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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Arrumando livros - 4

Esta coleção Contexto & Imagem foi das melhores coleções de literatura infantil que se editaram: bons autores, tradutores e ilustradores. Muitos dos contos apresentados não foram escritos para crianças ou jovens.
Faltam-me poucos números: tenho do 1 ao 18, 21, 23 e 26. Até ao n.º 18, foi editada num formato pequeno; depois num tamanho gigante que não aprecio, nem para ler, nem para arrumar.
Reproduzo as capas dos n.ºs 1, 4, 5 e 23 (este livro já tinha saído na col. com o n.º 9).

domingo, 2 de junho de 2013

"Nos museus de Roma"- Testemunho do Sonho

Bernini,O Hermafrodita, Villa Borghese, Roma


Estou a ler um livro de Marguerite Yourcenar: Testemunho do Sonho. Um livro que me transportou a Roma. Numa das suas passagens encontrei a bela escultura de Bernini, Hermafrodite. Cresceram as saudades de Roma, dos cheiros, da cor, do caótico transito e de um monumento em cada esquina. Roma é definitivamente a minha cidade europeia.

Nos museus de Roma, a noite enche as salas onde se encontram as obras-primas: A fúria de Adormecida, O Hermafrodita, A Vénus de Anadiómena, O Gladiador Moribundo, blocos de mármore submetidos às grandes leis gerais que regem o equilíbrio, o peso, a densidade, a dilatação e a contracção das pedras, ignorando para sempre que artistas mortos há milénios lhes modelaram a superfície à imagem de seres de outro reino.

Marguerite Yourcenar, Testemunho do Sonho. Lisboa: Editora Distri, 1971. (Tradução de Maria Filomena Duarte, 2ª edição) p.144.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Parabéns Prosimetron!




A eternidade é feita apenas de uma série
de instantes em que cada um é único.

Marguerite Yourcenar, Fogos, Lisboa: Relógio de Água, 1988, p.108

(Trad. Manuel Alberto)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Resposta

Dois livros que ofereci muito, a obra-prima de Yourcenar e uma das melhores obras do filosófo espanhol Fernando Savater. Não sei se todos os primos mais novos e filhos de amigos chegaram a ler o segundo ou tiraram dele proveito, mas gosto de imaginar que sim. Quanto ao primeiro, vários amigos a quem o ofereci ficaram também eles admiradores da primeira Imortal, pelo que foi uma aposta ganha.


Os " melhores livros que me ofereceram ", pergunta ambígua mas a que respondo com estes dois, que recebi no início da adolescência e que me marcaram profundamente. Um, que me fez chorar baba e ranho já agora, ensinou-me a respeitar a diferença; o outro despertou-me a curiosidade insaciável pelas civilizações passadas, pelos mundos perdidos, e o desejo de ver in loco o que ficou. Não foram os mais valiosos, nem os mais raros livros que me ofereceram, mas foram muito importantes.


P.S. - Isabel, replique o desafio no seu blogue. O gosto é meu.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Leituras

Ando a ler Fogos de Marguerite Yourcenar editado pela primeira vez em 1936. É uma recolha de poemas de amor em prosa. As persongens pertencem todas à Grécia Antiga, excepto Maria Madalena. O amor é visto através de diferentes personagens e pode assumir uma paixão doentia. A escritora descreveu no prefácio que o livro foi produto de uma crise passional. Começa assim: "Espero que este livro nunca venha a ser lido". Felizmente pode ser lido!



Erecteion, na Acrópole de Atenas, Grécia




Lembramo-nos dos sonhos; mas não recordamos os sonos. Apenas duas vezes penetrei nessas profundezas atravessadas de correntes onde os nossos sonhos são apenas o resto de realidades submersas.

Marguerite Yourcenar, Fogos, Lisboa: Relógio de Água, 1988, p. 40, (trad. Manuel Alberto)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rosso Fiorentino (1494-1540) - Anjo músico
Florença, Galeria dos Ofícios

«O amor é uma desordem.»
Marguerite Yourcenar - De olhos abertos

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Conversas com Yourcenar



Tenho muito respeito pelo acaso. Acredito nessa aceitação dos objectos que nos são dados, da vida que nos é dada e que é preciso agarrar.

Excerto de uma entre várias entrevistas que Marguerite Yourcenar deu a Matthieu Galey. Agora reunidas em "De Olhos Abertos".

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Arrumando fotografias - 3


«La villa était assez terminée pour que j'y pusse faire transporter mes collections, mes instruments de musique, les quelques milliers de livres achetés un peu partout au cour de mes voyages.» (Marguerite Yourcenar - Memórias de Adriano)

Biblioteca, Vila Adriana, 12 Set. 2008

«Un nouveau project m'occupa longtemps et n'a pas cessé de le faire: L'Odéon, bibliothèque modèle, pourvue de salles de cours et de conférences, qui serait à Rome un centre de culture grecque. J'y mis moins de splendeur que dans la nouvelle bibliothèque d'Éphèse, construite trois ou quatre ans plus tôt, moins d'élégance aimable que dans celle d'Athènes. Je compte faire de cette fondation l'émule, sinon l'égale, du Musée d'Alexandrie; son développement futur t'incombera. En y travaillant, je pense souvent à la belle inscription que Plotine avait fait placer sur le seuil de la bibliothèque établie pas ses soins en plein Forum de Trahan.» (Marguerite Yourcenar - Memórias de Adriano)

Cit. retiradas de Nicoletta Lanciano - Villa Adriana: entre ciel et terre. Roma: Apeiron, 2007

Para o Jad.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Arrumando fotografias - 2



«Hier, à la Villa, pensé aux milliers de vies silencieuses, furtives comme celles des bêtes, irréflechies comme celles des plantes, bohémiens du temps de Piranèse, pilleurs de ruines, mendiants, chevriers, paysans logés tant bien que mal dans un coin de décombres, qui se sont succédés ici entre Hadrien et nous.» (Marguerite Yourcenar - Carnets de notes de Mémoires d'Hadrien)



Canopo - «Nous sommes encombrés de statues, gorgés de délices peintes ou sculptées, mais cette abondance fait illusion; nous reproduisons inlassablement quelques douzaine de chefs-d'oeuvre que nous ne serions plus capables d'inventer. Moi aussi, j'ia fait copiere pour la Villa d'Hermaphrodite et le Centaure, la Niobide et la Vénus. J'ai tenu à vivre le plus possible au milieu de ces mélodies de formes.» (Marguerite Yourcenar - Memórias de Adriano)


Vila Adriana, 12 Set. 2008

Cit. retiradas de Nicoletta Lanciano - Villa Adriana: entre ciel et terre. Roma: Apeiron, 2007

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A nobreza da derrota - Marguerite Yourcenar

Oka-fu, A Sketch Book of
Sakura, cherry blossom, is the most famous flower of Japan. Its beauty has long been inspiring artists in Japan
Taizan-fuku

No século XX, os jovens kamikaze, pilotos dos aviões-suicidas, despedem-se assim poeticamente da vida, antes da sua partida sem regresso. Eis como fala em 1945 um piloto de vinte dois anos.
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Se ao menos pudéssemos cair
Como as flores da cerejeira,
Tão puras e luminosas...
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Marguerite Yourcenar, O Tempo esse grande Escultor, Lisboa: Difel, 2001, p.65

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Virtude!

O Palácio Nacional da Ajuda recebe-nos com esculturas simbólicas:
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1. O Anjo símbolo do "AMOR da VIRTUDE"

As Virtudes de Cada Um
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"Não desprezo os homens. Se o fizesse, não teria direito algum nem razão alguma para tentar governá-los. Sei que são vãos, ignorantes, ávidos, inquietos, capazes de quase tudo para triunfar, para se fazer valer, mesmo aos seus próprios olhos, ou simplesmente para evitar o sofrimento. Sei muito bem: sou como eles, pelo menos momentaneamente, ou poderia tê-lo sido. Entre outrem e eu, as diferenças que distingo são demasiado insignificantes para que a minha atitude se afaste tanto da fria superioridade do filósofo como da arrogância de César. Os mais opacos dos homens também têm os seus clarões: este assassino toca correctamente flauta; este contramestre que dilacera o dorso dos escravos com chicotadas é talvez um bom filho; este idiota partilharia comigo o seu último bocado de pão. Há poucos a quem não possa ensinar-se convenientemente alguma coisa. O nosso grande erro é querer encontrar em cada um, em especial, as virtudes que ele não tem e desinteressarmo-nos de cultivar as que ele possui. "
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Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, Povoa de Varzim: Editora Ulisseia, 1981

quarta-feira, 29 de julho de 2009

PENSAMENTO DO DIA

- Philippe Gontier, Marguerite Yourcenar em Boston, fotografia de 1981 quando Yourcenar foi a Harvard para receber o doutoramento honoris causa.


" l' irréversible commence à chaque coin de rue tourné "

Ainda há dias, num convívio prosimetrónico, o João Mattos e Silva falava sobre a escrita tantas vezes aforística de Marguerite Yourcenar, e de como várias vezes tem voltado a esta obra singular.
Posso dizer o mesmo, e hoje fiquei às voltas com esta frase da grande escritora e viajante. Confesso que não percebo as pessoas que não gostam de viajar, ou que pelo menos dizem não gostar de viajar. Conhecer a diversidade humana, dos templos à gastronomia, sempre me pareceu ser o melhor antídoto contra a xenofobia, o racismo e outros medos do outro.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O livro da minha vida 5.


A difícil escolha! Porque os livros da minha vida forma imensos, continuam imensos. Mas escolhi este para o Dia Mundial do Livro 2009


Foi o primeiro livro que li de Marguerite Yourcenar. E fiquei fascinado. E li-o uma, duas, vezes sem conta. Adriano passou a ser uma referência para “ homem de Estado”: um governante que era um filósofo, um condutor de impérios que era um homem do espírito, um chefe implacável para com a Judeia revoltada e para com os cônsules conspiradores, um amante da paz que rejeitou a guerra para bem governar os seus povos, (“Qualquer novo acréscimo do vasto organismo imperial parecia-me uma excrescência doentia, um cancro ou o edema de uma hidropisia que acabaria por nos causar a morte”) um Imperador todo poderoso que fez do amor um culto e de um amante um deus (“Este jogo misterioso que vai do amor de um corpo ao amor de uma pessoa pareceu-me suficiente belo para lhe consagrar uma parte da minha vida..”).
Nesta obra prima, editado pela primeira vez em 1951 e cuja primeira edição em português teve a tradução excepcional de Maria Lamas, está tudo o que um livro nos pode dar: o prazer da leitura, o deleite de uma escrita inigualável, a construção primorosa da narrativa, a caracterização lapidar das personagens, a recriação rigorosa de uma época, a profundidade do pensamento que lhe está subjacente.

domingo, 8 de junho de 2008

1903 - MARGUERITE YOURCENAR

Marguerite Cleenewerck de Crayencour nasceu no dia 8 de Junho de 1903, em Bruxelas, no seio de uma família aristocrática. Não chegou a conhecer a mãe, que morreu poucos dias depois do parto. Em contrapartida, teve uma relação muito próxima com o pai, Michel de Crayencour, que a educou ( ensinando-lhe latim aos oito anos e grego aos doze ) , e com quem viajou incansavelmente durante grande parte da sua infância, aprendendo italiano e inglês durante essas viagens.
Desenvolveu cedo o gosto pela escrita, tendo publicado o seu primeiro livro, O Jardim das Quimeras , aos 17 anos. Numa das suas viagens pela Itália, em 1924 , visita a Villa Adriana em Tivoli e começa a escrever o primeiro caderno de notas para o seu livro mais conhecido, Memórias de Adriano , publicado em 1951 .
Com o advento da Segunda Guerra Mundial, Marguerite Yourcenar ( é este o seu nome literário, sendo Yourcenar um anagrama imperfeito de Crayencour ) , mudou-se para os Estados Unidos, estabelecendo residência na Ilha dos Montes Desertos, ao largo da costa do Maine, tendo-se naturalizado cidadã americana em 1947. Nas décadas seguintes, a sua obra ( A Obra ao Negro, O Labirinto do Mundo, e vários volumes de novelas, contos, relatos de viagens e teatro ) traz-lhe fama mundial.
Em 1971 torna-se membro estrangeiro da Academia Belga de Língua e Literatura, e em 1980 torna-se a primeira mulher a ser admitida na Academia Francesa.
Marguerite Yourcenar morreu em 1987, em Bar Harbour, no seu amado Maine.