Mapa mostrando a linha de demarcação da Linha Azul entre o Líbano e Israel, estabelecida pela ONU após a retirada israelense do sul do Líbano em 1978.
«Por ter vivido num país em guerra, num bairro submetido a bombardeamentos pelo bairro vizinho, por ter passado uma ou duas noites numa cave transformada em abrigo, com a minha jovem mulher grávida e o meu filho pequeno, os ruídos das explosões lá fora, e ali dentro mil rumores sobre a iminência de um ataque, bem como mil bisbilhotices sobre famílias degoladas, eu sei perfeitamente que o medo pode fazer oscilar qualquer pessoa para o crime. Se, em vez de falsos boatos, houvesse uma verdadeira chacina no meu bairro, teria eu mantido por muito tempo o mesmo sangue-frio? Se, em vez de passar dois dias nesse abrigo, eu tivesse de lá passar um mês, ter-me-ia recusado a segurar a arma que me seria posta nas mãos?
«Prefiro não fazer a mim mesmo estas perguntas com muita insistência.» (Amin Maalouf - As identidades assassinas. Barcarena: Marcador, 2023, p. 32)
Quantos assassinos ou terroristas vão sair destas guerras no Médio Oriente? De Gaza, da Cisjordânia, do Irão? Miúdos que tinham pouco e ficam sem nada, sem pais, sem comida, sem casa, entregues a si próprios...

6 comentários:
Muitos. Uma quantidade de gente anónima repleta de ódio que talvez a vida não consiga sanar. Afinal viram desaparecer tudo e todos ou quase todos de que gostavam, o mundo inteiro desabou sem razão. Nenhuma guerra tem razão.
Na minha primeira edição da Difel, Setembro/1999, está na página 37.
O livro é muito bom e merece ser lido.
Embora seja pouco provável, esperemos que também saiam destas guerras alguns "Amin Maalouf"...
Bom dia!
A propósito dos abundantes exemplos de Guerras que marcaram, sucessivamente, o longo processo histórico de diversas territórios do Médio Oriente, relembro apenas, por curiosidade, o "simbólico" significado da inesquecível Guerra Civil do Líbano, iniciada em 13 de Abril de 1975. Um morticínio que causou mais de 100 mil vítimas!!!... Sem, claro está, esquecermos o trágico (e indeterminado) número de refugiados!...
Como (quase) sempre acontece nos massacres daquela Região, não faltaram "justificações" de carácter religioso, a camuflar as verdadeiras razões, que eram de natureza política, social, económica e militar (inclusive, no tocante aos interesses hegemónicos para subjugar povos e etnias). Causas agravadas pelas tensões entre as múltiplas comunidades libanesas, às quais não é alheio o "peso" do eterno conflito do Estado de ISRAEL com o mundo Árabe e a própria influência decorrente das pretensões inter-imperialistas ("Guerra Fria")...
P.S.: Faleceu o distinto historiador - e Director da BNP -, Prof. Diogo RAMADA CURTO. Honra à sua memória!
Votos de boa semana para todo(a)s!
Boa semana para os três.
Ainda a propósito da lamentável e surpreendente partida de Diogo RAMADA CURTO, (re)conhecido pelo seu combate contra a FALSIFICAÇÃO da História Contemporânea de Portugal, peço licença para lembrar aqui o anunciado "duelo", hoje, às 22h00, na CNN, entre José PACHECO PEREIRA e A. Ventura, para debater, "com documentos e objectos", certos factos, ao mesmo tempo elementares e sensíveis, que o neo-fascista (admirador de Trump & Cia.) pretende, escandalosamente, apagar!!!...
Votos renovados de boa semana!
Vi o debate enter Pacheco Pereira e Ventura. Foi pena a moderação ter sido nula.
Bom dia!
Enviar um comentário