Nos 100 anos da morte de Teófilo Braga, o Museu da Presidência da República e a Câmara Municipal de Ponta Delgada organizam uma exposição na sua cidade natal, que inaugura hoje e pode ser visitada até 14 de setembro.
Esta exposição mostra diversas facetas da vida e obra de Teófilo Braga. Além de político - foi quem chefiou o Governo Provisório após a implantação da República, em 1910, e mais tarde Presidente da República, em 1915 -, foi professor universitário, escritor e pensador.
Columbano Bordalo Pinheiro - Retrato de Teófilo Braga, 1917
Lisboa, Palácio Nacional de Belém
Em 1917, Columbano pintou o retrato oficial de Teófilo Braga. Professor do Curso Superior de Letras, este açoriano, nascido em Ponta Delgada em 24 de fevereiro de 1843, presidiu ao Governo Provisório da República Portuguesa, em 1910, e foi Presidente da República Portuguesa, tendo sucedido ao também açoriano Manuel de Arriaga.
«O Fado, como a xácara moderna, em que a ação senão tira da vida heróica, é uma narração detalhada e plangente dos sucessos vulgares, que entretecem o existir das classes mais baixas da sociedade. Há o fado do marujo, da Severa, do Soldado, e o do Degradado que se despede das moças da vida. Tem o fado a continuidade do descante, seguindo fielmente uma longa narrativa, entremeada de conceitos grosseiros e preceitos de moralidade com uma forma dolorosa, observação profunda na descrição dos feitos, graça despretenciosa, com uma monotonia de metro e de canto, que infunde pesar, quando os sons saem confusos do fundo das espeluncas, ou misturados com os risos dos lupanares. O ritmo do canto é notado com o bater do pé e com desenvoltos requebros; a dança e a poesia auxiliam-se no que se chama bater o fado.» (In: Historia da poesia popular portugueza. Porto: Typ. Luzitana, 1867, vol. 1, p. 89-90)
Há 167 anos, no dia 24 de Fevereiro de 1843, nasceu em Ponta Delgada, Teófilo Braga, escritor, poeta, filósofo e político (governo provisório 5-X-1910 a 3-IX-1911 e presidente República entre 29 de Maio e 4 de Agosto de 1915).
Acalentar meninos
Embala, preta, embala Menino do teu senhor; Canta-lhe bem amoroso, Anima-lo com amor. Embala, preta, embala, Como o fez San José, Que os anjos cantarão: Pater nostre domine.
San José, a trabalhar, Embalava com seu pé: “Calai-vos, Jesus Menino, Nascido em Nazaré,” Meu San José, acudi Dai-me da vossa graça, Com que enxugue ao meu menino Suas lágrimas de prata.
Embala, preta, embala, Como a Virgem faria, Que os anjos cantarão: “Gratia Plena Ave-Maria”. Cantigas embalou Jesus: -Calai-vos, meu bento filho, Que haveis de morrer na cruz. Nossa Senhora, acudi, Dai-me o vosso tesouro, Com que cale o meu menino Que chora lágrimas de ouro.” x Teófilo Braga in Cem Poemas Portugueses sobre a Infância
O post do Luís sobre "a dor e Fernanda de Castro" que mal conheço, levou-me a colocar este poema de Camilo Castelo Branco que, nesta vertente, também conheço mal .
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(Poema inspirado na morte quase simultânea dos filhos de Teófilo Braga)
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A Maior Dor Humana
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Que imensas agonias se formaram
Sob os olhos de Deus! Sinistra hora
Em que o homem surgiu! Que negra aurora,
Que amargas condições o escravizaram!
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As mãos, que um filho amado amortalharam,
Erguidas buscam Deus. A Fé implora…
E o Céu respondeu? As mãos baixaram
Para abraçar a filha morta agora.
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Depois, um pai que em trevas vai sonhando,
E apalpa as sombras deles onde os viu
Nascer, florir, morrer!!... Desastre infando!
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Ao teu abismo, pai, não vão confortos…
És coração que a dor empederniu,
Sepulcro vivo de dois filhos mortos. x Camilo Castelo Branco, in Anjo ou Simulacro de Anjo, Lisboa: Asa, ( Organização de José Viale Moutinho)
Gossec-Dies Irae from "Grande messe des morts (Requiem)" 2-Händel-Ouverture from "The Royal Fireworks" (HWV 351)