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segunda-feira, 24 de outubro de 2022

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Imperatriz: Em geminação com um post anterior

Madrid: Esfera dos Libros, 2012
€24,90

Isabel de Portugal, imperatriz de Espanha, é aqui apresentada como a governante do país vizinho durante as longas ausências do marido, Carlos V, nos Países Baixos. Graças à sabedoria e diplomacia da mãe do futuro Filipe II, a dinastia dos Áustrias consolidou o seu poder.
Porque não traduz a Esfera do Livro o livro para português?


Novidades


Falou-se dele à mesa no passado sábado, comprovando-se que o romance histórico continua a atrair cultores muitos variados e os leitores não se terão ainda fartado. Não o li, mas diz quem o leu que esta estreia literária de Mercedes Balsemão através da Esfera dos Livros está feita com rigor histórico.
Aproveito para recomendar também sobre a vida de Isabel de Portugal, mulher do Imperador Carlos V e mãe de Filipe II de Espanha ( I de Portugal ), a recente biografia da autoria de Manuela Gonzaga.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A.S.: Escolhas Pessoais XIII

Sophia Andresen



O tom da sua obra é quase sempre imperativo e o pensamento geométrico, clássico na influência. As dúvidas, se as encontramos, são, sobretudo, quando o discurso é um discurso amoroso, de veemência apaixonada, mas sem sentimentalismos excessivos. Puro e duro. Não há meias medidas na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), poucas disjuntivas nos seus versos, poucas alternativas hesitantes.

“A Conquista de Cacela

As praças fortes foram conquistadas
Por seu poder e foram sitiadas
As cidades do mar pela riqueza
Porém Cacela
Foi desejada só pela beleza”


A exigência ética e um certo dramatismo atravessam muitos dos seus poemas, em que, nalguns casos, espreita uma ironia seca e cortante, certeira e desapiedada:

“As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas…”


Um dos poemas, que mais aprecio de Sophia Andresen, tem como base uma “falsa” história. Intitula-se “Meditação do Duque de Gandia sobre a Morte de Isabel de Portugal” e a frase (“Nunca mais servirei senhor que possa morrer”) corre atribuída a Francisco de Borja e Aragão (1510-1572), Duque de Gandia, que depois de enviuvar, professou e veio a ser Superior Geral dos Jesuítas. A célebre frase estava, na verdade, integrada na oração fúnebre, feita por S. João de Ávila, no funeral de Isabel de Portugal (1503-1539), esposa de Carlos V, e mãe do futuro rei de Portugal, Filipe I (II de Espanha). Não é, portanto, do Duque de Gandia. A ficção, no entanto, é, por vezes, bem mais interessante do que a prosaica realidade.


Ticiano - Isabel de Portugal
Óleo sobre tela
Madrid, Museu do Prado


Transcreve-se, então, o belo poema de Sophia Andresen:

“Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.
Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.”


Post de Alberto Soares

terça-feira, 21 de julho de 2009

Regresso à Ars Moriendi

XV

L' ODEUR EN PEINTURE

Visitant l' exposition sur les Vanités dans la peinture au XVIIe siècle, à Caen, je me suis arretê sur la toile d' un peintre vénitien, Pietro della Vecchia. Son titre: « Saint François Borgia devant le cercueil d' Isabelle de Portugal » . Isabelle fut certainement belle, mais c' est du passé car la décomposition ravage son visage. Dans la bière elle apparaît comme un mixte de belles étoffes, beaux bijoux et pourriture, viande corrompue. Elle doit sentir bien fort puisque, à ses côtés, un personnage se tient les narines pour éviter d' inhaler les miasmes. L' éxegese y voit de l' ironie, un esprit satirique à la commedia dell ' arte. J' y vois plutôt l' épaisse volonté didactique du peintre et des commanditaires: des hommes d' Eglise: la puanteur du cadavre, c' est la invitation aux eaux lustrales. Travaillez à votre salut et pour ce faire soyes dés ici-bas « perinde ac cadaver » . La leçon est toujours la même,elle a toujours ses adeptes.

- Michel Onfray, ARS MORIENDI- Cent petits tableaux sur les avantages et les inconvénients de la mort, LES CAHIERS FOLLE AVOINE, 1998.


Há dias, enquanto tentava ajudar o nosso Jad nas suas pesquisas, fui reconduzido a um tema que sempre me fascinou: a Danse Macabre, a Dança da Morte, mescla de paganismo e devoção cristã que do espaço público passou à arte, estando representada em muitas gravuras e quadros e até foi transposta para a música, desde logo já bem perto de nós por Saint-Saens. E o que é a Danse Macabre senão uma preparação para a morte, um prenúncio do nosso inexorável destino? Foi então que me lembrei de trazer aqui outra vez ao blogue a Ars Moriendi do Michel Onfray, pois que tinha postado apenas duas ou três passagens do livro logo no início do blogue. Não sei quando voltarei a ele, até para que o blogue não fique mórbido, mas achei que era altura, também por outro funesto acontecimento ocorrido na semana passada.
Por outro lado, esta contemplação de S.Francisco de Borja do cadáver de Isabel de Portugal, a tão amada mulher de Carlos V para os mais esquecidos, inspirou vários poetas portugueses o que é mais um motivo para trazer este perturbante quadro ao Prosimetron.
Falta apenas dizer que o quadro é de Pietro della Vecchia, foi pintado entre 1664 e 1674, e pertence ao Musée des Beaux-Arts de Brest.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Livro retratado


Ticiano - Isabel de Portugal
Óleo sobre tela
Madrid, Museu do Prado


Gustave Courbet - Proudhon e os seus filhos
Óleo sobre tela, 1865



Almada Negreiros - [Sem título]
Desenho a lápis, 1930