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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Os filhos pintados pelos pais - 6

Hoje trago retratos que Élizabeth Vigée Le Brun pintou da sua filha Julie. Já aqui postei outro que pode ser visto aqui.

Madame Vigée Le Brun e a sua filha, 1786
Paris, Louvre
Autorretrato com a sua filha, 1789
Louvre
 Julie Le Brun, 1789
Bologne, Pinacothèque nationale
Retrato de Julie, 1792
Parma, Galeria Nacional
O banho, 1792
Col. particular
Julie Le Brun como Flora, 1799
St. Petersburg (Florida), Museum of Fine Arts 

Jeanne Julie Louise Le Brun, filha do pintor e marchand Jean-Baptiste-Pierre Le Brunet e da pintora Élisabeth Vigée Le Brun, foi também pintora.
Rompeu com os pais quando eles a quiseram casar com o pintor Pierre-Narcisse Guérin. Julie casou em São Petersburgo com Gaëtan-Bernard Nigris, em 1799, tendo-se divorciado oito anos mais tarde. Regressou a Paris em 1804, onde tentou sobreviver da sua pintura, tendo morrido na miséria.

domingo, 28 de junho de 2020

Leituras na pandemia - 36

Lisboa: Documenta, 2018

Há muito tempo que queria ler as memórias desta pintora que muito aprecio. Comecei agora pelo vol. 1 que se encontra traduzido em português. Esperemos que os vol. 2 e 3 também o venham a ser, senão terei de os ler em francês.
Por ser muito próxima de Maria Antonieta, de que pintou vários retratos, Élisabeth Vigée Le Brun fugiu de França após a prisão da família real, com a sua filha Julie. Entre 1789 e 1792, viveu em Itália, os anos tratados neste volume, que visitou de norte a sul. Em Roma, foi eleita para a Accademia di San Luca.

Élisabeth Vigée Le Brun - Julie Le Brun olhando-se ao espelho, 1787
Metropolitan Museum of Art

Este volume de memórias é escrito em forma de doze cartas à princesa Kurakin.
Maria Etelvina Santos, a tradutora e prefaciadora desta edição, afirma que «as páginas de Vigée Le Brun refletem um ponto de vista idêntico ao que encontramos nos textos de Rousseau, sobretudo nas Confessions ou Rêveries: o da sensibilidade que vive no olhar, o da subtileza e cadência da poesia, o da verdade de um ritmo musical ou dos múltiplos matizes da cor, o da convicção que se forma na audácia de quem se confessa sugestionável ou na intimidade visionária de quem cria. É sob esta luz que se desdobram os acontecimentos relatados pela autora. […] Memórias ou autobiografia, estamos perante um texto que se divide em dois grandes momentos (dos quais o primeiro se publica agora em tradução). Esta primeira parte, ou volume, consta das doze cartas à princesa Kurakin (relato da vida da autora, incluindo uma viagem à Flandres, as sessões de pintura com a rainha Maria Antonieta, os anos que antecederam a Revolução, até 1789, e a sua saída de Paris) e dos dez capítulos (correspondentes a cerca de dois anos e meio, entre 1789 e 1792) que relatam a fuga e o percurso através dos Alpes e a sua estada em Itália, até à partida para a Áustria, continuando o exílio que durou cerca de doze anos.»
Aguardemos pelos volumes seguintes.

Élisabeth Vigée Le Brun - Retrato de Natalia Kourakina, 1797
Utah Museum of Fine Arts