Mapa mostrando a linha de demarcação da Linha Azul entre o Líbano e Israel, estabelecida pela ONU após a retirada israelense do sul do Líbano em 1978.
«Por ter vivido num país em guerra, num bairro submetido a bombardeamentos pelo bairro vizinho, por ter passado uma ou duas noites numa cave transformada em abrigo, com a minha jovem mulher grávida e o meu filho pequeno, os ruídos das explosões lá fora, e ali dentro mil rumores sobre a iminência de um ataque, bem como mil bisbilhotices sobre famílias degoladas, eu sei perfeitamente que o medo pode fazer oscilar qualquer pessoa para o crime. Se, em vez de falsos boatos, houvesse uma verdadeira chacina no meu bairro, teria eu mantido por muito tempo o mesmo sangue-frio? Se, em vez de passar dois dias nesse abrigo, eu tivesse de lá passar um mês, ter-me-ia recusado a segurar a arma que me seria posta nas mãos?
«Prefiro não fazer a mim mesmo estas perguntas com muita insistência.» (Amin Maalouf - As identidades assassinas. Barcarena: Marcador, 2023, p. 32)
Quantos assassinos ou terroristas vão sair destas guerras no Médio Oriente? De Gaza, da Cisjordânia, do Irão? Miúdos que tinham pouco e ficam sem nada, sem pais, sem comida, sem casa, entregues a si próprios...

1 comentário:
Muitos. Uma quantidade de gente anónima repleta de ódio que talvez a vida não consiga sanar. Afinal viram desaparecer tudo e todos ou quase todos de que gostavam, o mundo inteiro desabou sem razão. Nenhuma guerra tem razão.
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