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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Leituras no Metro - 997

Paris: La Table Ronde, 2012

Jean-Paul Caracalla leva-nos a passear pelos grands boulevards da capital francesa, através de personagens (recentes e antigos) que viveram ou usufruíram desses locais. Ficamos a conhecer a transformação dos lugares (a evolução de Paris) e pequenas histórias.
Sabia que a mãe de Céline teve uma loja de lingerie de luxo na passagem Choiseul? Em Morte a crédito, o romancista batiza o local como «passage des Berezinas».



O Museu Grévin abriu portas em 10 de janeiro de 1882. E o que podíamos ver no museu, então? Massenet a ouvir o seu amigo Gounod, sentado ao piano; Mounet-Slly como Édipo-Rei; Alexandre Dumas e Victorien Sardou junto de Victor Hugo; Ferdinand Lesseps mostra à filha ode fica o istmo do Panamá num globo terrestre Paul Kruger fma o seu cachimbo no Transval; Louise Michel acaricia o seu gato por etrás das grades da prisão; e Gambetta repousa no caixão. 
Os tempos mudam e os gostos também, de modo que muitas destas esculturas devem ter sido substituídas por outras. mas não sei porque nunca entrei neste museu.

O Museu Grévin na atualidade.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Esplanadas de Paris - 12

Ca 1900.

«As esplanadas parisienses espantam Henry James. Segundo o historiador Georges Lenotre, as primeiras apareceram no mês de junho de 1815. Tortoni, vendo os seus salões congestionados, decide colocar tamboretes frente à porta para que os clientes possam degustar um gelado no exterior. Outros cafés têm a ideia de pendurar lanternas nas árvores ao fim do dia. A inovação tem tanto sucesso que os estabelecimentos elegantes decidem seguir esta moda, como um rebanho, de onde este local passa a ser conhecido, durante algum tempo, como boulevard Panurge [Panurge é um personagem de Pantagruel que atira uma ovelha ao mar para que o rebanho a siga].
«Entre a rue Le Peletier e o cruzamento de Montmartre, são também instaladas cadeiras, mas sem lanternas: é o boulevard sombre reservado aos transeuntes à procura de encontros fortuitos.»

Jean-Paul Caracalla - En remontant le boulevard. Paris: La Table Ronde, 2012, p.18-19

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Chez Rosalie

Dois quadros de Bouguereau., em que Rosalia foi modelo.

Modigliani - Retrato de Rosalia

Rosalia Tobia – uma romana, antiga modelo de Bouguereau, Odilon Redon e Modigliani – abriu, em final de carreira, no n.º 3 rue Campagne Première, em Montparnasse, um pequeno restaurante. Tinha apenas quatro mesas e servia uma deliciosa comida italiana - osso bucco, lasagna al forno, raviolitagliatelli - e vinhos italianos - Barolo, Valpolicella, Frascati, Lambrusco, Chianti -, tudo a preços módicos.
O restaurante era muito frequentado por pintores, como o norueguês Edvard Diriks, Midigliani ou Utrillo, para além dos poetas Paul Fort e André Salmon. E a modelo Alice Prin, conhecida como Kiki de Montparnasse.

Utrillo também desceu um dia da Butte e veio beber neste restaurante, tendo deixado uma recordação de Montmartre nas paredes do restaurante. No final, quando ele e Modigliani não pagaram a conta, Rosalia disse-lhes: «Não vou cortar a parede para pagar o meu vinho». 
Fonte: Jean-Paul Caracalla – Montparnasse: L’âge d’or

 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Léon Zamaron

Marek Szwarc - Retrato de Léon Zamaron

Havia em Montparnasse, no início do século XX, um chefe de polícia, amador de arte, que protegia os pintores estrangeiros. As paredes do seu gabinete estavam cobertas de obras de Soutine, Modigliani, Utrillo, Chagall, Foujita, Valadon, Moïse Kisling, Maurice de Vlaminck… e era conhecido como a coleção Zamaron. 
Os pintores conviviam com Zamaron no café La Rotonde e era deste modo que agradeciam o apoio que ele lhes dava na legalização dos papéis.
Fonte: Jean-Paul Caracalla – Montparnasse: L’âge d’or

Suzanne Valadon - Retrato de Madame Zamaron, 1922
Moma

É possível que Léon Zamaron volte aqui ao blogue, já que encontrei este livro que me apetece muito ler.


domingo, 2 de julho de 2017

Leituras no Metro - 279


Escritores, pintores, músicos, atores, cantores, toda a classe de artistas frequentam os cafés de Montparnasse - La Coupole, Le Dôme, La Closerie des Lilas, La Rotonde -, a sua vida e a boémia. Este universo perdura hoje nas obras que aqui foram criadas ou tiveram origem.
Montparnasse foi ao longo do século XX o mais parisiense dos boulevards
Já li outros livros de Jean-Paul Caracalla, um amante e estudioso de Paris, de que gostei mais.

La Coupole
Le Dôme
La Closerie des Lilas

«André Warnod donne une bonne d´finition du café; il note dans ses souvenirs: "Le Dôme offrait l'expression la plus brutal de Montparnasse avant que La Coupole n'ouvrit ses portes. C'était à la fois la maison commune, la place publique, l'auberge, le forum, l'hôtel des ventes, le ghetto, la cour des mircales. [...] Tout cela grouillait, papotait, jacassait dans le bruit des soucoupes et des cuillers, le choc des verres sur la table, des appels aux garçons, le brouhaha de mille conversations [...]. Le café était un refuge, un quai d'embarquement, la stationde chemin de fer où on attend un train qui n'arrivera jamais."» (p. 69-70)


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Leituras no Metro - 186

Paris: Gallimard, 2006

Depois da Grande Guerra, vivem em Paris cerca de 250 artistas ingleses e americanos: escritores, poetas, jornalistas, pintores, editores ou diretores de revisas literárias vivem a boémia de Montparnasse.
E procuraram Paris porque recusam o puritanismo existente nos EUA e na Inglaterra pós-vitoriana. Além de que, na época, um dólar valia 50 francos, o que lhes permitia uma vida desafogada, apropriada à criação literária. Muitos encontram-se na Shakespeare and Company, livraria de Sylvia Beach (de que já aqui falei), em casa de Gertrude Stein, na rue Fleurus (também já objeto de um post) ou nos cafés.
Para além das já citadas, Fitzgerald, Hemingway, D. H. Lawrence, James Joyce, Ezra Pound, Henry Miller, Edith Wharton e outros menos conhecidos convivem (melhor ou pior) nos seus grupos literários. 
Muito interessante este livro (que ainda não acabei), mas vai dar uns posts.