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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Marcadores de livros - 3743


Ticiano - Diana e Actaeon, ca 1556-1569.
Galerias Nacionais da Escócia.

António Casalinho & Margarita Fernandes em Diana e Actaeon, música de Cesare Pugni (1802-1870).

Para o Jad.

quinta-feira, 22 de março de 2018

A arte do retrato - 238


O rei Carlos I de Inglaterra, um dos maiores coleccionadores de pintura de todos os tempos, tinha uma sala inteira dedicada a Ticiano, um dos maiores retratistas de sempre. Esta Santa Margarida, 198x167,5cm, idêntica ao do Prado, estava no palácio de Whitehall e após a decapitação do rei passou a um particular, acabando vendida a 1 de Fevereiro na Sotheby's de Nova Iorque .

sexta-feira, 25 de março de 2016

A Paixão

Atribuído a Vecellio Tiziano, Cristo Carregando a Cruz, 1506 e 1507

Tiziano_o_giorgione,_cristo_portacroce.jpg (1174×900)

A paixão é um dos mais tristes e mais belos episódios do Cristianismo.


O Papa Francisco voltou a surpreender com a mudança no Missal Romano do rito do lava-pés da Missa da Ceia do Senhor, onde passou a ser permitida a participação de mulheres. 



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Para Margarida Elias (uma leitora atenta)

"An Allegory of Prudence" / "Allegoria della Prudenza" /
Alegoria da Prudência (c. 1565–1570)
Ticiano(1490?-1576)
Óleo sobre tela, 76.2 x 68.6 cm
Londres, The National Gallery (Inv.: NG6376)

Um auto-retrato de Ticiano (a imagem de velho), do filho (Orazio) e de um jovem primo (Marco Vecelio).

As três idades do ser humano e a cabeça de animal que as simbolizam: o cão, o leão e o lobo.

O quadro tem inscrito o motto: EX PRAETERITO / PRAESENS PRVDENTER AGIT / NI FVTVRA(M) ACTIONE(M) DETVRPET ...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Hino ao Amor, Sagrado e Profano

No dia dos Namorados um quadro que foca os dois amores: o sagrado e o profano.

Erwin Panofsky divide a paisagem deste quadro de Ticiano em duas partes: "uma paisagem sombria com uma cidade fortificada e duas lebres ou coelhos (símbolos do amor e da fertilidade), e outra, mais rústica e menos luxuosa, mas mais luminosa, com um rebanho de ovelhas e uma igreja campestre."

xTizian Vecellio De Gregorio, O Amor Sagrado e o Amor Profano, 1514-1515

Óleo sobre tela, 118 x 279 cm, Galleria Borghese, Roma

Pormenor do quadro , Cúpido mais perto da figura terrena agita a água da fonte, amor neoplatónico
Amor profano, a paisagem é mais sombria e mostra uma cidade fortificada.

Segura na mão um vaso cheio de ouro e pedras preciosas
Amor sagrado, a paisagem é mais luminosa e mostra um campanário de uma igreja.

Segura na mão um vaso cheio de fogo, a chama que simboliza o amor a Deus.


Se olharmos para o quadro sem nos imbuírmos no espírito da época parece contraditório. A graça do quadro reside neste paradoxo. Estamos perante o humanismo renascentista, por isso, o amor sagrado é representado pela figura nua e a vestida pelo amor profano. Ticiano pintou de uma forma bela os dois tipos de amor.
Segundo Erwin Panofsky estas duas mulheres representam as "Vénus Gémeas" (ideia do filósofo renascentista Marcilio Ficino, 1433 - 1499) :

"A figura nua é a "Venere Celeste" que simboliza o princípio da beleza universal e eterna mas puramente inteligível. A outra é a "Venere Vogare", que simboliza a "força geradora" que cria as imagens transitórias, embora visíveis e tangíveis, da beleza terrena: os seres humanos e os animais, as flores e as árvores, o ouro e as pedras preciosas e as obras criadas pela arte ou a perícia.
O facto de Cupido estar colocado entre as duas Vénus, embora um pouco mais perto da terrestre ou natural e de agitar a água da fonte pode exprimir a crença neoplatónica de que o amor, um princípio de mistura cósmica, actua como intermediário entre o céu e a terra."

Erwin Paonofsky, Estudos de Iconologia, temas humanísticos na arte do renascimento, Lisboa: Editorial Estampa, 1995 (2ª edição), p. 130-131.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A.S.: Escolhas Pessoais XIII

Sophia Andresen



O tom da sua obra é quase sempre imperativo e o pensamento geométrico, clássico na influência. As dúvidas, se as encontramos, são, sobretudo, quando o discurso é um discurso amoroso, de veemência apaixonada, mas sem sentimentalismos excessivos. Puro e duro. Não há meias medidas na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), poucas disjuntivas nos seus versos, poucas alternativas hesitantes.

“A Conquista de Cacela

As praças fortes foram conquistadas
Por seu poder e foram sitiadas
As cidades do mar pela riqueza
Porém Cacela
Foi desejada só pela beleza”


A exigência ética e um certo dramatismo atravessam muitos dos seus poemas, em que, nalguns casos, espreita uma ironia seca e cortante, certeira e desapiedada:

“As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas…”


Um dos poemas, que mais aprecio de Sophia Andresen, tem como base uma “falsa” história. Intitula-se “Meditação do Duque de Gandia sobre a Morte de Isabel de Portugal” e a frase (“Nunca mais servirei senhor que possa morrer”) corre atribuída a Francisco de Borja e Aragão (1510-1572), Duque de Gandia, que depois de enviuvar, professou e veio a ser Superior Geral dos Jesuítas. A célebre frase estava, na verdade, integrada na oração fúnebre, feita por S. João de Ávila, no funeral de Isabel de Portugal (1503-1539), esposa de Carlos V, e mãe do futuro rei de Portugal, Filipe I (II de Espanha). Não é, portanto, do Duque de Gandia. A ficção, no entanto, é, por vezes, bem mais interessante do que a prosaica realidade.


Ticiano - Isabel de Portugal
Óleo sobre tela
Madrid, Museu do Prado


Transcreve-se, então, o belo poema de Sophia Andresen:

“Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.
Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.”


Post de Alberto Soares

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Por dentro de um quadro!

Nesta minha segunda viagem a Paris havia um objectivo definido: visitar a exposição de “Tiziano, Tintoretto, Veronés… Rivalidades en Venecia”, que o Luís divulgara. Adorei a exposição, falarei dela noutro post.
O dia fora destinado a visitar e a rever alguns dos belíssimos quadros que fazem parte do espólio do Louvre. O quadro: A Virgem e o coelho atraiu-me especialmente pela utilização dos meios informáticos e pelos recursos que o museu dispõe permitindo, assim, ao visitante entrar no quadro! Não era novidade mas agradou-me particularmente. Tentei por isso, trazer aqui a sensação que me despertou.
x
Tiziano Vecellio, A Virgem com o Coelho, século XVI
x

Óleo sobre tela, 71.5 x 25 cm, Museu do Louvre











A sucessão de imagens foi fotografada de acordo com o ritmo programado estando, por isso, algumas um pouco desfocadas.
Obrigada Luís. Não visitei o Latour que utiliza de uma forma bela a luz e sombra porque não havia tempo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Livro retratado


Ticiano - Isabel de Portugal
Óleo sobre tela
Madrid, Museu do Prado


Gustave Courbet - Proudhon e os seus filhos
Óleo sobre tela, 1865



Almada Negreiros - [Sem título]
Desenho a lápis, 1930

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Museu do Prado - 1

Anselmo de Andrade, economista, condiscípulo de Antero e de Eça em Coimbra, foi director dos jornais O Correio da Noite e O Dia. Foi preceptor de D. Manuel II e era o ministro da Fazenda à data da proclamação da República.
Na dedicatória à mulher do seu livro Viagem na Espanha, escreveu : «Numas poucas de viagens pela Espanha cursámos juntos todas as suas terras. Nas cidades e nos ermos, nos passeios amenos e nas jornadas penosas, nas planícies risonhas e nas agruras das serranias, nos dias aprazíveis e nas horas enfadonhas, foste tu sempre a minha inseparável companheira.»
Por mim, gosto das cidades espanholas, já não direi o mesmo do campo.
Transcrevo desse livro umas impressões sobre o Museu do Prado, inaugurado em 19 de Novembro de 1819.


Veronese - Susana e os Velhos
Madrid, Museu do Prado

«Diz o viajante [Edmundo d']Amicis, no seu excelente livro sobre a Espanha, que o dia em que pela primeira vez se entra no museu de pintura em Madrid, fica sendo uma data histórica na vida de um homem. Para um italiano, que tem na sua pátria dois mundos como o Uffizi e o palácio Pitti, poder dizer isto, é necessário que o museu espanhol assombre realmente toda a gente. A primeira impressão é com efeito a do assombro. Entra-se e fica-se atónito. Anda-se depois ao acaso por aquelas vastas galerias todas cheias de telas. […]
«Um grande número de Ticianos, de Tintoretos, de Verenesos, de Raphaeis, de Sartos, de Corregios, de Guido Renis, de Dominiquinos e de muitos outros representam a Itália. Conhecem-se logo as pátrias e as épocas. Nas telas florentinas desenham-se os tipos musculosos, erectos, nobres, elegantes, de aptidões ginásticas, activos e finos. Nas venezianas pintam-se as formas arredondadas, as carnes brancas, os cabelos louros e as fisionomias sensuais e voluptuosas, tudo em meios exuberantemente coloridos. Principalmente Veroneso é deslumbrante em efeitos luminosos. É o rei da cor. Nem o fausto, nem a decoração, nem a luz, nem o aparato, nem o espectaculoso tiveram ainda melhor pintor. Um quadro de Veroneso é uma festa. […]

Veronese - Moisés salvo das águas, 1580
Madrid, Museu do Prado

«Ticiano, põe exemplo, que é o pintor do ideal antigo, pouco se preocupa […] com a expressão. Desenha com firmeza e cores vivas todas as suas figuras, enche-as de saúde e de serena alegria, mas deixa sempre nelas um notável vazio de sentimento e de paixões.»

Ticiano - Imperatriz Isabel de Portugal, 1548
Madrid, Museu do Prado

Anselmo de Andrade
In: Viagem na Espanha. Lisboa: Typ. Mattos Moreira, 1885, p. 35-36

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Comprar um Ticiano no fim do mês ...

Luigi Koelliker, homem de negócios italiano e grande entusiasta da pintura barroca, reuniu cerca de 2000 obras de arte desse período nos últimos 15 anos. Agora coloca 14 à venda, e em destaque está este Ticiano intitulado Salomé com a cabeça de S.João Baptista, datado de 1570. Terá sido comprado pelo grande coleccionador que foi Carlos I de Inglaterra, pois que a primeira notícia que se tem dele é de 1649 quando é feito o inventário dos bens deste infeliz rei. O quadro terá permanecido nas colecções reais cerca de um século, sendo certo que em 1736 aparece a integrar uma colecção particular escocesa. E só volta a dar que falar em 1994 quando é vendido em Londres a um marchand que o revende posteriormente ao dito Luigi Koelliker.

- Sotheby's, Nova Iorque, dias 29 e 30 de Janeiro. Base de licitação: entre 4 e 6 milhões de dólares.