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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Do Atlântico aos Urais ou A importância dos canalizadores

Canalizador- uma profissão que nunca está na lista das com maior prestígio, mas quem já precisou dum praticante numa situação de aflição bem sabe a importância ( e o preço... ) deles. Ainda recentemente, a minha madrinha ficou sem palavras perante a conta e a arrogância de um sr.canalizador. Mas quando se tem a cozinha inundada, é pagar e não bufar...
Tudo isto a propósito de um artigo que li numa revista económica sobre a migração intensa destes e semelhantes profissionais qualificados. Começava na Polónia, onde não é possível encontrar canalizadores polacos pois ques estes estão no Reino Unido e noutros países mais ocidentais. Então quem resolve os problemas dos polacos? Pois são os canalizadores ucranianos. E na Ucrânia quem faz tal serviço? Ora, são os canalizadores cazaques, enquanto que no Cazaquistão quem se ocupa destas tarefas são os importados canalizadores quirguizes. E quem vai para o Quirguizistão? São os canalizadores chineses, que são muitos e estão perto.
A globalização, como nunca a tinha lido. E dei por mim a pensar, dado o estado do país, para onde irão os canalizadores portugueses nos próximos anos e quem os substituirá.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nós e a globalização...

( Foto de Oleksiy Maksymenko )

Provavelmente, também já receberam esta mensagem por e-mail pois que ela tem circulado bastante no rectângulo, mas ainda assim ela aqui fica:

O Zé dormiu numa almofada de algodão (feita no Egito) e acordou com o despertador (do Japão). Enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (fabricada na República Checa), barbeou-se com a máquina elétrica (feita na China). Vestiu uma camisa (Sri Lanka), calças de marca (Singapura) e um relógio de bolso (Suiça). Depois de utilizar a torradeira (Alemanha), pegou na máquina de calcular (Coreia), consultou a Internet no computador (Taiwan), viu as mensagens do telemóvel (Finlândia). Desligou a TV (Malásia) e o rádio (Índia) e entrou no carro (Itália) para voltar à procura de emprego. E pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em Portugal.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

AS 65 HORAS SEMANAIS



O Conselho Europeu dos ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais aprovou recentemente uma proposta de directiva, que permite aos Estados-membros alargarem o limite do horário semanal de trabalho até às 65 horas, contra as as actuais 48 horas.

Lembro-me de ler durante anos as previsões sobre a vida no ano 2000 e todas elas assentavam na premissa de que com as novas tecnologias, designadamente a robótica, os homens trabalhariam cada vez menos horas, ficando com mais tempo para o lazer e para a família.

A verdade é que, por mais avanços tecnológicos que temos visto nas últimas décadas, com a Era do Computador, a Internet, o teletrabalho, parece que estamos precisamente a caminhar na direcção oposta . Aquilo que era a imagem de marca do Velho Continente - o chamado Modelo Social Europeu- está a ser progressivamente desmantelado, sendo o último exemplo esta assombrosa perspectiva de 65 horas semanais.
Acabaremos a adoptar os modelos asiáticos de muitas horas e baixos salários?
Amigos mais pragmáticos, logo me disseram sobre esta medida : "É a globalização"
Mas se estes são os frutos da globalização, até onde estamos dispostos a ir?