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sábado, 22 de outubro de 2011

Um retrato

É com prazer que partilho um retrato de D. Sebastião mui caro para mim. Soube da sua existência num Seminário* que frequentei na Universidade Católica de Lisboa. A imagem encontrei aqui.


O jovem rei surge com uma aparência mais madura do que os retratos que conheço. O pintor foi Cristofano di Papi dell'Altissimo e o quadro pertence à colecção da Galleria degli Uffizi. Não o encontrei quando visitei a Galleria.


CRISTOFANO di Papi dell'Altissimo, D. Sebastião







Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

D. SEBASTIÃO

Esperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.

Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura,
É Esse que regressarei.

s.d.

Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa:Ática, 10ª ed., 1972, p.81.

Em especial para Filipe Nicolau, João Mattos e Silva e Luís Barata.

"Os santos na corte de D. João III e D. Catarina", Professora Doutora Ana Isabel Buescu (Universidade Nova de Lisboa)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

De novo, a exposição de Zurique

Só para deixar uma gravação da RTP, em que se vê com mais detalhe os quadros (afinal são 3) que referi outro dia. E a coleira do cão é armoriada, até com mais correcção do que no quadro da Princesa.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A manhã não está propícia


Ainda não é desta que o Bom Rei Encoberto entra pela barra. Feliz 456.º aniversário, nessa ilha de bruma.

domingo, 28 de junho de 2009

Rio de Janeiro : Petrópolis : D. Sebastião


Infelizmente a foto teve de ser feita fazendo de conta que estava a mandar uma mensagem pelo telemóvel. Mas aqui fica o registo da existência de uma miniatura com o retrato de D. Sebastião.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sebastião ainda... Retrato Perdido

Transcrevo de Pérez Pastor:
Item 45
"Otro retrato de pincel, en lienzo, del Sereníssimo Rey de Portugal Dom Sebastião, Nuestro Señor, quando niño en un caballo, con vara en la mano, que tiene de largo dos varas y sesma y de ancho vara y media, con una cortina de tafetán verde tasado en 18,750 maravedís"
C. Pérez Pastor "Inventarios de los biens que quedaron por fin y muerte de Doña Juana, Princesa de Portugal, Infanta de Castilla" / Memorias de la Real Academia Española, 9, 1914, pp. 315-380.

Uma medalha de D. Sebastião / Um desenho


Esta medalha pertenceu à colecção de D. Luís I e encontra-se hoje em Vila Viçosa, Paço Ducal (FCB, inv.º 5).
Esteve exposta na XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura, núcleo "Dinastia de Avis" (Casa dos Bicos), tendo o n.º 156 do catálogo.
Anverso Insc: SEBASTIANVS D G REX POR/TVGALIÆ ARABIÆ IN/DIÆ ET AFRICÆ / ANNO ÆTATIS XVI
Reverso Insc: SERENA CELSA FAVENT



Existe na Biblioteca Nacional de Portugal um desenho, de Francisco de Holanda (?) que pretende (?) copiar essa (?) medalha; no anverso copiou antes a imagem já reproduzida neste Blogue, datada de 1561, embora invertida (vista ao espelho). O desenho embora semelhante ao da medalha é diferente... serve para um passatempo de descubra as diferenças...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pelo sabor das cerejas...

Existe um prolóquio, escrito por Göthe, que diz qualquer coisa como: Pelo sabor das cerejas e das amoras pergunte-se às crianças e aos pardais. Isto é, para mim, o que se passa com D. Sebastião, cada apaixonado ou desapaixonado "do Rei Desejado" tem a sua opinião.

Existe, para mim, um único livro obrigatório sobre D. Sebastião:
Queirós Veloso, D. Sebastião: 1554-1578, 3.ª ed. revista e aumentada, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1945, 452 pp. (1.ª e 2.ª ed. 1935)
O autor escolheu para epigrafe deste seu excelente livro o seguinte parágrafo de Alexandre Herculano:
"A nossa história, mais ainda do que a de outras nações da Europa, para surgir da sombra das lendas à luz clara da realidade, carece de indagações profundas, e de apreciações sinceras e desinteressadas."


BNP, Iconografia, E. 2073 V.

E sabem o que é que o António Sérgio escreveu sobre D. Sebastião no seu famoso Boquejo de História de Portugal?
Vejam como o próprio Sérgio comenta o assunto:
Pediu-me Raúl Proença, um dia, uma pequena introdução histórica para o seu Guia de Portugal. Começei por me escusar a favor de pessoa mais idónea, mal pensando que o meu escrito se tornaria tão famoso. Mas ele insistiu, e obedeci.
Apresentei nesse trabalhito (Bosquejo de História de Portugal) hipóteses sobre todos os pontos interessantes da história do país, que ninguém discutiu; e ao ter de mencionar o Desejado (como era forçoso) disse o que dele pensava, isto é: que era um fanfarrão e mentecapto, pois assim se revelara na sua expedição de Marrocos. O que toda a gente discutiu. Somos assim, em Portugal!
(António Sérgio, Tréplica a Carlos Malheiro Dias sôbre a questão de O Desejado, Lisboa, Ed. Seara Nova, S/data [1925].

Origens do Sebastianismo


Existe um livro fabuloso, publicado em 1909, e escrito por um dos nossos bons historiadores: A. de Sousa Silva Costa Lobo.
Tem como título: Origens do Sebastianismo: História e Perfiguração Dramática, Lisboa, Tip. da Empreza da História de Portugal / Livraria Moderna, 1909, 154 [2 br]pp. A partir da página 97 tem um auto dramático com o título "Portugal Sebastianista".

A peça termina assim:
D. Fernando (toma a mão de D. Anna, e ambos se adiamtam para o proscenio.)
O' rei Dom Sebastião
Desgraçaste a tua gente,
Em vida, pela impulsão
De um espirito fervente.
E tu, joguete da sorte,
Rebelde a todo o avizo,
Agora, depois da morte,
Nos tens levado o juizo.
[...]

D. Sebastião no Berço

No dia 15 de Junho enviei à nossa colega Ana umas imagens de D. Sebastião, uma delas era exactamente a que o nosso colega Luís Barata colocou, datada de 1561, e que se encontra, um dos exemplares, na Biblioteca Nacional, dado ser uma gravura.
Num e-mail do mesmo dia dizia "Eu julgo que vi uma imagem [...] com D. Sebastião num berço... mas já não tenho a certeza.... e já lá vão 20 anos.... a minha memória já não é a mesma coisa...".

Esta noite, ao jantar, voltei a falar no assunto dizendo... espero não estar a fazer confusão com o retrato que vi, em Parma, do "Rei de Roma"...

Mais tarde, bastante mais tarde, recordei e ...

Posso confirmar que não sonhei, existe mesmo uma iluminura de D. Sebastião ainda no Berço, realizada ou no ano em que nasceu, 1554, ou no seguinte, 1555. O seu autor foi um dos Holandas (António de Holanda ou Francisco de Holanda) e encontrava-se na colecção dos duques de Cadaval, em Évora.

E não passaram vinte anos, mas sim 26 anos, sobre a data em que a vi. Julgo que nunca mais reabri a obra. O Livro foi-me oferecido pelo meu antigo professor de História Moderna, Dr. João Cordeiro Pereira, no dia dos meus anos, em 1983; trata-se do fac-símile do manuscrito de André Rodrigues de Évora, Sentenças para a Ensinança e Doutrina do príncipe D. Sebastião, Lisboa, Banco Pinto & Sotto Mayor, [1983], com uma introdução de Luís de Matos.


Nesse e-mail, do dia 15 de Junho, dizia que pensava ter sido "salvo erro, num jogo de crianças do século XVI"... a memória tem dessas coisas, por vezes é traiçoeira...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ainda D. Sebastião...

D. Sebastião, escultura de Simões de Almeida (tio) (Ocidente, 1878)

Imagem digitalizada de História de Portugal dirigida por João Medina, Lisboa: Clube Internacional do Livro, 1997, p. 252 (D. Sebastião e o Sebastianismo)

D. Sebastião foi rei numas circunstâncias muito especiais que não interessam para aqui. Foi educado por um jesuíta e teve um tio com grande influência quer nos meios políticos quer nos meios religiosos, Inquisidor-Geral por intervenção do seu irmão, rei D. João III.
Não estou a julgar este infante-Rei: jovem ligado às artes de manejar as armas, aos valores e ideais cristãos ou à sua intelectualidade e físico algo débeis.
Não conheço estudos recentes de D. Sebastião mas uma coisa posso dizer: Ele está presente na literatura, na filosofia e não só contemporâneas, faz parte do chamado Sebastianismo português. Famosos poetas portugueses o eternizaram, tornou-se um símbolo da nossa nação para o nosso povo quer para o bem, quer para o mal.
D. Sebastião foi um rei cujas opções podem ser questionadas mas que contribuiu para fazer dos portugueses homens de valentia e preservadores de uma identidade nacional.
O que era da alma do povo português sem o sebastianismo? Vamos esquecê-lo porque é incómodo? Não é racional? Não fará parte integrante do "Ser" português?
Não me considero conservadora mas prezo e orgulho-me de ser portuguesa!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Um retrato de D. Sebastião, uma história e, em parte, um desconsolo!


O desafio que coloquei foi facilmente ultrapassado por JP que reconheceu D. Joana da Áustria. O retrato colocado encontra-se no mosteiro fundado por esta princesa.

Quando parti de Portugal ia à procura de um retrato de D. Sebastião que sabia estava no Mosteiro das Descalças Reais, nome porque é conhecido o mosteiro das clarissas franciscanas.

O Mosteiro das Descalças Reais foi fundado por D. Joana da Áustria, filha do imperador Carlos V, que casara com o príncipe D. João, filho de D. João III e da rainha D. Catarina, irmã do referido imperador.
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D. Sebastião, Rei de Portugal, 1557-1578
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Cristóvão de Morais, retrato datado de 1565

D. João faleceu com 16 anos, em 1553, deixando D. Joana à espera de um filho. Este filho póstumo foi o rei D. Sebastião.

D. Joana não exerceu qualquer influência sobre o filho que deixara com 4 meses, pois, mal o conheceu. Pouco depois de enviuvar, partiu para Espanha a pedido do pai (Carlos V) para tomar como regência os Estados Hispanos ante a marcha de Felipe ( II) a Inglaterra.
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O Mosteiro era um antigo palácio pertencente a Antonio Gutiérrez, contador de Carlos V. Foi adquirido e transformado em mosteiro de devoção a Nossa Senhora da Consolação. O mosteiro recebeu 33 monjas, todas elas pertencentes à nobreza. Hoje, no Mosteiro, podem admirar-se vários tesouros pertencentes a estas monjas. Foi lá que encontrei o retrato de D. Sebastião, pintado por Cristóvão de Morais, em 1565, onde o Rei aparece com 11 anos de idade. Confesso que tive um certo desconsolo pois almejava encontrar um retrato de D. Sebastião criança (4 a 5 anos, tendo em conta os padrões da época).

Já conhecia este retrato por isso, fiquei um pouco desconsolada. Assim, se conta uma história de um retrato que não existe... talvez um dia se encontre quem sabe?...
espero não me ter tornado maçadora.

Notas retiradas do Guía Reales Monasterios de Madrid, las Descalzas y la Encarnación, Madrid. Patrimonio Nacional, 2008. Retrato página 34.