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sábado, 18 de abril de 2026

Leituras no Metro - 2991

«Antes de ser tornar imigrante, é emigante; antes de chegar a um país, tem de sair de outro, e os sentimentos de uma pessoa em relação á terra que deixou nunca são simples. Se saímos, é porque há coisas que rejeitamos - repressão, insegurança, pobreza, ausência de horizontes. Mas esta rejeição é muitas vezes acompanhada por um sentimento de culpa. Há pessoas próximas que se veem abandonadas, uma casa onde crescemos, tantas e tantas lembranças agradáveis. Há também laços que persistem, os da língua ou religião, e também a música, os companheiros de exílio, as festas, a cozinha.

«Paralelamente, os sentimentos em relação aos países de acolhimento não são menos ambíguos. Se lá chegámos, é porque esperamos ali uma vida melhor para nós e para os nossos; mas esta expectativa vem acompanhada de uma apreensão perante a desconhecido, visto que nos encontramos numa relação de forças desfavoráveis, tememos ser rejeitados, humilhados, estamos à espreita de qualquer atitude que denote desprezo, ironia ou piedade.

«O primeiro reflexo não é alardear a diferença, mas passar despercebido. O sonho secreto da maior parte dos migrantes é ser tornado filho do país. A sua tentação inicial é imitar os seus anfitriões, e por vezes consegue-o. Na maioria das vezes, não. Não tem o sotaque certo, nem o tom certo de cor, nem o nome nem o apelido, nem os papéis necessários, o seu estratagema é rapidamente descoberto. Muitos sabem que nem vale a pena tentar de depois mostram-se por orgulho, por bravata, mais diferentes do que são. Alguns até - tenho de o lembrar? - vão ainda mais longe, a sua frustração desemboca numa contestação frontal.»

(Amin Maalouf - As identidades assassinas. Barcarena: Marcador, 2023, p. 42)

O melhor, mesmo, é lerem este livro.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Caixa do correio - 217

Este ano os franceses celebram, através da edição dum selo, os 100 anos da imigração polaca.
O Campeonato Mundial de Rugby está a decorrer em França até 21 de outubro.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Mar Mediterrâneo

 


O Mar Mediterrâneo já engoliu quase 30 000 migrantes em dez anos. Só desde o início deste ano já lá morreram cerca de 3000 pessoas que queriam chegar à Europa.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Vergonha



A vergonha «é a representação que fazemos de nós próprios como de um ser diminuído.»
Emmanuel Levinas - De l'évasion, 1962

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Un regard sur la pauvreté


No início dos anos 1970, Walter Weiss, um jovem suíço que queria aprender francês, torna-se voluntário da associção Aide à toute détresse (ATD Quart monde) para financiar a sua permanência em França. Entre 1971 e 1973, na sua atividade de voluntário, Walter Weiss fotografa os arredores de Paris. As suas fotografias são um testemunho histórico sobre a grande pobreza, principalmente sobre os últimos momentos do bidonville de Franc-Moisin em Saint-Denis, que desapareceu em 1974. 
Atrás, vê-se o bairro de Franc-Moisin construída para reinstalar as pessoas do bairro de lata.
A exposição mostra outros bairros de lata.
Walter Weiss depositou as suas fotografias nos Archives départementales de la Seine-Saint-Denis, que assim fizeram uma exposição - que pode ser vista a partir do final da tarde e até 21 de setembro - e um catálogo sobre este bidonville que foi habitado por muitos portugueses.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ciao Italia!


Até 10 de setembro, no Palais de la Porte Dorée - Musée de l'histoire de l'immigration, uma exposição permite aos visitantes aprenderem algo sobre um século de história da imigração e da cultura italiana em França, entre 1860 e 1960. Considerada como a imigração mais consequente da história da França, a exposição traça os efeitos deste fenómeno na sociedade francesa. Desde as condições de acolhimento até aos contributos dos italianos para a cultura francesa, esta exposição pretende dar-nos uma visão global desta imigração. 

Uma família napolitana no Boulevard Saint-Germain, 1880.
© Galerie Lumières des Roses



Capa do catálogo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Números



185.000

O número de pedidos de asilo na União Europeia só no primeiro trimestre de 2015, sendo que metade são sírios, kosovares e afegãos. Estes são os migrantes legais , temos depois os outros milhares que chegam à Europa clandestinamente por terra, mar e ar . Uma pressão migratória insustentável .




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Pensamento ( s )



Le problème des migrations sera sans doute un des grands problèmes politiques de l' avenir.


- Michel Foucault, na conferência de imprensa que organizou, e onde conseguiu ter ao seu lado Sartre e Aron, no Collège de France sobre o acolhimento dos boat people salvos no Mar da China. O ano era 1979.

Neste dia em que uma das primeiras notícias que ouvi na rádio foi a entrada ilegal de cinquenta e tal magrebinos em Melilla, agora procurados pelas autoridades do pequeno território espanhol encravado no norte de África.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Imigrantes ilegais na Europa


Este filme escrito e realizado por Costa-Gavras, em 2009, chegou às nossas salas. Às nossas salas, não; a uma única sala de cinema e em Cascais.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Do Atlântico aos Urais ou A importância dos canalizadores

Canalizador- uma profissão que nunca está na lista das com maior prestígio, mas quem já precisou dum praticante numa situação de aflição bem sabe a importância ( e o preço... ) deles. Ainda recentemente, a minha madrinha ficou sem palavras perante a conta e a arrogância de um sr.canalizador. Mas quando se tem a cozinha inundada, é pagar e não bufar...
Tudo isto a propósito de um artigo que li numa revista económica sobre a migração intensa destes e semelhantes profissionais qualificados. Começava na Polónia, onde não é possível encontrar canalizadores polacos pois ques estes estão no Reino Unido e noutros países mais ocidentais. Então quem resolve os problemas dos polacos? Pois são os canalizadores ucranianos. E na Ucrânia quem faz tal serviço? Ora, são os canalizadores cazaques, enquanto que no Cazaquistão quem se ocupa destas tarefas são os importados canalizadores quirguizes. E quem vai para o Quirguizistão? São os canalizadores chineses, que são muitos e estão perto.
A globalização, como nunca a tinha lido. E dei por mim a pensar, dado o estado do país, para onde irão os canalizadores portugueses nos próximos anos e quem os substituirá.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cinenovidades - 141 : O Italiano

Kad Merad é Dino Fabrizzi, vendedor de Maseratis em Nice e sempre a trautear Toto Cutugno, embora na verdade o seu nome seja Mourad Ben Souad, argelino de nascimento...
A promessa que faz ao seu pai, muito doente, de fazer o Ramadão é o início de grandes peripécias familiares e profissionais...
Esta comédia de Olivier Baroux sobre as identidades culturais e a miscigenação estreou-se em Julho nas salas francesas. Gostava de saber como foi recebida em Itália...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Da Alemanha

Acho que não exagero ao dizer que este é o livro alemão mais polémico dos últimos anos, tendo causado uma verdadeira tempestade política e social à sua volta. Escrito por Thilo Sarrazin, um dos directores do Bundesbank e em tempos ligado ao SPD, pretende explicar como a Alemanha se destrói a si mesma, título do livro aliás, abordando temas tão quentes como as migrações e a hereditariedade da inteligência em certos grupos étnicos...
Entretanto, o sr.Sarrazin já veio minorar algumas das afirmações contidas nas suas "teses", mas a polémica nem por isso esmoreceu.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PENSAMENTO(S) - 134


Se a perda de confiança for tal que nem se vota, acabaremos varridos por tumultos.

- Nicolas Sarkozy, há uns meses.

E a confiança dos franceses tem sido abalada sucessivamente: do escândalo da selecção de futebol gaulesa no Mundial da África do Sul, ao escândalo político-social-financeiro L' Óreal/Woerth.
Há dias, foi o problema da habitação social, cruzado com a imigração e as minorias étnicas que foi o centro das atenções, com acusações de violência policial:



quarta-feira, 20 de maio de 2009

Hoje na Gulbenkian


Sob o tema A Imigração e o Multiculturalismo na União Europeia realiza-se hoje um ciclo de conferências na Fundação Calouste Gulbenkian, com a participação de Isabel Mota, António Vitorino, João Cardoso Rosas, José Gabriel Pereira Bastos e Rui Pena Pires.
Sala 1, a partir das 15h.