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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Leituras no Metro - 224

Lisboa: Âncora, 2015

Nesta antologia, viajamos por Lisboa, da Ajuda à Almirante Reis e ao Bairro Alto até Alfama.


«Lisboa é a mão em concha. Vejam-lhe o recorte macio, o límpido volume das sombras, as teias reticulares de que as ruas se tecem. a mão de um coração que se repete com o nítido impudor, desde que o cruzado Osberno a narrou com a densidade leve dos grandes cronistas.»
Baptista-Bastos 

sábado, 14 de agosto de 2010

Do universo do poema para uma tela...

Na Galeria Nacional Húngara estava a decorrer uma exposição sobre o futurismo dedicada a Fortunato Depero a quem voltarei. Juntaram a Depero um conjunto de pintores húngaros. Kádár Bela era um dos que fazia parte do grupo. A tela de Béla pode não ser o paradigma de uma pintura futurista mas estava incluída na exposição.
Gostei desta tela porque debaixo das estrelas pode contemplar-se o universo em verso e chegar à conclusão que no homem tudo é exíguo, como expressa o poeta Bábits Mihály.

Kádár Béla (1877-1956), Debaixo das Estrelas, c. 1923


Colecção privada, exposição temporária na Galeria Nacional Húngara, Budapeste, Hungria

O EPÍLOGO DO LÍRICO

Só eu posso ser herói de meus versos
nas minhas canções, início e fim:
desejo pôr em verso o universo,
mas não pude ir além de mim.

E creio. já, que nada existe fora
de mim, mas, se sim, porquê sabe Deus.
Noz cega fechada na casca, ora
espero que a partam em desgostos meus.

Do mágico círculo sair não
sei. Só a flecha do desejo tem
saída - mas, sei, de voo incompleto.

Eu fico, de mim mesmo a prisão,
porque eu sou sujeito e objecto,
ai, alfa e ómega sou também.

Babits Mihály, in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p.1244 ( tradução Ernesto Rodrigues)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para c.a.


Por tudo e todos eu sou amado -
foi no amor que me tornei humano.

Flora, Flora sorri, afinal,
por ter sido ela a fazer-me real.

Homem sou e sou tão feliz quais,
se as houvesse, as coisas eternais.

József Attila (1905-1937)
In: Antologia da poesia húngara / sel. e trad. Ernesto Rodrigues. Lisboa: Âncora, 2002, p. 222

Por me ter lembrado deste poeta de que gosto muito. Espero que também seja do seu agrado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Folhetim

A propósito do Paraíso que anda por aqui...


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Júlio César Machado (1835-1890), um dos grandes folhetinistas portugueses.

O folhetim nasceu em França, no tempo do Consulado, com o padre Julien-Louis Geoffroy (1743-1814), que publicava as suas críticas dramáticas na parte inferior da página do Journal des Débats. Durante o século XIX, na coluna folhetim saiam críticas literárias, musicais e teatrais, bem como poesias e romances, sem do que, no século XX, o folhetim passou a publicar quase exclusivamente romances. Cultivaram o folhetim em Portugal, entre centenas de outros, A. P. Lopes de Mendonça, Júlio César Machado, Visconde de Benalcanfor, Alberto Pimentel, Camilo, Luís Augusto Palmeirim, etc.
Um dos últimos casos, que me recordo, de um folhetim, em Portugal, foi a publicação em O Jornal de E se tivesse a bondade de me dizer porquê?, de Clara Pinto Correia e Mário de Carvalho.
Ernesto Rodrigues dedicou ao assunto um estudo: Mágico folhetim (Lisboa: Ed. Notícias, 1998).
(Bibl.: GEPB)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Sándor Petőfi


Casa em Kiskőrös (Hungria), onde Petöfi nasceu em 1 de Janeiro de 1823.


Monumento a Petöfi, em Budapeste.

Petöfi Sándor, como dizem os húngaros, herói da Revolução de 1848, foi um grande poeta. Dois exemplos, em belas traduções de Ernesto Rodrigues.

O TRIGO MADURA...
O trigo madura,
são quentes os dias,
cedo, na segunda,
vou ceifar as espigas.
O amor madura,
ferve o coração:
sê tu segador,
única paixão!
Peste, Julho-Agosto de 1848

EFÉMERO...
É rei dos reis o efémero.
Seu grande palácio, este mundo.
Passeia-se dentro e fora,
e não há lugar onde não vá,
e onde chega, onde põe o pé,
tudo perece... Jazem, ao redor,
dispersos, coroas desfeitas,
flores murchas, corações fendidos.
Szaljszentmárton, antes de 10 de Março de 1846

In: Antologia da poesia húngara / sel. e trad. Ernesto Rodrigues. Lisboa: Âncora, 2002