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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A adoração dos Magos

Paolo Veronese - A adoração dos Magos, ca 1573-1574. 
Vicenza, Musei Civici, Chiesa di Santa Corona, Cappella di San Giuseppe.

sábado, 6 de setembro de 2025

Paolo Veronese no Prado

Cristo entre os doutores no Templo, ca 1550-1556. 
Madrid, Museo Nacional del Prado
A Conversão de Maria Madalena, ca 1548. 
London, The National Gallery

Esta exposição pode ser vista até 21 de setembro.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Leituras e arte

Goethe conta histórias da sua viagem a Itália no livro com este título. Lê-se com muito prazer e é em parte uma revisitação deste livro.

Paolo Veronese, A Família de Dario diante de Alexandre, 1565-67, 
National Gallery de Londres
Imagem retirada da WikipediaFile:The Family of Darius before Alexander by Paolo Veronese 1570.jpg

8 de Outubro

Fui visitar o palácio Pisani Moretta para ver uma preciosa pintura de Paolo Veronese. As mulheres da família de Dario ajoelham diante de Alexandre e Heféstion, a mãe, à frente, toma este último pelo rei, ele faz um gesto de recusa e aponta para a figura à sua direita. Conta-se uma história segundo a qual o pintor terá sido muito bem recebido e durante muito tempo tratado com todas as honras neste palácio,e como paga ele terá pintado o quadro em segredo, escondendo o rolo da tela debaixo da cama. A obra merece a origem especial que se lhe atribui, pois revela bem todo o valor do mestre.

Johann Wolfgang Goethe, Viagem a Itália, 1786-1788. ( Tradução, prefácio e notas de João Barrento) Lisboa: Bertrand Editora, 2016, p. 113. 
[A pedido do tradutor a obra não segue a grafia do novo acordo ortográfico].

sábado, 18 de maio de 2013

"O pormenor"

Paolo Veronese, As Bodas de Caná. 1562, Museu do Louvre. 
Fotografia retirada do livro: Paul Cézanne por Élie Faure seguido de O que Ele me Disse... por Joachim Gaschet. 
Lisboa: Sistema Solar, 2012. (Tradução de Aníbal Fernandes)* [p. 102]


Cá temos nós uma pintura. O pormenor, o conjunto, os volumes, os valores, a composição, a emoção, está tudo aqui... Oiça lá! É espantoso!... Nós o que somos?... Feche os olhos, aguarde, não pense em nada. Agora abra-os... Não é?... Não estamos só a ver uma grande ondulação colorida? Uma irisação, cores, uma riqueza de cores. É isto que um quadro deve começar por dar-nos, um calor harmonioso, um abismo onde o olhar penetre, uma surda germinação. Um estado de graça colorida. Todos estes tons nos correm no sangue, não é verdade? Sentimo-nos revigorados. Nascemos no mundo verdadeiro. Tornamo-nos nós próprios, tornamo-nos pintura.... Para se gostar deste quadro temos de começar a bebê-lo assim, a longos tragos. Perder a consciência.

Cézanne numa visita ao Museu do Louvre, in O que Ele me Disse... por Joachim Gaschet.p. 100-102.

Paul Cézanne, Natureza-Morta com Estatueta, 1894-95* [p.143]


Cézanne tinha paixão pelos pintores venezianos como Varonese** e Tintoretto, visitava-os no Louvre e bebia as suas cores. Olhando a Natureza-morta com Estatueta podemos ver as cores de Veronese. Aconselho a leitura do livro pois é apaixonante, é um ensaio de arte, revela as emoções do pintor, o homem que amava a natureza e as cores.
Termino com a seguinte afirmação de Cézanne:
- " Jurei a mim mesmo que vou morrer a pintar." [p. 143]*

** Nasceu em Verona mas viveu em Veneza.

Homenagem ao Museu do Louvre no Dia Internacional dos Museus.

domingo, 22 de março de 2009

Em volta de Pietà IV - Paolo Caliari Veronese

Paolo Caliari mais conhecido por Paolo Veronese por ter nascido em Verona (1528). Viveu em Veneza onde produziu as suas obras e onde acabaria por falecer a 19 de Abril de 1588. Pintor do Renascimento tardio foi considerado Maneirista pelas cores que utilizou e o dramatismo que conferiu às personagens retratadas.

Paolo Veronese, Pietà c. 1581, Óleo sobre tela, 147 x 111 cm

Esta Pietà encontra-se no Hermitage, St. Petersburg

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Museu do Prado - 1

Anselmo de Andrade, economista, condiscípulo de Antero e de Eça em Coimbra, foi director dos jornais O Correio da Noite e O Dia. Foi preceptor de D. Manuel II e era o ministro da Fazenda à data da proclamação da República.
Na dedicatória à mulher do seu livro Viagem na Espanha, escreveu : «Numas poucas de viagens pela Espanha cursámos juntos todas as suas terras. Nas cidades e nos ermos, nos passeios amenos e nas jornadas penosas, nas planícies risonhas e nas agruras das serranias, nos dias aprazíveis e nas horas enfadonhas, foste tu sempre a minha inseparável companheira.»
Por mim, gosto das cidades espanholas, já não direi o mesmo do campo.
Transcrevo desse livro umas impressões sobre o Museu do Prado, inaugurado em 19 de Novembro de 1819.


Veronese - Susana e os Velhos
Madrid, Museu do Prado

«Diz o viajante [Edmundo d']Amicis, no seu excelente livro sobre a Espanha, que o dia em que pela primeira vez se entra no museu de pintura em Madrid, fica sendo uma data histórica na vida de um homem. Para um italiano, que tem na sua pátria dois mundos como o Uffizi e o palácio Pitti, poder dizer isto, é necessário que o museu espanhol assombre realmente toda a gente. A primeira impressão é com efeito a do assombro. Entra-se e fica-se atónito. Anda-se depois ao acaso por aquelas vastas galerias todas cheias de telas. […]
«Um grande número de Ticianos, de Tintoretos, de Verenesos, de Raphaeis, de Sartos, de Corregios, de Guido Renis, de Dominiquinos e de muitos outros representam a Itália. Conhecem-se logo as pátrias e as épocas. Nas telas florentinas desenham-se os tipos musculosos, erectos, nobres, elegantes, de aptidões ginásticas, activos e finos. Nas venezianas pintam-se as formas arredondadas, as carnes brancas, os cabelos louros e as fisionomias sensuais e voluptuosas, tudo em meios exuberantemente coloridos. Principalmente Veroneso é deslumbrante em efeitos luminosos. É o rei da cor. Nem o fausto, nem a decoração, nem a luz, nem o aparato, nem o espectaculoso tiveram ainda melhor pintor. Um quadro de Veroneso é uma festa. […]

Veronese - Moisés salvo das águas, 1580
Madrid, Museu do Prado

«Ticiano, põe exemplo, que é o pintor do ideal antigo, pouco se preocupa […] com a expressão. Desenha com firmeza e cores vivas todas as suas figuras, enche-as de saúde e de serena alegria, mas deixa sempre nelas um notável vazio de sentimento e de paixões.»

Ticiano - Imperatriz Isabel de Portugal, 1548
Madrid, Museu do Prado

Anselmo de Andrade
In: Viagem na Espanha. Lisboa: Typ. Mattos Moreira, 1885, p. 35-36

domingo, 15 de junho de 2008

Crónicas de Itália - I

Peter GreenawayL’Ultima Cena di LeonardoTive o privilégio de poder assistir à representação – o termo é mesmo esse – de um dos últimos filmes de Peter Greenaway, em exibição no Pallazo Reale, em Milão: L’Ultima Cena di Leonardo.
A acção principal (?) da representação decorre numa das paredes de uma das salas do Palácio Real, onde se encontra projectado (como se fosse pintado, a ponto do observador desprevenido chamar uma réplica) o famoso mural de Leonardo da Vinci, em tamanho natural; a sala (onde se assiste à representação) é, por sua vez, uma réplica do refeitório de Santa Maria delle Grazie, em Milão, onde se pode observar o original. O centro da sala encontra-se ocupado, como se realmente de um refeitório se tratasse, por uma grande mesa, preparada para uma refeição, em que se recria, até ao mais ínfimo pormenor, a mesa representada no quadro (a única diferença é que aqui tudo é, aparentemente, branco).

Aos poucos a pintura começa a ganhar forma. As cores começam a ganhar vida. Na abóbada do refeitório (sala de espectáculo) é projectada e recriada uma janela que vai iluminando o espaço como se se tratasse das janelas que projectam a luz inarrável que ilumina toda a pintura. Cada um dos pormenores da pintura toma movimento. A mesa, objecto central da sala, vai igualmente materializando-se e transformando-se com os jogos de luzes. Em todas as paredes aparecem projectadas as sombras re/criadas pela projecção da aparente luz que entra no refeitório pela falsa janela. Na parede oposta aparece, igualmente com vida, a pintura de Montorfano, a magnifica Crucificação, que a pintura de Leonardo consegue ofuscar e fazer desaparecer (como acontece quando se visita o espaço original) porque aos poucos, na representação começa a ser substituída pela ceia.
Embora o desenrolar do filme decorra num espaço tridimensional – onde o olhar do observador é constantemente desviado –, a pintura mural de messer Leonardo consegue sempre reocupar o seu lugar e nunca deixar de ser a acção principal.
Não existem palavras que consigam descrever a beleza e a sensação única de se ter assistido a esta múltipla projecção/representação que será difícil de apresentar em vídeo ou numa sala de espectáculos.
Obrigado, Peter Greenaway! Aguardo poder ver o seu prometido olhar sobre: “As Meninas” de Velasquez (Museu do Prado); “Le nozze de Cana” de Veronese (Museu do Louvre); “Guernica” de Picasso (Museu Rainha Sofia). Até lá vamos vendo a “Ronda da Noite” de que o nosso Luís já tratou.



Obrigado M. que me acompanhaste nessa viagem.