Prosimetron
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Leituras no Metro - 3002
sábado, 18 de abril de 2026
Leituras no Metro - 2991
«Antes de ser tornar imigrante, é emigante; antes de chegar a um país, tem de sair de outro, e os sentimentos de uma pessoa em relação á terra que deixou nunca são simples. Se saímos, é porque há coisas que rejeitamos - repressão, insegurança, pobreza, ausência de horizontes. Mas esta rejeição é muitas vezes acompanhada por um sentimento de culpa. Há pessoas próximas que se veem abandonadas, uma casa onde crescemos, tantas e tantas lembranças agradáveis. Há também laços que persistem, os da língua ou religião, e também a música, os companheiros de exílio, as festas, a cozinha.
«Paralelamente, os sentimentos em relação aos países de acolhimento não são menos ambíguos. Se lá chegámos, é porque esperamos ali uma vida melhor para nós e para os nossos; mas esta expectativa vem acompanhada de uma apreensão perante a desconhecido, visto que nos encontramos numa relação de forças desfavoráveis, tememos ser rejeitados, humilhados, estamos à espreita de qualquer atitude que denote desprezo, ironia ou piedade.
«O primeiro reflexo não é alardear a diferença, mas passar despercebido. O sonho secreto da maior parte dos migrantes é ser tornado filho do país. A sua tentação inicial é imitar os seus anfitriões, e por vezes consegue-o. Na maioria das vezes, não. Não tem o sotaque certo, nem o tom certo de cor, nem o nome nem o apelido, nem os papéis necessários, o seu estratagema é rapidamente descoberto. Muitos sabem que nem vale a pena tentar de depois mostram-se por orgulho, por bravata, mais diferentes do que são. Alguns até - tenho de o lembrar? - vão ainda mais longe, a sua frustração desemboca numa contestação frontal.»
(Amin Maalouf - As identidades assassinas. Barcarena: Marcador, 2023, p. 42)
O melhor, mesmo, é lerem este livro.
domingo, 12 de abril de 2026
Leituras no Metro - 2989
sábado, 11 de abril de 2026
Leituras no Metro - 2988
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
domingo, 23 de junho de 2024
Marcadores de livros - 3059
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024
Marcadores de livros - 2950
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Émilie hoje na Gulbenkian
domingo, 13 de junho de 2010
Amin Maalouf recebe prémio Príncipe das Astúrias
A notícia é do dia 9 de Junho mas só hoje tive conhecimento. O escritor libanês Amin Maalouf, radicado em França desde 1975, foi galardoado com o prémio Príncipe das Astúrias das Letras.Da sua vasta obra, centrada nas problemáticas do mundo árabe, lembro As cruzadas vistas pelos árabes ou Leão, o Africano como livros imperdíveis.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Ainda Adriana Mater 2, para responder a Mário Tavares (MT)
Mário Tavares li o Adriana Mater e adorei. Como já referi num comentário nunca vi a ópera mas interessava-me bastante ler Maalouf nesta sua vertente. Fiquei fascinada pela linguagem.ADRIANA:
"Se tu fosses mesmo filho desse homem,
Tê-lo-ias matado!
Hoje tenho finalmente a resposta:
O sangue do matador mitigou-se no convívio com o meu.
Hoje, a minha vida, que eu julgava perdida,
É por fim recuperada.
Não estamos vingados, Yonas,
Mas estamos salvos.
Vem aproxima-te, envolve-me nos teus braços!
Preciso de repousar a cabeça um instante
Sobre o ombro de um homem."
Amin Maalouf, Adriana Mater, Lisboa: Difel, 2007, p. 110-111.
Desculpe não ter respondido de imediato mas por razões alheias não consegui ler nada durante dois dias. Espero que a minha resposta o satisfaça. Gostaria muito de ver esta ópera. Vou ver se arranjo o outro libreto dele O Amor de Longe.
sábado, 1 de agosto de 2009
Adriana Mater, Amin Maalouf.
(Adriana canta um velho refrão nostálgico)
"ADRIANA:
Quando se fecham os olhos da cidade,
Revelo a minha voz.
Esta voz que colhi
Num jardim de Outono,
Depois deitei nas páginas de um livro;
A minha voz que trouxe do país
Entre lençóis da cor de enxofre;
A minha voz que introduzi no meu corpete,
Sob as pregas do coração.
(...)"
Amin Maalouf, Adriana Mater, Lisboa: Difel, 2007, p.19.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Um mundo sem regras - 2
Amin Maalouf
In: Um mundo sem regras. Lisboa: Difel, 2009, p. 122
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Um mundo sem regras - 1
Vou pedir ao Jad que faça de intermediário para lhe entregar um exemplar deste livro que ando a ler e que estou a adorar. Para, eventualmente, lhe aguçar o apetite, deixo um excerto.

Se, por exemplo, se aceita o postulado segundo o qual a calamidade da nossa época é a «barbárie do mundo muçulmano», a observação do Iraque só poderia apoiar esta impressão. Um tirano sanguinário, que reinou pelo terror durante um terço de século, martirizou o seu povo, delapidou o dinheiro do petróleo em despesas militares ou sumptuárias; invadiu os vizinhos, desafiou as potências, multiplicou as fanfarronices sob os aplausos de admiração das multidões árabes antes de se desmoronar sem um verdadeiro combate; agora que o homem caiu, lá está o país a entrar no caos, lá estão as diferentes comunidades a massacrarem-se entre si, como quem diz: «Estão a ver, para controlar este povo era preciso uma ditadura!»
Se inversamente se adopta como axioma o «cinismo do Ocidente», os acontecimentos explicam-se de maneira igualmente coerente: como prelúdio, um embargo que precipitou todo o povo na miséria e que custou a vida a centenas de milhares de crianças sem nunca privar o ditador dos seus charutos; depois uma invasão decidida sob falsos pretextos, com desprezo pela opinião pública e pelas instituições internacionais, e motivada, pelo emnos em parte, pela vontade de pôr a mão nos recursos petrolíferos; a partir da vitória americana, uma dissolução apressada e arbitrária do exército iraquiano e do aparelho de Estado, bem como a instauração explícita do comunitarismo no centro das instituições, comos e alguém tivesse escolhido deliberadamente mergulhar o país na instabilidade permanente; além disso, as exacções na prisão de Abu Ghraib, a tortura sistemática, as incessantes humilhações, os «danos colaterais», as inúmeras faltas impunes, a pilhagem, a velhacaria…
Para uns, o caso do Iraque demonstra que o mundo muçulmano é impermeável á democracia; para os outros, revela o verdadeiro rosto da democratização à maneira ocidental. Até na morte filmada de Sadam Hussein poderíamos ver quer a ferocidade dos americanos quer a dos árabes.
Para mim, os dois discursos são justos e os dois são falsos. Cada um gira na sua órbita diante do seu público, que o compreende com meias-palavras e que não ouve o discurso adverso. Pelas minhas origens, pelo meu itinerário, posso reclamar-me simultaneamente destas duas órbitas, mas sinto-me cada vez mais afastado quer de uma quer da outra.
Lisboa: Difel, 2009, p. 30-31




























