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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Leituras no Metro - 167

Há uns dias comprei este livro de Manuel António Pina, ilustrado por Joana Quental, numa daquelas vendas de livros no Metro. Li-o em duas viagens e já mudou de mãos.
Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2005
 

Basta imaginar

Basta imaginar
um pássaro para o aprisionar,
e depois imaginar o ar para o libertar
e imaginar asas para ele voar
e imaginar uma canção para ele cantar.

domingo, 1 de junho de 2014

Feira do Livro

Ler um livro adoça a mente.
Feira do Livro de Coimbra


Livro infantil de Manuel António Pina para o Dia Mundial da Criança.

Ilustrações de Pedro Proença

terça-feira, 25 de junho de 2013

Prémio para Agualusa


Foi com este A Rainha dos Estapafúrdios que José Eduardo Agualusa, que contou com as belas ilustrações da Danuta Wojciechowska, ganhou a primeira edição do Prémio Manuel António Pina, destinado a obras da literatura para a infância e juventude. É uma edição da D.Quixote.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

morte anunciada

Ainda em estado de choque para descrever o que esta morte anunciada, antes de um tempo plausível,  me fez sentir...
A minha homenagem:

«Resposta

Algo mais elementar que o espaço e o tempo,
e a escuridão luminosa do Areopagita,
uma hipótese ilegível, antes do pensamento,
uma sílaba só de uma palavra não dita,

sem sentido e sem finalidade, apenas uma ocasião,
como um olho único e cego que vê
do fundo da sepultura da razão,
vaste comme la nuit et comme la clarté.

Um sonho
de uma sombra de quê?»

Manuel António Pina, Os Livros. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 13.

Manuel António Pina

Passou-se um fim de tarde a falar nele.
É bom ser recordado!
Partiu para a sua Ilha de Orféu.



Amor como em CasaRegresso devagar ao teu 
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que 
não é nada comigo. Distraído percorro 
o caminho familiar da saudade, 
pequeninas coisas me prendem, 
uma tarde num café, um livro. Devagar 
te amo e às vezes depressa, 
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, 
regresso devagar a tua casa, 
compro um livro, entro no 
amor como em casa. 

Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

sábado, 10 de dezembro de 2011

"Resposta"



LIVRO PRIMEIRO


Resposta

Algo mais elementar que o espaço e o tempo,
e a escuridão luminosa do Areopagita,
uma hipótese ilegível, antes do pensamento,
uma sílaba só de uma palavra não dita,

sem sentido e sem finalidade, apenas uma ocasião,
como um olho único e cego que vê
do fundo da sepultura da razão,
vaste comme la nuit et comme la clarté.
Um sonho
de uma sombra de quê?


Manuel António Pina, Os Livros, Lisboa:Assírio & Alvim, 2003, p.13.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Poemas - 51

M., a última palavra

Entre restos de vida passada
refugiava-se o coração de cada um de nós no seu covil,
uma gota de sangue, pequeno vitral de reflexos coloridos,
na orelha de M., a pistola no chão perto da mão, ainda quente a pistola.

O que quer que tivesse acontecido
fora em sítios inacessíveis às notícias dos jornais
e aos flashes das máquinas fotográficas
voando agora como aves cegas à sua volta.

Um grande mutismo cobrira tudo
gelando os nossos passos e o que disséssemos
ainda antes do pronunciado;
percebia-se, de quem sempre quis ter a última palavra.

Não se percebia era a falta de uma explicação ou de um sinal
( ao menos um sinal justificar-se-ia dadas as circunstâncias),
apenas um botão do casaco mal abotoado,
provavelmente sugerindo alguma impaciência.

-Manuel António Pina ( 1943-)

Um inédito publicado no PÚBLICO de 9 de Abril de 2011.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Citações - 173 : Ainda Manuel António Pina

                                                ( Foto de Francisco Fortunato )

A poesia é feita e desfeita da volúvel matéria das palavras, dos seus murmúrios, dos seus sentidos, dos seus tantas vezes misteriosos propósitos. E das raízes das palavras no mundo onde desgarradamente se prende a solidão no mundo, do formidável poder das palavras não apenas de nomear mas de fazer o mundo.
Hoje sou menos ambicioso, já não escrevo poesia para mudar o mundo mas tão-só para evitar que o mundo me mude a mim. No entanto, como pode alguém proteger-se do mundo ( nem de uma constipação, quanto mais do mundo! ) atrás de uns livros de versos?

- Manuel António Pina, Fevereiro de 2006 em entrevista à VISÃO.

sábado, 14 de maio de 2011

O Têpluquê

 
O Têpluquê e outras histórias. 2.ª ed. aumentada. Porto: Afrontamento, 1995
Il. de José de Guimarães.

 

O Têpluquê e outras histórias. [Outra ed.]. Lisboa: Assírio & Alvim, 2006
Il. de Bárbara Assis Pacheco.

http://www.casadaleitura.org/portalbeta/bo/portal.pl?pag=sol_la_fichaLivro&id=613

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A um Jovem Poeta, Manuel António Pina






A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.

Manuel António Pina, in Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança, daqui

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Poemas - 6

As vozes

A infância vem
pé ante pé
sobe as escadas
e bate à porta.

-Quem é?
- É a mãe morta
- São coisas passadas
-Não é ninguém

Tantas vozes fora de nós!
E se somos nós quem está lá fora
e bate à porta? E se nos fomos embora?
E se ficamos sós?


Manuel António Pina, Poesia Reunida, Assírio&Alvim, 2001, p.244.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Poesia e Livros: Manuel António Pina.

Giuseppe Arcimboldo (1527 -1593), o Bibliotecário
“THE HOUSE OF LIFE”

Como Rossetti resgatando a dádiva de amor
verso a verso ao corrupto corpo
dee Elizabeth Eleanor, o escritor
é um ladrão de túmulos. E é um morto

dormindo um sonho alheio, o do livro,
que a si mesmo se sonha digerindo
sua carne e seu sangue e dirigindo
a sua mão e o seu livre arbítrio.

Quem construiu a sua casa? Quem semeou
a sua vida, quem a colherá?
Nem a sua morte lhe pertence, roubou-a
a outro e outro lha roubará.

Toma, come, leitor: este é o seu corpo,
a inabitada casa do livro,
também tu estás, como ele, morto,
e também não fazes sentido.

Manuel António Pina (1943), Os Livros in Poemário: Lisboa, Assírio & Alvim, 2009

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Amanhã Ezra Pound


No âmbito das conferências Asas sobre a América/Wings over America, Manuel António Pina falará amanhã sobre Ezra Pound.
Às 18h30 no Auditório da Fundação Luso-Americana ( Rua do Sacramento à Lapa, 21 )