Existe um prolóquio, escrito por Göthe, que diz qualquer coisa como: Pelo sabor das cerejas e das amoras pergunte-se às crianças e aos pardais. Isto é, para mim, o que se passa com D. Sebastião, cada apaixonado ou desapaixonado "do Rei Desejado" tem a sua opinião.
Existe, para mim, um único livro obrigatório sobre D. Sebastião:
Queirós Veloso, D. Sebastião: 1554-1578, 3.ª ed. revista e aumentada, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1945, 452 pp. (1.ª e 2.ª ed. 1935)
O autor escolheu para epigrafe deste seu excelente livro o seguinte parágrafo de Alexandre Herculano:
"A nossa história, mais ainda do que a de outras nações da Europa, para surgir da sombra das lendas à luz clara da realidade, carece de indagações profundas, e de apreciações sinceras e desinteressadas."

BNP, Iconografia, E. 2073 V.
E sabem o que é que o António Sérgio escreveu sobre D. Sebastião no seu famoso Boquejo de História de Portugal?
Vejam como o próprio Sérgio comenta o assunto:
Pediu-me Raúl Proença, um dia, uma pequena introdução histórica para o seu Guia de Portugal. Começei por me escusar a favor de pessoa mais idónea, mal pensando que o meu escrito se tornaria tão famoso. Mas ele insistiu, e obedeci.
Apresentei nesse trabalhito (Bosquejo de História de Portugal) hipóteses sobre todos os pontos interessantes da história do país, que ninguém discutiu; e ao ter de mencionar o Desejado (como era forçoso) disse o que dele pensava, isto é: que era um fanfarrão e mentecapto, pois assim se revelara na sua expedição de Marrocos. O que toda a gente discutiu. Somos assim, em Portugal!
(António Sérgio, Tréplica a Carlos Malheiro Dias sôbre a questão de O Desejado, Lisboa, Ed. Seara Nova, S/data [1925].