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quarta-feira, 25 de junho de 2014
Citações
Causou aparente surpresa a afirmação, por parte do presidente do grupo de trabalho criado pelo Governo para combater a quebra de natalidade, que há empresas que obrigam " as mulheres a assinar declarações de que não engravidarão nos próximos cinco ou seis anos ".
Aqui ficam mais umas surpresas : há empresas que pagam quatro ou cinco centenas de euros a jovens licenciados; há empresas que, no final dos estágios, propõem a manutenção dos postos de trabalho desde que os jovens aceitem reduções de vencimento que compensem o fim dos subsídios do Estado; há empresas onde a jornada de trabalho começa antes das 9 e termina depois das 22; há empresas que aumentam as responsabilidades dos seus trabalhadores sem acrescentarem remuneração; há empresas em que os trabalhadores são obrigados a rodar entre empresas dos mesmos sócios para evitar passá-los aos quadros. Por fim : há empresários que ainda querem mais flexibilidade e governantes dispostos a concedê-la.
- João Garcia, no Expresso do passado Sábado.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Citações - 114 : Do trabalho infantil...
(...) Os empregaditos de café ou de uma oficinazeca de carpintaria ou de automóveis nunca serão famosos- e por isso nessa área o trabalho infantil é duramente perseguido.
Claro que estas crianças que lidam toiros na arena ou correm em motos em pistas a sério ultrapassam todos os limites do tolerável. Porque aí não são só os pais a autorizá-los a fazer o que fazem, não são só as autoridades a promover esses eventos- é também o público a divertir-se com o espectáculo de crianças a arriscar a vida e às vezes a morrer na pista ou na arena.
Como é possível haver espectadores que exultam a ver meninos a tourear touros em pontas ou a correr em motos a duzentos e tal à hora?
Para os jovens que servem à mesa ou ajudam na carpintaria, porventura ganhando uma profissão, a tolerância é zero- não só em Portugal mas em todo o mundo chamado "civilizado". Mas para o trabalho infantil dos aspirantes a futebolistas, a modelos, a actores de tv, a pianistas, a bailarinos, a toureiros ou a corredores de motos a tolerância é máxima.
É difícil perceber o mundo em que nos movemos.
- José António Saraiva, No trabalho infantil também há ricos e pobres, no Sol de hoje.
A colhida grave sofrida pelo Michelito, o toureiro de 12 anos, na Praça de Calí, Colômbia.
Claro que estas crianças que lidam toiros na arena ou correm em motos em pistas a sério ultrapassam todos os limites do tolerável. Porque aí não são só os pais a autorizá-los a fazer o que fazem, não são só as autoridades a promover esses eventos- é também o público a divertir-se com o espectáculo de crianças a arriscar a vida e às vezes a morrer na pista ou na arena.
Como é possível haver espectadores que exultam a ver meninos a tourear touros em pontas ou a correr em motos a duzentos e tal à hora?
Para os jovens que servem à mesa ou ajudam na carpintaria, porventura ganhando uma profissão, a tolerância é zero- não só em Portugal mas em todo o mundo chamado "civilizado". Mas para o trabalho infantil dos aspirantes a futebolistas, a modelos, a actores de tv, a pianistas, a bailarinos, a toureiros ou a corredores de motos a tolerância é máxima.
É difícil perceber o mundo em que nos movemos.
- José António Saraiva, No trabalho infantil também há ricos e pobres, no Sol de hoje.
A colhida grave sofrida pelo Michelito, o toureiro de 12 anos, na Praça de Calí, Colômbia.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
AS 65 HORAS SEMANAIS

O Conselho Europeu dos ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais aprovou recentemente uma proposta de directiva, que permite aos Estados-membros alargarem o limite do horário semanal de trabalho até às 65 horas, contra as as actuais 48 horas.
Lembro-me de ler durante anos as previsões sobre a vida no ano 2000 e todas elas assentavam na premissa de que com as novas tecnologias, designadamente a robótica, os homens trabalhariam cada vez menos horas, ficando com mais tempo para o lazer e para a família.
A verdade é que, por mais avanços tecnológicos que temos visto nas últimas décadas, com a Era do Computador, a Internet, o teletrabalho, parece que estamos precisamente a caminhar na direcção oposta . Aquilo que era a imagem de marca do Velho Continente - o chamado Modelo Social Europeu- está a ser progressivamente desmantelado, sendo o último exemplo esta assombrosa perspectiva de 65 horas semanais.
Acabaremos a adoptar os modelos asiáticos de muitas horas e baixos salários?
Amigos mais pragmáticos, logo me disseram sobre esta medida : "É a globalização"
Mas se estes são os frutos da globalização, até onde estamos dispostos a ir?
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