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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Citações



(...) A questão é que o sindicato dos pilotos se comporta, não como um baluarte da luta pelos direitos laborais, mas sim como o representante de uma corporação nociva ( passe o pleonasmo ). Não é aceitável que o País possa ficar refém de uma corporação, seja ela a dos pilotos aviadores, a dos pilotos de barra ou a dos camionistas - como já aconteceu . Os sindicatos convocam greves para lutar por melhores condições salariais, ou de trabalho . Não para boicotar decisões políticas que competem ao poder executivo - como, por exemplo, a opção pela privatização. E muito menos para proteger o interesse capitalista dos seus associados uma fatia das empresas. A lei da greve permite isto ? Não devia .

- Filipe Luís, na Visão .

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Novidades


As causas da crise :

 " A facilidade com que, sujeitos aos interesses de bancos e construtoras, vários governos desde os de Cavaco Silva, assinaram os contratos explica a razão fundamental da dívida e da posterior intervenção da troika. E é algo que só a incompetência, a corrupção e/ou o financiamento partidário podem explicar. "

" Nunca nos questionámos como podíamos pagar. "

" O eleitorado votou sempre em quem prometia o melhoramento, o fontanário, a estrada alcatroada "

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Citações - 196


(...) Sem demagogia, as pensões vitalícias para os antigos detentores de cargos políticos obedecem a um princípio justo: trata-se de os compensar pela, hipoteticamente irrecuperável, interrupção das carreiras privadas, durante o período em que serviram a causa pública. Ora, a realidade é que, na quase totalidade dos casos, os ex-políticos conseguiram, na actividade privada, depois de terem deixado os cargos, colocações bem melhores e mais bem pagas do que anteriormente. Ou seja, o motivo incial da atribuição da pensão foi completamente pervertido. Apesar disso, continuaram a auferir desse benefício, que o erário público suportou alegremente. Em Portugal, o exercício da actividade política é uma catapulta para altos voos na privada. Em vez de receberem uma pensão, estes cidadãos deviam pagar um imposto.

- Excerto de A guerra dos mundos, na Visão desta semana.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Citações - 186

(...) Impávido e sereno, o ministro das Finanças, com aquele ar de quem não parte um prato, lá vai anunciando, no mesmo tom monocórdico com que pedirá uma meia de leite, o aumento de impostos. Ele tem o condão de diluir as más notícias num discurso sonolento e técnico. E, quando damos por ela, já nos tramaram. Era como se um vago conhecido chegasse ao pé de nós, vindo directamente da terra dos nossos parentes e nos dissesse: " o padre mudou, abriu um novo café, o seu pai morreu e apanhei muito bom tempo.".

- Filipe Luís, Espantar as moscas, na Visão.

sábado, 4 de junho de 2011

Citações - 171


(...) Tivemos campanhas autistas  e infantilizantes, discursos paupérrimos, lideranças rascas ou limitadas. Mas pior: assiste-se a uma ausência total de equipas que, à falta de melhores líderes, nos dessem uma pista sobre os nomes ( nomeadamente para as Finanças ) que vão conduzir  os nossos destinos colectivos. Foi tudo demasiado mau.
E, no entanto, não podemos demitir-nos. Desta vez, votaremos por palpite. E usaremos a nossa intuição, de povo sábio e antigo, para descortinar qual será o mal menor. Como quase sempre, acabaremos por acertar.

- Filipe Luís, Cara ou coroa, na Visão.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Ai Carolina

" (...) A « aleivosa» de hoje caminha, desprotegida, à porta de um tribunal, depois de cumprir um dever de cidadã. De testemunha de um processo, passa a ré do povo. Complacentes, dir-se-ia que concordantes- porque ela, afinal, tem o que merece-, as autoridades, tão brutas noutras ocasiões, fecham os olhos à agressão e ao vilipêndio. São vergonhosamente coniventes, sem que o poder político, o Ministério da Administração Interna ou o Ministério da Justiça esbocem um pestanejar.
Esta mulher já teve as costas quentes, manobrou o príncipe, manipulou-o, ofereceu-se-lhe em troca do poder total. Falta imperdoável! Ela ocupou o lugar que era de outras, das sérias, das bem-comportadas, das fidelíssimas.
Já nem são os súbditos do príncipe, os homens, os adeptos ou os hooligans quem a persegue ou abjura. São as súbditas, as mulheres, quem não lhe perdoa o indecoro nem a ousadia. São elas que realmente a odeiam, insultam e vituperam, a ela que se serviu da arma feminina mais poderosa- a da sedução-, a única que nunca poderão perdoar-lhe. Carolina Salgado não foi vítima das suas origens, nem é, sequer, culpada da sua traição ao reino do FC do Porto e ao príncipe Pinto da Costa, o papa. Que, como D.Fernando, não é mandante ou autor de qualquer crime, mas, desresponsabilizado pela sua condição de homem, apenas vítima. Não. Não é a culpa dos actos que persegue Carolina: ela está a pagar pelo facto de ser mulher. E a sofrer na pele os efeitos lusitaníssimos do pior dos machismos: o das outras mulheres. "

- Filipe Luís, Requiem por Carolina Salgado, in VISÃO de 12 de Março de 2009.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Citações - 11 : Sobre o património

" (...) Um país que não preserva, não divulga e não reutiliza o seu património edificado é um país inexistente, sem memória e sem identidade. Os monumentos de que fala a reportagem [ do Expresso ] , o Convento de Cristo, em Tomar, a Batalha, o Mosteiro de Alcobaça, a Sé de Lisboa, são testemunhos de pedra, e vítimas silenciosas, indefesas, da criminosa negligência e do alarve pato-bravismo de todos os governos dos últimos 30 anos, de que o actual Executivo de Sócrates em nada se distingue. Vítimas da irresponsabilidade da classe política, central e autárquica, analfabeta, boçal e gananciosa. Exemplos de recuperação, como o do Mosteiro de Tibães, em Braga, ou o caso de Mértola em pouco alteram o estado de coisas: cuidar do património, promover a História, divulgar os tesouros nacionais, cá dentro e lá fora, parece não render votos. O exemplo de Foz Côa é elucidativo. Mas quando se deixa cair a januela manuelina de Tomar, o caso é de polícia. Quem se senta no banco dos réus? (...) "

- Filipe Luís, in VISÃO de 8 de Janeiro de 2008.

Vale a pena ler o artigo na íntegra, que toca realmente nesta ferida colectiva que nunca chega aos noticiários das 8 da noite, nem à Assembleia da República. Quando se salvam bancos privados com massivas injecções de capital para "não prejudicar a imagem do país", é escandaloso não perceber que a imagem do país, especialmente num país que se quer como destino turístico, passa necessariamente pelo estado dos seus monumentos. Até porque a grande maioria dos visitantes não vem pela arte contemporânea ( e atenção que nada tenho contra vanguardas ) nem pelos ALLGARVES do ministro Pinho.