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quarta-feira, 19 de março de 2025

Camilo: 200 anos

Os CTT editaram quatro selos e um selo-bloco para comemorar os 200 anos do nascimento de Camilo. Os desenhos dos selos são, respetivamente, de Teresa Lima, Luis Duran, Ruído, Third e André Carrilho. Todos diferentes, todos lindos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

João Paulo Cotrim por André Carrilho


«Este foi o último desenho que fiz em 2021, e o primeiro a ser publicado em 2022. 
«O ano que passou deixa marcas. Perdi o meu pai, perdi um amigo, tanta gente perdeu entes queridos, e o mundo parece continuamente à beira de um abismo que nunca nos deixa de encarar. Que o novo ano traga muito por que continuar.»
André Carrilho

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Love me 2


Esta exposição encontra-se no ateliê/galeria Passevite (R. Maria da Fonte 54, Lisboa) até 6 de março. 
Cristina Sampaio e André Carrilho uniram esforços para desenhar o amor na forma que acharam mais adequada. Ainda que nem sempre o consigam entender, acreditam que o conseguiram ilustrar.
Quero ver se consigo ir ver esta exposição de dois ilustradores que muito aprecio.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A nossa vinheta

Mário de Sá Carneiro por André Carrilho

Mário de Sá Carneiro, cujo centenário da morte foi aqui evocado no mês passado, nasceu em 16 de maio de 1890, numa casa da Rua da Conceição, em Lisboa.
Escolhi este desenho de André Carrilho como vinheta porque me parece que caracteriza bem o grande frequentador de cafés que foi Sá Carneiro.

Cinco horas

Minha mesa no Café,
Quero-lhe tanto... A garrida
Toda de pedra brunida
Que linda e fresca é!

Um sifão verde no meio
E, ao seu lado, a fosforeira
Diante ao meu copo cheio
Duma bebida ligeira.

(Eu bani sempre os licores
Que acho pouco ornamentais:
Os xaropes têm cores
Mais vivas e mais brutais.)

Sobre ela posso escrever
Os meu versos prateados,
Com estranheza dos criados
Que me olham sem perceber...

Sobre ela descanso os braços
Numa atitude alheada,
Buscando pelo ar os traços
Da minha vida passada.

Ou acendendo cigarros,
— Pois há um ano que fumo —
Imaginário presumo
Os meus enredos bizarros.

(E se acaso em minha frente
Uma linda mulher brilha,
O fumo da cigarrilha
Vai beijá-la, claramente)

Um novo freguês que entra
É novo actor no tablado,
Que o meu olhar fatigado
Nele outro enredo concentra.

É o carmim daquela boca
Que ao fundo descubro, triste,
Na minha ideia persiste
E nunca mais se desloca.

Cinge tais futilidades
A minha recordação,
E destes vislumbres são
As minhas maiores saudades...

(Que história de Oiro tão bela
Na minha vida abortou:
Eu fui herói de novela
Que autor nenhum empregou...)

Nos cafés espero a vida
Que nunca vem ter comigo:
— Não me faz nenhum castigo,
Que o tempo passa em corrida.

Passar tempo é o meu fito,
Ideal que só me resta:
Pra mim não há melhor festa,
Nem mais nada acho bonito.

— Cafés da minha preguiça,
Sois hoje — que galardão! —
Todo o meu campo de acção
E toda minha cobiça.

Mário de Sá Carneiro