosismo da ironia no exercício da liberdade, de ética e de crítica, conjugando a experiência insular e da diáspora cabo-verdiana. A obra atinge uma universalidade exemplar no respeito à plasticidade da língua portuguesa», como se lê na ata da reunião.

O filme de Francisco Manso baseado numa das primeiras obras de Germano Almeida, O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (1989).

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Parabéns, Manuel Alegre!



Esta nação nasceu como poema.
Teu canto e tu são nossa tromba de água
sílaba longa sílaba breve
são nosso fogo de santelmo e consoantes
nosso mapa tecido a azul e mágoa
salso argento lenho leve
haverá sempre em nós um nunca dantes
amar e mar e nunca ter senão
Babilónia Sião rios que vão.

Manuel Alegre

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Parabéns, Hélia Correia!


«Uma das razões que pesou na escolha do júri foi a sua polivalência em termos de géneros e de estilos. Hélia Correia escreve romance, novela, conto, teatro e poesia e os seus livros são muito diferentes uns dos outros. “Há escritores que escrevem sempre o mesmo livro. Hélia Correia, tendo o seu imaginário, tem livros bastante diferentes entre si”, explica Pedro Mexia. Importante foi também “o diálogo que a autora estabelece com as tradições: com a Antiguidade Clássica, sobretudo grega” e com “um imaginário que não é bem mágico, é telúrico, também de fadas e assombrações”, explica o crítico. “Há um lado também gótico na literatura dela e referências à literatura contemporânea, que vão desde uma personagem de José Saramago até aos livros da literatura inglesa, os vitorianos, as irmãs Brontë e aos pré-rafaelitas.”»
(Público, 17 jun. 2015)


Para mim, foi surpreendente.

sábado, 31 de maio de 2014

O Amor aos Sessenta


Isto que é o amor (como se o amor não fosse
esperar o relâmpago clarear o degredo):
ir-se por tempo abaixo como grama em colina,
preso a cada torrão de minuto e desejo.

Ser contigo, não sendo como as fases da lua, 
como os ciclos de chuva ou a alternância dos ventos, 
mas como numa rosa as pétalas fechadas, 
como os olhos e as pálpebras ou a sombra dos remos

contra o casco do barco que se vai, sem avanço
e sem pressa de ausência, entre o mito e o beijo.
Ser assim quase eterno como o sonho e a roda
que se fecha no espaço deste sol às estrelas

e amar-te, sabendo que a velhice descobre
a mais bela beleza no teu rosto de jovem.

Alberto da Costa e Silva
Prémio Camões 2014

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mia Couto

Parabéns para Mia Couto que foi agraciado com o prémio Camões 2013

TRISTEZA
A minha tristeza
não é a do lavrador sem terra.
A minha tristeza
é a do astrónomo cego.

Mia Couto in Tradutor de Chuvas, Caminho, 2011

sábado, 14 de maio de 2011

O Têpluquê

 
O Têpluquê e outras histórias. 2.ª ed. aumentada. Porto: Afrontamento, 1995
Il. de José de Guimarães.

 

O Têpluquê e outras histórias. [Outra ed.]. Lisboa: Assírio & Alvim, 2006
Il. de Bárbara Assis Pacheco.

http://www.casadaleitura.org/portalbeta/bo/portal.pl?pag=sol_la_fichaLivro&id=613

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A um Jovem Poeta, Manuel António Pina






A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.

Manuel António Pina, in Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança, daqui

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Arménio Vieira

Prémio Camões 2009


Lisboa: Caminho, 2001


Lisboa: Vega, 2004

Estes são os únicos livros de Arménio Vieira, escritor cabo-verdiano, galardoado com o Prémio Camões, disponíveis no mercado português. Espero que o prémio lhe divulgue a obra.


QUIPROQUÓ

Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto.

Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicídio de um poeta.

Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapatos
e sigo descalço e vou descoberto.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1384638

terça-feira, 22 de julho de 2008

António Lobo Antunes recebe Prémio Camões

O escritor António Lobo Antunes vai receber o Prémio Camões na próxima sexta-feira, dia 25, às 18h30, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos. O Prémio, o mais importante para autores de língua portuguesa, atribuído ao romancista em Março de 2007, pelo conjunto da sua obra, vai ser entregue no âmbito da Cimeira da CPLP pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e pelo Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Instituído em 1988, pelos governos de Portugal e do Brasil, o Prémio Camões é anualmente outorgado a autores cuja obra contribua para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.

O júri da 19ª edição do Prémio, constituído por Fernando J.B. Martinho e Maria de Fátima Marinho (Portugal), Letícia Malard e Domicio Proença Filho (Brasil), João Melo (Angola) e Francisco Noa (Moçambique), justificou, na altura, a distinção a Lobo Antunes pela "mestria em lidar com a língua portuguesa, aliada à mestria em descortinar os recessos mais inconfessáveis do ser humano, transformando-o num exemplo de autor lúcido e crítico da actualidade literária".

Recorde-se que toda a obra de António Lobo Antunes está editada na Dom Quixote que, este ano, publicará o seu novo romance – O Arquipélago da Insónia.