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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pico della Mirandola

Florença, Uffizi

No âmbito das comemorações dos 550 anos do nascimento de Giovanni Pico della Mirandola, o Museu de Artes Decorativas Portuguesas Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva apresenta uma exposição de tesouros bibliográficos deste humanista europeu, bem como de obras de autores do Renascimento por ele influenciados, a partir da coleção de José V. de Pina Martins, propriedade do BES. 
A exposição pode ser vista a partir de hoje e até 22 de setembro no Largo Portas do Sol, em Lisboa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Otto von Habsburg-Lothringen, do século XIX ao XXI





Algumas notas sobre a morte que me marcou hoje o dia, misteriosamente o de Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal.

1) Foi sem dúvida um dos melhores, se não mesmo o melhor Chefe dos Habsburgos (propriamente ditos ou já Lorenas, tanto faz). Como seria a Europa se tivesse acedido ao trono, não digo já o austro-húngaro, mas apenas a um dos da antiga monarquia danubiana?




2) Nascido no estertor do século XIX, não viu passar ao lado o século XX e antecipou aquele em que nos encontramos. A sua acção na queda da Cortina de Ferro está demasiado na sombra, apenas evocada, simbólica mas insuficientemente, pelo piquenique da Paneuropa.

3) Otto von Habsburg não precisou de nenhum trono para ser um "imperador" da Europa, não se fechando em nostalgias passadas. De algum modo o herdeiro de Carlos Magno, assumiu como missão pessoal o empenho, individual mas também familiar, material como simbólico, na construção de uma União Europeia, verdadeiramente continental. Nunca se conformou com a redução da Europa à sua metade ocidental, nem esqueceu os povos do Império que ficaram do lado errado do Muro.




4) A sua morte, nestes tempos de, este sim verdadeiramente trágico, défice de liderança europeia, suscita negros presságios, que só poderão dissipar-se com o respaldo das três colinas, Atenas, Roma e Jerusalém, resumo dos valores civilizacionais que nesta parte do Mundo se foram caldeando nos últimos três milénios.

5) Trineto de D. Maria II, pelo lado paterno, era bisneto de D. Miguel I pelo lado materno. Sempre ouvi referir o seu grande afecto por Portugal e ao quinhão do seu sangue que daqui provinha. A sua inclusão no número dos que beneficiaram de visto do Consulado em Bordéus, mais do que sentido humanitário, revestiu foros de justiça histórica.


Daqui a doze dias, será a vez do menino de caracóis, que acompanhava o caixão do seu tio-bisavô, seguir provavelmente o mesmo caminho, solicitando debalde entrada na cripta dos Capuchinhos com todos os seus títulos, finalmente implorando abrigo para um pobre pecador.



Para os crentes, é bonito pensar que hoje se terá voltado a reunir este trio de há 95 anos.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

IN MEMORIAM Jacqueline de Romilly

Foi no passado dia 18 que morreu Jacqueline de Romilly (1913-2010), aos 97 anos. Para quem não a conhece, vou simplificar: era a M.Helena da Rocha Pereira dos franceses. Uma vida inteira dedicada ao Grego, mas também à defesa das línguas antigas sempre ameaçadas a cada reforma educativa, e mais recentemente deu também o seu contributo a causas de cidadania, especialmente as ligadas à Cultura.
Senhora de um currículo impressionante- professora da Sorbonne, foi a primeira mulher a ensinar no Collége de France (1973), dois anos depois foi também a primeira mulher eleita para a Académie des inscriptions et belles-lettres (presidindo a esta em 1987) e foi a segunda Imortal ( a primeira foi Yourcenar como se devem lembrar ), ocupando desde 1989 a cadeira nº7 da Académie Française-, a sua morte deixa realmente mais pobre a França e quem se interessa pela Grécia Antiga. Ficam, no entanto, os seus quarenta livros, um monumento de exegese da cultura grega antiga.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Citações - 117 : Robert de Montesquiou

James Abbott McNeill Whistler (1834-1903), Arrangement in black and gold, Comte Robert de Montesquiou, 1891-92, óleo sobre tela, The Frick Collection, Nova Iorque.


Je suis le souverain des choses transitoires.

Escreveu Robert de Montesquiou-Fezensac ( 1855-1921), mais conhecido como Robert de Montesquiou, membro de uma das famílias da chamada nobreza imemorial com dezenas de antepassados ilustres, numa fotografia que enviou ao seu amigo Marcel Proust.
Proust que, tal como fez com tantos outros dos seus amigos, "parasitou" a vida de Robert como matéria literária para a Recherche: foi Robert de Montesquiou um dos inspiradores da personagem Barão de Charlus.
Robert de Montesquiou, dandy, coleccionador, esteta e escritor, foi sobretudo um guru para a geração fin-de-siècle, já que mesmo em vida a sua produção literária foi pouco considerada, tanto a poesia como os romances. Hoje, ninguém o lê.
No entanto, devemos-lhe muito. Foi a sua fortuna que apoiou financeiramente Mallarmé, Verlaine, Debussy, Fauré e outros. Apostas que fez e que ficam a seu crédito.
Quando pensei em "ilustrar" esta citação, ocorreu-me naturalmente o retrato que melhor se conhece dele, a enorme tela pintada por Giovanni Boldini e que domina uma parede no Museu D' Orsay ( pelo menos dominava na última vez que lá estive ), mas acabei por escolher este retrato pintado por um seu amigo, o norte-americano James Whistler.
A personalidade e o estilo de vida de Robert de Montesquiou não tiveram só tradução literária em Proust, já que inspiraram outros escritores: Huysmans à cabeça, que se baseou nele para criar Jean Des Esseintes, protagonista de À Rebours, um dos livros que mais perturbou a minha adolescência.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A divisa prosimetrónica

E o incipit voltou. Agora acompanhado desta imagem de um dos maiores dramaturgos romanos, e o primeiro nascido em África ( Cartago? Líbia? ), Terêncio, cujas 6 comédias escritas durante o período republicano foram representadas durante séculos e sobreviveram até aos nossos dias.
A frase escolhida é da segunda comédia terenciana, Heautontiromeunos ( O homem que se puniu a si mesmo ), e pode ser traduzida como: Sou homem, nada do que é humano me é alheio.
Esta frase, já aparecida por mais do que uma vez nestas páginas, parece-nos uma boa divisa para complementar o título grego do próprio blogue. A cultura greco-latina, sem olvidar os contributos provindos de Jerusalém, é realmente a base da nossa civilização e nunca é demais lembrá-lo nestes dias em que tantas vezes se louva apenas o contemporâneo.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

FERNANDO PESSOA

O Bureau Internacional das Capitais de Cultura revelou esta semana que Fernando Pessoa foi eleito uma das 50 personalidades que mais influenciaram a cultura europeia. O resultado foi obtido através de uma votação realizada em universidades de vários países europeus.