
E na passada quinta-feira estreou-se este Um Amor de Perdição do Mário Barroso. Fui ver, acompanhado por alguns amigos aqui do blogue, e gostei muito. Uma economia narrativa exemplar, pois que o filme nem chega à hora e meia, e as várias soluções adoptadas são convincentes: as cartas são substituídas pelas sms, os apelos a Teresa transformados em grafitti- " A submissão é uma ignomínia", estando esta quase invisível durante todo o filme.
A condição privilegiada de Simão e Teresa também ela é representada exemplarmente, sem os excessos de criadagem e mesas de pequeno-almoço à novela brasileira que hoje dominam a nossa produção novelesca , apostando-se antes em interiores sóbrios mas que cheiram a "old money". E, como já tinha escrito, Tomás Alves e Catarina Wallenstein estão em estado de graça. Um Amor de Perdição adaptado para a contemporaneidade que não desvirtua nem ofende o original. Aliás, até me deu vontade de reler a pequena obra-prima de Camilo.