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terça-feira, 12 de junho de 2018

Leituras no Metro - 980

Barcarena: Presença, 2014

Já andava para ler este livro há um tempo. Entretanto uma amiga minha viu uma entrevista com Robert Harris e acho-o interessante, de modo que resolvi ler O oficial e o espião, romance histórico baseado no caso Dreyfus. Alfred Dreyfus foi acusado de ter vendido informações aos serviços secretos alemães, pelo que foi condenado e deportado para a Ilha do Diabo. 
O narrador é um oficial de nome Picquart, o qual vem a  descobrir a inocência de Dreyfus. Um caso que dividiu a opinião pública francesa.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Novidades


É hoje posto à venda o novo romance histórico de Maria João Lopo de Carvalho, focado sobre as 7 mulheres que passaram pela vida de Luís de Camões . ( Oficina do Livro / Leya )

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Autores e escritores


Creio que José Rodrigues dos Santos inaugurou a já grande galeria de autores cuja única notoriedade vem das televisões. E depois dele não houve cão nem gato que não se atrevesse a publicar sobre qualquer assunto ou com qualquer pretexto. Mas alguns resolveram mesmo tentar a ficção, com romances e, mesmo, romances históricos. No caso concreto do nosso jornalista da piscadela de olho, com uma excelente investigação -que ao que sei ele encomenda porque obviamente não tem tempo para a fazer - e uma construção da trama e das personagens que revelam um ficcionista com algum talento. Já quanto à escrita, enfim, é bastante mediana. Não será por acaso -para além dos écrans televisivos que o projectam- que recentemente num inquérito foi considerado o melhor escritor contemporâneo nacional, o que também revela duas coisas: que o bom povo português lê pouco e mal e que os restantes prosadores endeusados não são a maravilha que se julgam nem que os editores, muitas vezes por razões que ultrapassam a literatura, querem que sejam.

Desconfio, por princípio, de estrelas televisivas promovidas a escritores e não compro os seus livros.

Como gosto imenso de romances históricos e mais recentemente os que se vão publicando sobre História de Portugal, não resisti à tentação de comprar "O último bandeirante" do jornalista Pedro Pinto, sobretudo porque o assunto das "bandeiras" me interessava especialmente. E devo dizer que fiquei surpreendido. O tema e a personagem de António Raposo Tavares foram bem investigados, apesar da escassez de informações sobre o bandeirante, as descrições da missão dos Jesuítas destruída pelos paulistas muito interessantes, o desenvolvimento da história muito bem desenhado, o ambiente onde se desenrolam os acontecimentos, quer em S. Paulo, quer na selva, muito credível e apelativo e, sobretudo, bastante bem escrito. Pedro Pinto publicou outro livro, desta vez sobre Serpa Pinto, que ainda não li, mas depois de "O último bandeirante", fiquei com o dedo na página, como se costuma dizer. Porque, na minha opinião, Pedro Pinto é um escritor e não apenas mais um autor.

sábado, 11 de julho de 2015

O que estou a ler


Uma das melhores descobertas que fiz recentemente foi a francesa Michèle Barrière , historiadora e discípula de Jean-Louis Flandrin, jornalista culinária, mas também autora de deliciosos policiais históricos e gastronómicos .
Cruzam-se personagens verídicas da história francesa e europeia com a história da alimentação e da gastronomia, e os livros têm sempre uns apêndices fantásticos.

O da esquerda acabei ontem, e além do mistério principal - que alimento é este tão bom e simultaneamente tão venenoso,temos viagens por Itália e no fim um conjunto de receitas da Renascença e um dossiê sobre o tal alimento .
Aqui fica um pequeno excerto :

(...) Michel de Nostre-Dame a publié il y a deux ans un ouvrage sur les confitures qui a eu un succés extraordinaire et  il semblerait qu' il soit en train d' écrire une suite . ( P. 116 )

Pois é, até entra o famoso médico, astrólogo e pelos vistos gastrónomo imortalizado sob o nome de Nostradamus .



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Leituras no Metro - 195

Lisboa: Gradiva, 2014

As Curandeiras Chinesas: Um motim que abalou a I República é um romance histórico de Joaquim Fernandes, baseado num caso muito falado e discutido.
Em novembro de 1911, duas chinesas chegam a Lisboa e recuperam a visão dos cegos mais pobres que as consultam. Depois de o caso chegar aos jornais, há uma histeria coletiva e as autoridades ordenam a expulsão das duas curandeiras. A decisão acende um rastilho de protestos,  dando lugar a inflamados comícios. Há mortos, feridos e detidos em motins da Baixa lisboeta.
O livro é interessante, até porque eu não sabia mais sobre o assunto do que aquilo que li na Ilustração Portuguesa e noutros jornais da época. Acho a escrita um pouco arrebicada. Parece-me que o narrador (um jornalista) pretende aproximar-se do estilo de 1911.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Novidades

 Dois livros lançados recentemente : - o primeiro é um romance histórico ( " uma viagem no tempo que tem como ponto de partida a Sociedade de Geografia de Lisboa e a casa em ruínas do explorador Serpa Pinto em Cinfães do Douro. Um romance repleto de aventura, mistérios e conspirações, que nos leva à África do século XIX " - diz a nota editorial )
- o segundo abarca os seis séculos da expansão portuguesa, da conquista de Ceuta, em 1415, até 1999 e à entrega de Macau à China. Uma obra colectiva, com coordenação de João Paulo Oliveira e Costa.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Um romance - biografia histórica a sério

Acaba de aparecer nas livrarias, da Porto Editora, o romance-biografia histórica "O grande Jacques Coeur", do escritor Jean- Christophe Rufin, numa belíssima tradução de Isabel St.Aubyn. Este, sim, dá gosto ler.
 
Jacques Coeur
Com uma escrita de uma grande beleza estilística, com um rigor histórico só "traído" pela necessidade de vincar a origem modesta do biografado para mais exaltar os cumes a que o seu engenho o levou numa França do séc. XV, onde ainda era a nobreza feudal que se impunha e onde a burguesia mal começava a ter algum relevo social e político, o académico, médico, diplomata, fundador dos Médicos sem fronteiras, político episodicamente e escritor, Prémio Goncourt em 1997 e 2001, Cavaleiro das Artes e das Letras e oficial e cavaleiro da Legião de Honra, Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Lovaina e Laval (Quebeque), traça a biografia obviamente  romanceada, de uma personagem extraordinária, nascida em Bourges em 1400, de origem modesta que chega a ser nobilitada por Carlos VII, o fraco rei que ficou a dever o seu trono a Joana d'Arc, que foi riquíssimo a ponto de mandar construir um imponente palácio e moedeiro do rei, conviveu com soberanos, príncipes, nobres e o Papa e a quem a reunificação, do ponto de vista financeiro, da França dividida entre o "o Rei de Bourges" e o rei invasor de Inglaterra tanto ficou a dever - Jacques Coeur.
Palácio de Jacques Coeur, em Bourges
Brasão de Jacques Coeur

Que diferença com a biografia ficcionada de Madre Paula, de que aqui falei há uns dias! Não é escritor quem quer, mas quem sabe escrever bem e escritor de romances históricos quem sabe História o suficiente para não cometer erros e fazer gaffes.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Madre Paula, ou uma historieta histórica

Gosto de romances históricos ou, mesmo, de biografias romanceadas. E caio imensas vezes na tentação de comprar "obras" desse género, porque conheço mal a época em que se desenrolam e a  "petite histoire" que lhe está associada ou muito pouco sobre uma determinada personagem. Acredito sempre - santa ingenuidade a minha - que quem se abalança a escrever sobre uma época ou uma personagem, fará investigação, conhecerá a época em que situa a acção e, por isso, não dirá enormidades com a desfaçatez de quem acha que basta publicar e por isso passar pelo crivo do editor, para ter produzido um best seller.
Durante muitos anos o romance ou biografia históricos caíram em desuso em Portugal. De há uns dez, vinte anos para cá, têm-se multiplicado exponencialmente. E diria que não há candidato a escritor que não tenha pensado em escrever livros desse género literário e que, muitos, se têm abalançado nessa empresa. Têm tido algum mérito, convenhamos, ao trazerem para os escaparates das livrarias factos, tempos e pessoas portugueses.
 
 
O meu pouco conhecimento sobre a mais importante amante de D. João V, e o facto de há um ano ter visitado o Convento de Odivelas onde viveu, levou-me a comprar " Madre Paula, mulher de Deus, amante do rei" de Patrícia Müller, licenciada em Ciências da Comunicação, autora de "novelas, filmes, séries e telefilmes" como se pode ler na breve biografia na badana do livro, publicado pela Asa.
A escrita, em si, nem é boa nem má, o conhecimento da época em que decorre a vida da célebre freira é menos mau atendendo a alguns factos históricos que refere ou às falas atribuídas ao Rei, sobre política interna e externa, mas parece haver um total desconhecimento sobre o ambiente da Corte, nomeadamente o tratamento dado ao soberano: Majestade para duas linhas abaixo o tratar por Alteza Real. Tratamento antecedido de Sua, quando se lhe dirige, o que em Portugal e pelo menos Espanha e França, nunca se usou Ou o tratamento dado ao Papa , Excelência e mais abaixo Santidade. Ou o anacronismo de se referir ao soberano, na voz de Madre Paula que é a narradora, como D. João V ou, pior ainda, o Magnânimo.
Palacete de Madre Paula em Odivelas, arrasado em 1949
 
Já não falo do auto-retrato que Madre Paula faz de si própria: mesquinha, perversa, de mau carácter, vingativa e todos os mais defeitos que se possam imaginar. E dos relatos crus dos actos sexuais variados, mais próprios de uma romance erótico - e alguns são mais recatados -ou de uma versão nacional do Kama Sutra.
Há outra amante de D. João V sobre a qual, para além da biografia essencial, pouco sei: a menos célebre Flor da Murta - D. Luísa Clara de Portugal - de que conheço, por fora o Palácio, na Rua do Poço dos Negros. Li que saiu recentemente uma biografia romanceada. Mas confesso que estou a hesitar em comprá-la. Gato escaldado de água fria tem medo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Novidades


O terceiro romance histórico de João Pedro Marques, que desta vez escolheu como tema de fundo as chamadas Guerras Liberais. " Malhados " ( liberais ) contra " Corcundas " ( miguelistas ), mais um estranho crime e o protagonista apaixonado por uma senhora casada ... ( Porto Editora )

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A minha pilha de livros - 6

Lisboa: Abysmo, 2013

Nunca tinha lido nenhum livro de Carlos Querido, mas gostei bastante destas «peregrinações de D. João V às Caldas da Rainha», para alívio das suas maleitas. 
O narrador, Pedro Fontes, natural das Caldas da Rainha, é filho de um fidalgo e de uma lavadeira. Acompanha o infante D. Manuel, irmão de D. João V e conde de Ourém, e Manuel Teles da Silva, conde de Tarouca, numa viagem à Europa. Em Haia, ficam hospedados em casa de D. Luís da Cunha. E o resto saberá se ler o livro...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Novidades


Falou-se dele à mesa no passado sábado, comprovando-se que o romance histórico continua a atrair cultores muitos variados e os leitores não se terão ainda fartado. Não o li, mas diz quem o leu que esta estreia literária de Mercedes Balsemão através da Esfera dos Livros está feita com rigor histórico.
Aproveito para recomendar também sobre a vida de Isabel de Portugal, mulher do Imperador Carlos V e mãe de Filipe II de Espanha ( I de Portugal ), a recente biografia da autoria de Manuela Gonzaga.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Novidades - 219


O novo romance histórico do historiador e académico João Paulo de Oliveira e Costa, e que é também o fim de uma trilogia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um Conto de Duas Cidades

Aqui fica a minha achega dickensiana : um dos meus Dickens preferidos, muito diferente da  maioria das suas obras. Triste, comovente, inesquecível. As suas primeiras linhas são um dos mais belos inícios da história da literatura. Um livro que me marcou bastante.

sábado, 19 de novembro de 2011

Novidades - 212

Aqui está o tal livro improvável de que falei há umas semanas, o primeiro romance histórico da Margarida Rebelo Pinto que revisita um dos nossos maiores mitos culturais, Inês de Castro. Venderá tão bem como anteriores obras?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Novidades - 207


Provando a vitalidade ( inesgotável ? ) do romance histórico, aqui fica a estreia de Alice Vieira (1943-) nestas lides, com chancela da Caminho. Reproduzo a seguir a nota editorial : " Um romance histórico, baseado em factos reais, que nos conta sobre Fernão Nunes e uma sobrinha sua, Filipa Nunes, de Porto Santo, que, dizendo-se inspirados pelo Espírito Santo, se declaram profetas, sendo depois apelidados de herejes, presos e enviados para Évora. "

P.S. -A mais improvável entrada lusa no romance histórico fica para mais logo ou amanhã, e acho que ficarão tão surpreendidos como eu.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Novidades - 201



O primeiro romance histórico de Maria João Lopo de Carvalho versa sobre uma figura feminina, D.Leonor de Almeida Portugal, que continua a fascinar as mulheres de letras portuguesas de várias gerações. É uma edição da Oficina do Livro.

sábado, 8 de outubro de 2011

O Conde de Monte-Cristo como exemplo

Lisboa : Guimarães, 193-?
Lisboa: Romano Torres, 1980, vol. 1
Capa José Antunes

«A literatura pode ser ao mesmo tempo um entretenimento e uma forma de reflexão. [...]
«Por exemplo, um romance como O Conde de Monte Cristo: é o clássico romance-folhetim de aventuras, divertido, para o entretenimento das massas. Mas uma leitura inteligente sobre a vingança, o destino, a solidão, a morte, a velhice, a tragédia. Em literatura tudo é compatível. Por isso, ao longo de toda a minha vida tenho tentado compatibilizar nos meus livros a diversão e a reflexão.
- É também isso que pede no papel de leitor?
«Um livro que me faça reflectir mas que me aborreça não me serve. Preciso que o livro, além de me fazer reflectir, me divirta, que crie em mim aquele estado de ansiedade do leitor que sente a necessidade de ir virando a página, que se apaixona pelos personagens, que vive com eles. Preciso de acção e de reflexão ao mesmo tempo. Quer como leitor, quer como autor.»
Arturo Pérez-Reverte
entrevista a Carlos Vaz Marques, in Ler, lisboa, Jun. 2011, p. 27

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Uma leitura de férias

Em 1992, em Barcarrota, na Estremadura espanhola, não longe de Olivença e da fronteira com Portugal, um operário que fazia obras numa casa da Plaza de la Virgen, descobriu um pequeno compartimento falso e dentro dele, cuidadosamente embrulhados, livros e um amuleto de papel. Depois de várias pesquisas, concluíu-se que os livros faziam parte do primeiro índex da Inquisição e que teriam pertencido ao médico, judeu-converso, Francisco Penharanda, que entre 1510 e 1557 viveu naquela vila, tendo fugido precipitadamente para Olivença, onde terá continuado a exercer a sua profissão.
Sobre este espólio e a vida de Penharanda, Sérgio Luís de Carvalho construiu um romance histórico muito interessante e, sobretudo, bem escrito.
Cultor da leitura do romance histórico, das obras sobre a vida dos judeus peninsulares, sobretudo dos portugueses, cristãos novos ou emigrados para fugir à intolerância religiosa do catolicismo dominante, este romance foi uma boa leitura estival. Aconselho-o.

domingo, 5 de junho de 2011

Novidades - 183


Depois de, em comentário, Miss Tolstoi ter chamado à colação Diana de Cadaval, não posso deixar de lhe dedicar este post sobre a mais recente obra da jovem duquesa ( que gosta de ser chamada Princesa Diana, o que me complica um bocado os nervos mas é outra história... ), que versa desta feita sobre uma rainha de Portugal que tem um recorde singular: ter sido casada com dois reis de Portugal (D. Afonso VI, e o irmão deste, D.Pedro II ).
É uma edição da Esfera dos Livros, e o lançamento ocorrerá no Museu de Arte Antiga no próximo dia 8 de Junho.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Há 100 anos


A Biblioteca Nacional estava então instalada numa parte do Convento de S. Francisco da Cidade, no Largo da Academia Nacional de Belas Artes.

«O jornal O Século anuncia o novo director da Biblioteca Nacional, Faustino da Fonseca. Sobre o novo director, o redactor refere: "é um escritor muito apreciado, pelos seus romances históricos, entre os quais avulta A descoberta do Brasil, [e] há muito que se dedicava ao estudo dos serviços bibliotecários e por isso o governo lhe confiou o lugar de director da nossa primeira biblioteca pública, sendo de esperar que o desempenho com toda a prociência".
«O periódico chama também a atenção para o facto de Faustino da Fonseca ter determinado "que não fosse alterado o actual horário [da biblioteca] até ao dias primeiro de Abril, pois, faltando poucos dias para acabar o mês, era melhor durante este tempo organizar os serviços e turnos que, em conformidade com a nova lei, devem funcionar".»
Fonte: O Século, Lisboa, n.º 10517, 25 Mar. 1911, p.3
http://www.centenariorepublica.pt/conteudo/25-de-mar%C3%A7o-de-1911-nova-direc%C3%A7%C3%A3o-da-biblioteca-nacional

Faustino da Fonseca (1871-1918), jornalista, escritor e político. Oficial do Exército, demitiu-se após a Revolta do 31 de Janeiro. Colaborou em muitos jornais, com destaque para O Século, O Mundo e A Luta e A Vanguarda. Deputado à Constituinte de 1911, foi posteriormente eleito senador. Foi director da Biblioteca Popular de Lisboa, antes de ser nomeado para a Biblioteca Nacional. Escreveu, como já foi referido, numerosos romances históricos.