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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Marcadores de livros - 866

Um marcador italiano:

Há 500 anos Martinho Lutero afixou as suas 95 teses à porta da igreja do castelo de Wittenberg.


terça-feira, 7 de março de 2017

Leituras no Metro - 272


Virginie Larousse assina o editorial em que traça alguns paralelos com a atualidade.
«Lorsque, le 31 octobre 1517, un obscur moine du Saint Empire placarde (dit-on) ses « 95 thèses », critiques acerbes de l'Église, il n'imagine pas qu'il va faire exploser l'Europe. Luther a pourtant mis le doigt dans cet engrenage qui fait si peur aux religions, en particulier monothéistes : la division. Celle-là même que les disciples de Jésus ont connu dans les premiers temps du christianisme, et qui les conduira à se couper définitivement de leurs racines juives. Celle-là aussi que l'Église a vécu au XIe siècle, le schisme de 1054, qui mènera à la rupture entre Église d'Orient et Église d'Occident. Celle-là enfin qui déchira les musulmans dès les débuts de l'islam, la fitna ou guerre civile de 656 - dont les conséquences ne finissent pas de l'agiter encore, à travers l'opposition sunnites- chiites.
«Le protestantisme, à l'instar du christianisme, a été « une naissance sans faire-part », pour reprendre l'expression de l'historien Hubert Bost. Jamais le moine allemand n'a voulu faire sécession d'avec Rome. Celui qui, en 1518, assure encore au pape « s'offrir à [lui] avec tout ce que je suis et tout ce que je possède » souhaite simplement questionner certaines pratiques et enseignements de l'Église, l'inciter à mener une bataille spirituelle. Mais Luther est un lutteur dont le combat a viré au pugilat. Car les religions, comme la plupart des institutions, sont des mammouths. Il est difficile - pas impossible, cependant ! - de les faire évoluer.
«On a oublié, aujourd'hui, à quel point la Réforme protestante a été une déchirure pour l'Europe, voire pour le monde. D'une certaine manière, cette amnésie est plutôt rassurante : cela montre que les relations, au départ si fratricides entre catholiques et protestants, se sont peu à peu normalisées, que les conflits religieux ne sont pas une fatalité. Que la haine a fait place à l'acceptation, et même à l'amitié. Désormais, en effet, l'apport considérable du protestantisme à notre société est unanimement salué. C'est avec la Réforme que, reconnaît-on, le monde serait entré dans la modernité. Une telle évolution des mentalités est franchement réconfortante, au moment où nous sommes sidérés par le retour des conflits religieux.
«Mais cette amnésie est également à méditer à l'heure où le mot de « réforme », généralement au sens politico-social, inonde les discours au quotidien. Pourquoi avons-nous autant de mal à agir avant que le point de non-retour ne soit atteint ? Pourquoi les tentatives de réformes aboutissent-elles, trop souvent, à des ruptures ? Cela est vrai aussi bien à l'échelon de nos modestes individus qu'à celui d'un pays ou de la planète. Semper reformanda (« toujours à réformer »), tel est l'un des principes fondamentaux du protestantisme. Une devise à faire nôtre en ces temps de toutes les urgences.»

André Comte-Sponville termina o seu artigo «De la guerre à la laïcité» deste modo: «Montaigne, son presque contemporain [de Lutero], déplorait que les "nouvelletés de Luther" aient abouti aux guerres de religion. Il avait évidemment raison. Mais elles ont abouti aussi - par refus de ces guerres - à la laïcité, que Luther (convaincu, comme saint Paul, que "tout pouvoir vient de Dieu") n'envisageait guère. Les voies de Dieu sont impénétrables.» 

Um número de Le Monde des Religions a ler.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Martinho Lutero - a nossa vinheta


Iniciou-se ontem o ano comemorativo do quinto centenário da Reforma. Os cristãos protestantes assinalaram o Dia da Reforma, recordando assim o protesto que Martinho Lutero expressou numa carta dirigida em 31 de Outubro de 1517 a Albrecht de Brandenburgo que, na qualidade de Markgraf (conde) de Brandenburgo, acumulava ainda as funções de príncipe eleitor, arcebispo de Magdeburg e arcebispo de Mainz. Lutero, monge da ordem de S. Agostinho, criticava um conjunto de práticas, habituais na Igreja Católica da época, entre elas, a venda das indulgências, fonte de rendimento para a vivência luxuriosa de muitos bispos e para a construção de igrejas, incluindo a edificação da Basílica de S. Pedro. É possível que tenha afixado as teses à porta da igreja de Wittenberg – porém, não existem provas que suportem esta ocorrência.
A abertura do ano jubilar que culminará nos 500 anos da Reforma no próximo dia 31 de Outubro de 2017, foi celebrada ontem num acto oficial em Berlim, presidido pelo Presidente da República Alemão, Joachim Gauck.
A Martinho Lutero num retrato de Lucas Cranach o Velho de 1541, que pretendia tudo menos a cisão da Igreja Católica de então, é dedicada a nova vinheta.

sábado, 4 de outubro de 2014

Os Borgia e o seu tempo: De Leonardo da Vinci a Miguel Ângelo


No imaginário coletivo, os Borgia representam a encarnação de vícios vis, simbolizando assim os excessos de certa sociedade do Renascimento. 
Esta exposição propõe-se penetrar no seio desta família que marcou a segunda metade do século XV, na Itália e na Europa, a fim de revelar a sua verdadeira face e reconstituir o ambiente que assistia à transformação do mundo, com a descoberta da América, a invenção da tipografia, a Reforma e o florescer de uma corrente artística sem precedentes até então.
No Museu Maillol, em Paris, até 15 de fevereiro de 2015.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Números


23


Vinte e três - é este o número das novas grandes comarcas portuguesas, um número a fixar neste dia primeiro da reorganização judiciária portuguesa. Uma aproximação ao modelo francês da Grande Instance, em que as capitais de distrito ( 18 ) e mais outras cidades de dimensão média são sede destas novas circunscrições judiciais. O que se pode dizer sobre o fecho de alguns tribunais, duas dezenas, a despromoção de outros etc ? O diagnóstico mais simples é que também a organização judiciária reconheceu e cedeu à desertificação do interior do país. Quando fecham repartições de finanças, delegações do Banco de Portugal, delegações da Polícia Judiciária, postos dos CTT, e é claro escolas e centros de saúde, não podem os tribunais ficar isolados desse fenómeno. Todos queremos ter tudo à mão, mas é racional um tribunal, com todos os custos específicos, com um volume processual duma centena de processos como era o caso de algumas destas comarcas?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O preceptor da Alemanha


Há 450 anos, a 19 de Abril de 1560, falecia Philipp Melanchthon.

Filósofo, filólogo e teólogo, foi um dos principais impulsionadores da Reforma protestante na Alemanha. Com apenas doze anos ingressou na Universidade de Heidelberg, onde rapidamente concluiu o”Baccalaureus artium” para continuar os seus estudos de filosofia, matemática, música e astronomia em Tübingen. Dominando na perfeição o latim e o grego antigo, publicou uma gramática grega aos 15 anos. Impressionado pelas novidades, vindas de um monge de nome Martinho Lutero, partiu rumo a Wittenberg. Aberto às exigências do reformador, iniciou o seu professorado na universidade dessa localidade. Ensinando a língua grega, pretendia adquirir e transmitir novos conhecimentos através do estudo humanista de obras da Antiguidade. Intitulado “Praeceptor Germaniae”, dedicava-se com paixão e entusiasmo a este objectivo e uma educação profunda em vários campos permitia-lhe estabelecer facilmente ligações entre as diferentes ciências. Seus livros tornaram-se de leitura obrigatória nas escolas da época.
Melanchthon introduziu uma reforma escolar e universitária com especial atenção na educação clássica e humanista. O conceito liceal, ainda hoje seguido na Alemanha, remonta, na sua forma “primitiva”, a Melanchthon. E sob a sua direcção, tornou-se a Universidade de Wittenberg na instituição de ensino superior mais significativa da Europa.


O “preceptor” redigiu em 1521 a primeira dogmática luterana: Loci communes rerum theologicarum. Seu contributo na tradução da Bíblia, orientada por Lutero, terá sido incalculável, tendo em consideração que Melanchthon superava Lutero, quer em matéria de línguas antigas, quer em conhecimento da Escolástica medieval. Melanchthon interveio ainda na constituição da chamada “Confissão de Augsburgo” em 1530, documento chave da identidade da fé cristã protestante, apresentado a Carlos V durante a Dieta de Augsburgo (Baviera). Mas ao contrário de outros apoiantes da Reforma, aspirava a uma “reunificação” das duas confissões.

Philipp Melanchthon foi sepultado na Igreja Palatina de Wittenberg, ao lado de Martinho Lutero.


Segunda imagem: Tríptico da autoria de Lucas Cranach o Velho, mostrando no painel esquerdo Melanchthon a baptizar um recém-nascido na companhia de Martinho Lutero.

domingo, 13 de setembro de 2009

Biografias, autobiografias e afins - 44

Penso que ainda não se falou dele aqui no blogue, apesar de 2009 também ser o ano de Calvino. Neste ano em que se comemoram os 500 anos do nascimento deste segundo pai do protestantismo, surgiram, como é habitual perante tais datas, várias biografias do "Papa de Genebra".
Escolhi esta, da autoria de Yves Krumenacker, especialista da História do Protestantismo e professor de História Moderna na Universidade de Lyon, dado o facto de ter sido louvada em várias recensões pela análise que faz da ligação entre o protestantismo e a ascensão do capitalismo na senda das teses de Max Weber.

- Calvin. Au-delá des légendes, Yves Krumenacker, Bayard, 2009, €25.