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quarta-feira, 3 de março de 2021

Jean Harlow dixit?


«[Brunetti] pensou numa história, certamente apócrifa, que ouvira certa vez acerca de uma estrela do cinema americano - seria Jean Harlow? Dizia-se que, quando lhe ofereceram um livro pelo seu aniversário, ela o desembrulhou e olhou para ele, e depois disse: "Um livro? Já tenho um livro."»
Donna Leon - Quem vê caras. Trad. de Rita Carvalho e Guerra. Lisboa: Relógio d'Água, 2017, p. 45

terça-feira, 18 de maio de 2010

Grauman's Chinese

Celebra-se hoje o aniversário do Grauman's Chinese Theatre, em Hollywood, um dos locais mais icónicos da exibição cinematográfica no mundo. Inaugurado em 1927 com "The King of Kings" de Cecil B. DeMille, foi financiado pelo empresário Sid Grauman e por Mary Pickford, Douglas Fairbanks e Howard Schenck. Veio a conhecer múltiplas estreias e chegou a ser o local anfitrião de três cerimónias dos Óscares. É particularmente conhecido por ter no chão à sua frente as impressões em cimento de cerca de 200 estrelas de cinema, incluindo Gloria Swanson, Joan Crawford, Jean Harlow, Clark Gable, Fred Astaire, Judy Garland, Barbara Stanwyck, Cecil B. DeMille, Gene Tierney, Bette Davis, Elizabeth Taylor, Rock Hudson, Julie Andrews -- enfim, um "who's who" da 7ª Arte norte-americana, desde os primórdios até aos dias de hoje: mais recentemente, recebeu as impressões e varinhas mágicas das estrelas dos filmes de "Harry Potter" (Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint), bem como as marcas indeléveis de Meryl Streep, da equipa de "Star Trek", de Hugh Jackman, Anthony Hopkins ou Brad Pitt. Está imortalizado pelo próprio cinema (por exemplo em "A Star Is Born", com Janet Gaynor) e na música (por exemplo no musical de Andrew Lloyd Webber, "Sunset Boulevard"). Deixo-vos o excerto relevante da letra e uma representação em vídeo.
By this time next year I will get my foot in the door Next year I know I'm going to score an amazing success Cut to the moment when they open the envelope Pass the statuette to Bob Hope and it's my name you hear We'll be down on our knees outside Grauman's Chinese Palm prints there on the street immortality's neat! This time next year, this time next year. We'll have nothing to fear contracts all signed Three-pictures deal yellow brick road career Hope we're not still saying these things this time next year.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Em busca de filmes perdidos

Tenho andado afanosamente em busca de filmes "perdidos". Com alguns sucessos pelo caminho, continuo a defrontar-me com (1) a inexistência de certos filmes ou séries televisivas em DVD; (2) quando existem, são de fraca qualidade de imagem e/ou de som. Como eu gostava de encontrar boas cópias de certos filmes!
Entretanto, este post surge porque consegui encontrar várias pérolas (ainda não os recebi, não sei em que estado estarão), incluindo:
- "The Painted Veil"(1934), com Greta Garbo
- "Saratoga" (1937), com Clark Gable e Jean Harlow
- "A Louca de Chaillot" (1969), com Katharine Hepburn
- "Green Mansions" (1959), com Audrey Hepburn e Anthony Perkins
- "The Affairs of Anatol" (1921), com Gloria Swanson
- "Mannequin" (1937), com Spencer Tracy e Joan Crawford
- "Shanghai Express" (1932), com Marlene Dietrich
- ...
Não consigo encontrar
- "Red Dust" (1932), com Clark Gable e Jean Harlow, que não vejo há anos!;
- "Two Faced Woman" (1942), de George Cukor com Greta Garbo;
- "Four Just Men" (1959), a série baseada nas histórias de Edgar Wallace; e
- "Fantômas" (1980), a série televisiva franco-alemã com Helmut Berger e Gayle Hunnicutt.
Vou continuar à procura.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Signo Caranguejo: George Cukor, o realizador de mulheres

George Cukor nasceu a 7 de Julho de 1899 e faleceu a 24 de Janeiro de 1983. Entre os seus filmes, contam-se muitas das pedras preciosas de Hollywood; há dez que estão no meu panteão (e vários que me falta ver, espero aumentar o leque):
  • A encantadora comédia pré-código "Dinner at Eight" (1933), com Jean Harlow, John e Lionel Barrymore, Wallace Beery e Marie Dressler, misturando a comédia de costumes com a Grande Depressão;
  • "Camille / A Dama das Camélias" (1936), com Greta Garbo no papel de Marguerite Gauthier;
  • "The Women" (1939), um inteligente exercício em "Sex and the City" que não perdeu com o tempo, com mais de 130 actrizes e nenhum actor, incluindo Norma Shearer, Joan Crawford, Rosalind Russell, Paulette Goddard, Joan Fontaine e Hedda Hopper;
  • A obra prima "The Philadelphia Story" (1940), com Katharine Hepburn, James Stewart e Cary Grant imortalizados em celulóide como Tracy Lord, Macaulay Connor e C.K. Dexter Haven;
  • The Philadelphia Story (1941)

  • "Gaslight" (1944), sobre o qual já falei;
  • "I'll Be Seeing You" (1944), o mais fantástico (e esquecido) filme de Natal, realizado por William Dieterle (Cukor não aparece nos créditos), em que Cukor foi chamado por Selznick para re-gravar parcialmente - e vê-se como um Cukor;
  • "Adam's Rib" (1949), comédia "guerra dos sexos" em torno a um caso de uma mulher (Judy Holliday) acusada de alvejar o marido que a enganava, defendida em tribunal por uma feminista (Katharine Hepburn) e acusada pelo marido desta (Spencer Tracy);

Adam's Rib (1949)

  • "Born Yesterday" (1950), com Judy Holliday e William Holden, outra comédia hilariante que conseguiu o Óscar de Melhor Actriz para Judy Holliday;
  • "A Star Is Born" (1954), remake do drama dos anos 30, com Judy Garland como Esther Blodgett/Vicki Lester, James Mason como Norman Maine e a canção "The Man Who Got Away";
  • "My Fair Lady" (1964, com Audrey Hepburn e Rex Harrison).
Em termos de marcos na história do cinema, realizou os últimos filmes de duas das grandes divas dos anos 30: "Two-Faced Woman" (1941), com Greta Garbo, e "Her Cardboard Lover" (1942) com Norma Shearer (é curioso; nos anos 30, a maior estrela do cinema norte-americano era a mulher de Irving Thalberg, que a posteridade não favoreceu). Katharine Hepburn actuou em 10 dos seus filmes (incluindo três com Spencer Tracy e dois para televisão). Esteve envolvido na produção de "The Wizard of Oz / O Feiticeiro de Oz" e "Gone With the Wind / E Tudo o Vento Levou", tendo sido o realizador indicado para este último antes das manipulações Selznick / MGM o terem afastado. Era também o homem do leme no mítico "Something's Got to Give", o último filme (inacabado) de Marilyn Monroe.
O seu último filme, "Rich and Famous", com Jacqueline Bisset e Candice Bergen, data de 1981.
O título de "realizador de mulheres" nunca lhe agradou - costumava salientar que nunca nenhum outro realizador tivera tantos actores a conseguir o Óscar de Melhor Actor (James Stewart com "The Philadelphia Story", Ronald Colman com "A Double Life" e Rex Harrison com "My Fair Lady").
Uma nota para a sua vida fora do écran: os seus famosos domingos em Hollywood eram garantia de boa vida em ambiente de beautiful people, reunindo amigos como Gene Tierney, Judy Garland, Katharine Hepburn e Spencer Tracy, Laurence Olivier e Vivien Leigh, Joan Crawford e o seu marido Douglas Fairbanks, Jr. , Noel Coward, Cole Porter, James Whale, Lauren Bacall e Humphrey Bogart, Claudette Colbert, Marlene Dietrich, Edith Head ou Norma Shearer.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

L.B.


Louis B. Mayer, nascido a 4 de Julho de 1884, faleceu a 29 de Outubro de 1957. Co-fundador da Metro-Goldwyn-Mayer, os estúdios de cinema de Hollywood, é muitas vezes indicado como criador do "star system" e a sua aposta era que a MGM tivesse "more stars than there are in the heavens". E que estrelas: o rol deixaria qualquer firmamento feliz - Greta Garbo, Joan Crawford, Clark Gable, Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Norma Shearer, Lon Chaney, Jean Harlow, Judy Garland, Debbie Reynolds, Leslie Caron, John Gilbert, William Haines, Buster Keaton, William Powell, Myrna Loy, Robert Taylor, Wallace Beery, Jeanette MacDonald, Nelson Eddy, John Barrymore, Lionel Barrymore, Fred Astaire, Gene Kelly, Elizabeth Taylor, Frank Sinatra, Johnny Weissmuller, Charles Laughton, os irmãos Marx, Luise Rainer, Robert Donat, Greer Garson, Lana Turner, Leslie Howard, Rosalind Russell, Paulette Goddard, Tyrone Power, George Cukor, King Vidor, Clarence Brown, Eric von Stroheim, Tod Browning, Victor Seastrom. Abençoada a visão de Billy Wilder e a reminiscência imaginária de um passeio pelos estúdios da MGM ao som de "As If We Never Said Goodbye" (a Paramount que me perdoe o abuso).

"His MGM was a film factory, with stars as assembly-line workers and a hit formula: chaste romance, apple pie and Andy Hardy.
He was the master manipulator, and it was generally acknowledged that of all the great actors on the lot — the Barrymores, Spencer Tracy, Lon Chaney, Garbo — L.B. was No. 1. When Robert Taylor tried to hit him up for a raise, L.B. advised the young man to work hard, respect his elders, and in due time he'd get everything he deserved. L.B. hugged him, cried a little and walked him to the door. Asked, "Did you get your raise?" the now tearful Taylor is said to have answered, "No, but I found a father."

in Time, 100 Builders and Titans, Dec. 7, 1998