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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Leituras no Metro - 147

5.ª ed. Madrid: Espasa-Calpe, 1938

«22 de dezembro [de 1942]
«Leio há uns dias Del sentimiento trágico de la vida de Unamuno, feliz por compreender tão bem o original. Pela primeira vez leio este livro de uma tirada e integralmente. [...] É impressionante a coragem de Unamuno de [sic] colocar a questão da imortalidade, do irracional e do desespero. Tenho a impressão de que este livro antecipa toda a filosofia existencialista contemporânea.» 
Mircea Eliade – Diário português: [1941-1945]. Lisboa: Guerra e Paz, 2008, p. 93

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Leituras no Metro - 146

A Ana já trouxe aqui este livro de Mircea Eliade. Mas como estava para o ler, desde a sua publicação em 2008, e finalmente o estou a fazer, vou publicar uns excertos dele.

El Greco - A Ressurreição, ca 1596-1600
Madrid, Museu do Prado

«(Apontamentos tomados durante as oito sessões no Museu do Prado.)
«Não se pode compreender a Espanha da época de Dom Quixote, senão através de El Greco. A tensão espiritual; o paradoxo; o flirt com a loucura.» 

Goya  - La gallina ciega, 1788
Madrid, Museu do Prado

«[…] Goya. Agora, começo a gostar cada vez mais dos seus trabalhos para tapeçarias, do subsolo do museu. […] Goya introduz na pintura ‘as horas vagas’ da burguesia e dos pobres (jogos, diversões), costumes, trabalhos, acontecimentos periféricos (o casamento nos subúrbios). Goya traz igualmente um novo mundo de figuras humanas, mesmo antes dos Caprichos. Tudo isso tem de ser compreendido pela valorização da pessoa humana e dos trabalhos não-aristocráticos, realizada em finais do século XVIII (enciclopedistas, e sobretudo Diderot, esforçaram-se para homologar o trabalho manual à criação espiritual). Goya corresponde, assim, à Enciclopédia. Não sei se algum especialista reparou nisso.»

Gosto muito de Goya, mas parece-me que, no caso do quotidiano, Mircea Eliade esquece os flamengos que pintaram cenas de jogos e diversões, cenas de trabalho, bodas, etc., muito antes do pintor espanhol.

Pedro Nuñez de Villavicencio - Niños jugando a los dados, 1685 
Madrid, Museu do Prado

«Tenho de salientar, no entanto, que não foi Goya a introduzir a etnografia na pintura […]. Villavicencio (na segunda metade do século XVII) tem um quadro esplêndido: Muchachos jugando a los dados. É um assunto completamente ‘profano’ pertence ao ethnos, e não ao cosmos.
«Mas Goya generalizou-o e impôs essa revolução.»
Mircea Eliade – Diário português: [1941-1945]. Lisboa: Guerra e Paz, 2008, p. 81-83

Não conhecia este Villavicencio. Murillo também tem um quadro sobre o mesmo assunto, anterior ao de Villavicencio:

Murillo - Niños jugando a los dados, ca 1675-1680
Munique. Alte Pinakothek

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Em Belém

«Junho [1944]

Em Belém, ao levar  Stanca  para ver a Torre, entendi que o estilo manuelino é apenas uma  manifestação plástica da loucura, do delírio de  grandeza e das intoxicações de poder provocadas pelos descobrimentos marítimos. Pessoas que tinham conquistado continentes e tinham descoberto novas terras, perderam pura e simplesmente  a cabeça. Não há nada de demiúrgico: apenas a bebedeira de uma riqueza e  de um poder encontrados


Mircea Eliade, Diário Português [1941-1945]. Lisboa: Guerra e Paz, 2008, p.158.


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