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sábado, 14 de abril de 2012

O beijo

Ontem foi o Dia Mundial do Beijo e hoje faz 100 anos que nasceu o autor desta fotografia: Robert Doisneau.


À boca aflora o beijo dado 
em um minuto ou ano
que outra boca não diz.

Pedro Tamen

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pedro Tamen - Grande Prémio Correntes d’Escritas.

Hoje ouvi na rádio que Pedro Tamen tinha ganho o Grande Prémio Correntes D'Escrita, prémio do Casino da Póvoa. Aqui presto as minhas felicitações, parabéns!
Fotografia: Dezembro de 1977 - Encontro de Poetas na Casa de Mateus. Com Alberto Pimenta, Alexandre O'Neill, Vasco Graça Moura, Miguel Torga e Eugénio de Andrade

Regando lentamente as flores do riso,
vou já de neve em neve e lume em lume,
contornando a nordeste o paraíso
em terrenos de pedras ou de estrume,
com pequenas palavras na algibeira
das calças que mantenho ainda frias
da presença dos lares à minha beira.

E meto mãos e dentes nas vazias
flanelas limpas para o flanar antigo,
marcho directo e escasso, colocando
os pés azadamente.
Não persigo
ventos ou cores: sou pedro, zé, fernando,
nomes comuns, impróprios, que desdigo
baixinho e surdo, curto, enquanto ando.

Pedro Tamen, Daniel na Cova dos Leões, 1970

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

sábado, 11 de setembro de 2010

1910 - 18


Manuel Mujica Láinez nasceu em Buenos Aires, em 11 Set. 1910.
Autor do monumental romance Bomarzo, foi um artigo de Mega Ferreira que há uns anos me despertou o interesse para ele. Comprei-o, mas está num monte à espera de ser lido.


«[...] Há cerca de trinta anos, um amigo recomendou-me um volumoso romance histórico do argentino Manuel Mujica Láinez, sobre o enigmático Pier Francesco Orsini, duque de Bomarzo, que se deu ao trabalho de mandar lavrar na pedra da sua propriedade uma fantástica galeria de figuras colossais, monstruosas e inverosímeis. Previsivelmente, o romance chamava-se Bomarzo, e, também previsivelmente, não estava publicado em Portugal.
«Não me esqueci da referência, mas não procurei o livro. Achei, isso sim, num dos primeiros números da magnífica revista FMR, que o editor Franco Maria Ricci começou a publicar em finais dos anos setenta uma sumptuosa reportagem fotográfica sobre os monstros dos jardins de Bomarzo. Na primeira ocasião, comprei a edição espanhola de Bomarzo, setecentas páginas em letra cerradíssima, a pedir um tempo longo de espera antes que eu tivesse tempo (ou tempo de maturação) para o abordar. O romance ficou assim, letras azuis sobre fundo branco na lombada, à espera de melhores dias, durante os últimos vinte e dois anos.
«Há cerca de três semanas, ao sabor de um zapping distraído, caíram-me os olhos numa figura que imediatamente identifiquei como um dos monstros de Bomarzo. Era um documentário da BBC; fiquei a vê-lo até ao fim. Depois, com fria determinação, levantei-me e fui à estante. Senti que tinha chegado o momento: ia finalmente ler Bomarzo. […]
«Bomarzo é um romance de leitura compulsiva (unputdownable, dizem os ingleses), que conta a lenta, decantada, inexorável progressão do duque corcunda e aleijado para o coração das trevas, para a absoluta indiferenciação entre o Bem e o Mal, nele sublimada, segundo Mujica Láinez (de quem temos, em português, O Unicórnio, publicado em 1990 pela Cotovia), pelo seu magnum opus, as esculturas monumentais e fantásticas do jardim de Bomarzo. Neste livro, não há um único momento de tédio ou trivialidade. […]»
António Mega Ferreira

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Conde de Lautréamont


Retrato de Lautréamont por Félix Vallotton

Isidore Lucien Ducasse, literariamente conhecido como Conde de Lautréamont, nasceu em Montevideu (Uruguai) a 4 de Abril de 1846 e faleceu em Paris a 4 de Abril de 1870. Filho de um funcionário consular, foi estudar para França em 1859.
Cantos de Maldoror é por muitos considerada como a primeira obra surrealista.


«O fim do século verá o seu poeta […]; nasceu nas costas da América, na foz do La Plata, onde dois povos, outrora rivais, tentam ultrapassar-se pelo progresso material e moral. Buenos Aires, a rainha do Sul, e a galante Montevideu estendem uma para a outra mãos amigas, através das águas argentinas do grande estuário.»
Conde de Lautréamont
In: Cantos de Maldonor / trad. Pedro Tamen. Lisboa: Moraes, 1969, p. 54

E que tal Montevideu?