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quarta-feira, 31 de março de 2021

(Re)Leituras na pandemia - 53

A Comuna de Paris está a celebrar 150 anos e César Oliveira teria feito 80 anos no dia 26.

Porto: Brasília, 1971

Há referências à Comuna n’As Farpas. Destaque nesta coletânea para os textos sobre o Congresso Internacional de Haia de José Fontana e O que é a Internacional? de Antero de Quental por refletirem a influência que a Comuna teve em Portugal. E uma carta de Nobre França para Magalhães Lima sobre a criação de uma delegação da Internacional em Portugal, cuja reuniões preparatórias tiveram lugar a bordo de cacilheiros, vogando no Tejo, por questões de segurança. Nelas participaram três espanhóis – Mora, Morago e Lorenzo, delegados da Internacional – e José Fontana, Antero de Quental e mais dois ou três elementos.
Alguns communards fugiram para Portugal e um polícia francês esteve no nosso país para os tentar localizar, o que fez em colaboração com a polícia portuguesa.

sexta-feira, 26 de março de 2021

quinta-feira, 18 de março de 2021

150 da Comuna de Paris

Léon Chaurac - Le dernir jour de La Commune
Cartaz, 1883

Paris vai comemorar os 150 anos da Comuna com cerca de 150 atividades (conferências, debates, exposições, visitas...) que vão ter lugar a partir de hoje e até 28 de maio. Programa aqui.
Há dez anos vi uma exposição muito boa sobre a Comuna na Faculdade de Medicina de Paris. Este ano também gostaria de poder ver a que se vai fazer. A Comuna durou 72 dias mas teve grande impacto na Europa, e também em Portugal.

domingo, 6 de outubro de 2013

6 de Outubro de 1789



Às 11 horas da manhã, Luís XVI, Rei de França e de Navarra, dirige-se aos ocupantes de Versalhes :

  Mes amis, mes amis, j 'irai a Paris avec ma femme, avec mes enfants. C'est à l'amour de nos bons et fidèles sujets que je confie ce que j'ai de plus précieux.

Assim terminava a jornada revolucionária de 5 e 6 de Outubro de 1789, com a Família Real obrigada a deixar Versalhes e a mudar-se para Paris, depois de quase 24 horas de negociações, de episódios caricatos, das habituais indecisões reais ( teria bastado que o Rei mandasse avançar o Regimento da Flandres e a Guarda Suiça, que guardavam Versalhes, e a história teria sido outra ) e do papel ambíguo ( como foi quase sempre ) de La Fayette que comandava a Guarda Nacional . Após um século, a Corte francesa deixava Versalhes para sempre. O poder régio regressava a Paris, e aí ficaria até à abolição da monarquia em Setembro de 1792.
Voltou pois a ser usado como residência real o Palácio das Tulherias, contíguo e unido ao Louvre, e do qual apenas hoje sobra o jardim que tem o mesmo nome e era o jardim do palácio, desenhado por Le Nôtre. O Palácio das Tulherias não era usado há um século, estava praticamente vazio e foi mobilado com o conteúdo das 100 carruagens que seguiram a Família Real de Versalhes para Paris.
Hoje não existe Palácio das Tulherias, não por culpa dos revolucionários de 1789, mas por culpa de outros bem piores : os da Comuna de Paris, de 1871, que incendiaram o Palácio, queimando todos os seus interiores, tal como incendiaram o Louvre ( que teve mais sorte : ardeu a biblioteca, mas salvou-se quase por milagre o museu ) e outros edifícios históricos de Paris. Ficaram as ruínas, que 11 anos depois com grande polémica foram completamente demolidas e vendidas as pedras. Uma parte destas serviu para construir o Château de La Punta em Ajaccio, na Córsega, e outras estão dispersas pela cidade de Paris em museus e praças públicas em memória do que foi o velho palácio que alguns até querem reconstruir, e assim ampliar o espaço expositivo do Louvre que continua sem poder mostrar muitas das suas preciosas reservas.
                                       
( Château de La Punta, Ajaccio, Córsega )

domingo, 19 de junho de 2011

A Comuna em exposição

Em Março de 1871 o povo de Paris revolta-se, toma o poder e cria a Comuna. Entre 18 de Março e 21 de Março vive-se uma espécie de festa revolucionária, na qual participam, segundo se crê, cerca de 300000 parisienses. Editais da Comuna anunciam medidas, como o fim do trabalho nocturno e a separação da Igreja e do Estado.
É a esta festa revolucionária e ao seu trágico final que a Câmara de Paris dedica uma exposição magnífica no refeitório do antigo Convent des Cordeliers, na rue de l'École de Médicine. Mais uma vez refiro que foi pena não terem elaborado um catálogo.
Uma nota só para referir que me dirigi ao edifício da Câmara para ver esta exposição. Um dos porteiros disse-me que ela tinha terminado. Entrei para ver uma outra exposição que está no local - falarei dela um dia destes - e um visitante que ouviu a pergunta é que me veio informar que a exposição se encontrava no Convent des Cordeliers. Foi uma oportunidade para ver o local, a que já me referi no Prosimetron. Mas lá como cá, a informação não passa.
 
Clément-Auguste Andrieux (1829-1880) - La queue à la boucherie, 1871
Óleo sobre tela
Paris, Musée Carnavalet
Auguste Lepère (1849-1918) - Épisode de la Commune, rue des Rosiers à Montmartre
Óleo sobre tela, 1875
Paris, Musée Carnavalet
Maximilien Luce (1858-1941) - Exécution de d'Eugène Varlin
Óleo sobre tela
Col. particular

domingo, 29 de maio de 2011

O tempo das cerejas

Esta canção e o seu significado já andou aqui pelo Prosimetron. Volta hoje na voz de Yves Montand, a voz com que era recordada no comentário...

le temps de cerises

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Renoir na Comuna


«Renoir que regresó a Paris a princípios de mayo, no perdió la vida de milagro. Monto el caballete a orillas del Sena y se puso a observar los reflejos amarillos y dorados del sol sobre elagua. No presto atención a um grupo de la Guardia Nacional que se había detenido a mirar su obra. Convencidos de que era un espia de las tropas de Thiers para informarles de las actividades de la zona, lo condujeron hasta el ayuntamiento del sexto arrondissement, donde había un escuadrón de fusilamiento de servicio. Mientras lo sacaon para fusilarlo, reparo por casualidade n un hombre vestido de unforme, com una fajã tricolor ceñida a la cintura, rodeado de un grupo de oficiales también impecablemente vestidos. A pesat del atuendo militar, Renoir reconoció en él al desconocido al que se habíencontrrado, unos años antes, en el bosque de Fontainbleau, donde se hallaba pintando cuando, de repente, un joven harapiento salió a trompicones de entre los matorrales y le dijo que se llamaba Raoul Rigaud, periodista republicano al que perseguían las autoridades. El pintor le dio un delantal y un equipo de pintura y le dijo que se hiciera pasar por artista. Ahora, en el ayuntamiento de la capital, Renoir consiguió atraer la atención de Rigaud, convertido en jefe de policía de la Comuna, que lo reconoció immediatamente. Los demás, al verle corriendo hacia Renoir, cambiaron de actitud. Renoir fue conducido a través de dos líneas de soldados hasta un balcón que daba a la plaza, donde se hacongregado una gran multitud para presenciar la ejecución del espía. Rigaud les hizo cantar La Marsellesa en honor del "ciudadano Renoir", el cual se asomó al balcón entre tímidos gestos de agradecimiento. Se le dio un salvoconducto, con el que recuperó la libertad. Aquel fue con toda probabilidad el último acto de humanidad por parte de Rigaud. El 24 de mayo, a los veinticuatro años de edad, fue abatido en la calle Gay-Lussac, donde su cadáver permaneció dos dias enteros sin que nadie se ocupara de él.»
Sue Roe - Vida privada de los impresionistas. Madrid: Turner, 2008, p. 125

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Causas da decadência...


«Há em todos nós, por mais modernos que queiramos ser, há lá oculto, dissimulado, mas não inteiramente morto, um beato, um fanático ou um jesuíta.» (Antero)

Foi no dia 27 de Maio de 1871 que Antero de Quental pronunciou esta conferência no Casino Lisbonense.
Antero tinha aberto as Conferências Democráticas no dia 19 do mesmo mês. Ramalho Ortigão escreveu n'As Farpas: «É a primeira vez que a revolução, sob a sua forma científica, tem em Portugal a palavra.» (Maio 1871).


No mesmo dia, 27 de Maio de 1871, terminou a Comuna de Paris.

sábado, 23 de maio de 2009

Os meus franceses - 70


Georgette Lemaire - «Le temps des cerises»

Esta canção de amor, de 1866-1868, da autoria de Jean-Baptiste Clément e Antoine Renard, tornou-se, depois do massacre de que foram vítimas os comunardos, o símbolo das aspirações da Comuna de Paris.

Quand nous chanterons le temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au cœur.
Quand nous chanterons le temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur.

Mais il est bien court le temps des cerises
Où l'on s'en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d'oreilles
Cerises d'amour aux robes pareilles
Tombant sous la feuille en gouttes de sang.
Mais il est bien court le temps des cerises
Pendants de corail qu'on cueille en rêvant.

Quand vous en serez au temps des cerises
Si vous avez peur des chagrins d'amour
Evitez les belles
Moi qui ne crains pas les peines cruelles
Je ne vivrai point sans souffrir un jour.
Quand vous en serez au temps des cerises
Vous aurez aussi des peines d'amour.

J'aimerai toujours le temps des cerises
C'est de ce temps là que je garde au cœur
Une plaie ouverte
Et dame Fortune en m'étant offerte
Ne pourra jamais calmer ma douleur.
J'aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au coeur.