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domingo, 4 de agosto de 2019

Quem foi Cândido de Oliveira?

Hoje que se joga a Supertaça Cândido de Oliveira era aconselhável que nos numerosos programas de futebol que inundam a nossa televisão, dedicassem uns minutos a Cândido de Oliveira para que as pessoas soubessem que há mais vida para além do futebol, mesmo para quem o pratica.


Durante a II Guerra Mundial, Cândido de Oliveira trabalhou para os Aliados e em 1942 foi preso pela PIDE e enviado para o campo de concentração do Tarrafal onde esteve entre 1942 e 1944. Deixou relato desta experiência em Tarrafal, o pântano da morte:

Lisboa: República, 1974

Em 1945, funda o jornal A Bola com Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo.

Quem quiser conhecer a vida deste cidadão português pode ler a biografia que Homero Serpa lhe dedicou:
Lisboa: Caminho, 2000


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Leituras no Metro - 1005

Estoril: Prime Books, 2012

Um dia destes entrei na Almedina e comprei este livro. Não estava nos meus propósitos. Mário Wilson foi sempre uma pessoa com quem simpatizei. Abri o livro e comecei a ler o prefácio de Almeida Santos, que foi companheiro de Mário Wilson numa República coimbrã por onde passavam Agostinho Neto ou Daniel Chipenda (companheiro de Mário Wilson na equipa da Académica). Mário Wilson já havia passado pela Casa dos Estudantes do Império onde convivera com Marcelino dos Santos, Mário de Andrade, Amílcar Cabral, etc. O prefácio é vivíssimo e testemunho de uma amizade.
O avô de Mário Wilson era Harry Wilson, um judeu americano que foi para a África do Sul e daí passou para Moçambique, onde casou com uma negra.
Mário Wilson jogou no Sporting (onde foi substituir Peyroteo) e na Académica. Foi treinador da Académica (onde começo por ser adjunto de José Maria Pedroto (com quem não se deu bem) e depois do seu mestre Cândido de Oliveira) e do Benfica.
Uma leitura improvável, mas de que estou a gostar imenso.

1949
1956
Sporting, campeão nacional na época de 1950-1951.
Académica de Coimbra, vice-campeã na época de 1966-1967.
Em cima: Mário Wilson (treinador), Maló, Marques, Curado, Gervásio, Celestino, Rui Rodrigues, Pascoal (massagista). Em baixo: Crispim, Ernesto, Artur Jorge, Vítor Campos e Rocha. 
Benfica, campeão nacional na época de 1975-1976.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Futebol nas Letras - 18

Lisboa: A Bola: IN-CM, 2012
€30,00

Este livro de António Simões é muito interessante. Pena é que a construção das frases seja um pouco rebuscada. Só não o li mais depressa dado o tamanho e o peso do livro. Acho que o livro ganhava em ter um formato mais manuseável.
Fiquei a saber algumas histórias como estas:
«Estava a nascer a Associação de Futebol quando alguém entrou na sala a gritar: "Estalou a revolução republicana!"» A reunião de constituição da Associação de Futebol de Lisboa estava reunida no dia 5 de outubro de 1910 no Real Ginasio Club Português.
«Jogadores do Belenenses presos por não fazerem a saudação fascista». Mariano Amaro, Artur Quaresma e José Simões não fizeram a saudação fascista: o primeiro e o terceiro levantaram os braços e cerraram os punhos; o segundo ficou em sentido. A Censura obrigou a revista Stadium a publicar a foto com uns dedos espetados pintados em lugar dos punhos cerrados.
«O guarda-redes que matou o médico do PC e o treinador que esteve no Tarrafal». António Roquete despediu-se da seleção de futebol para entrar para a PVDE como agente. Integrou a brigada que matou o médico António Ferreira Soares.
Cândido de Oliveira, treinador da seleção de futebol e fundador do jornal A Bola, fazia parte da Rede Shell, montada pelos Aliados em Portugal, em 1940, o que lhe valeu ser preso em 1942 e enviado para o Tarrafal.