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quinta-feira, 23 de abril de 2009

O livro da minha vida 5.


A difícil escolha! Porque os livros da minha vida forma imensos, continuam imensos. Mas escolhi este para o Dia Mundial do Livro 2009


Foi o primeiro livro que li de Marguerite Yourcenar. E fiquei fascinado. E li-o uma, duas, vezes sem conta. Adriano passou a ser uma referência para “ homem de Estado”: um governante que era um filósofo, um condutor de impérios que era um homem do espírito, um chefe implacável para com a Judeia revoltada e para com os cônsules conspiradores, um amante da paz que rejeitou a guerra para bem governar os seus povos, (“Qualquer novo acréscimo do vasto organismo imperial parecia-me uma excrescência doentia, um cancro ou o edema de uma hidropisia que acabaria por nos causar a morte”) um Imperador todo poderoso que fez do amor um culto e de um amante um deus (“Este jogo misterioso que vai do amor de um corpo ao amor de uma pessoa pareceu-me suficiente belo para lhe consagrar uma parte da minha vida..”).
Nesta obra prima, editado pela primeira vez em 1951 e cuja primeira edição em português teve a tradução excepcional de Maria Lamas, está tudo o que um livro nos pode dar: o prazer da leitura, o deleite de uma escrita inigualável, a construção primorosa da narrativa, a caracterização lapidar das personagens, a recriação rigorosa de uma época, a profundidade do pensamento que lhe está subjacente.