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quarta-feira, 3 de abril de 2024

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Arte é duradoura

A Arte é duradoura,
A vida é breve.

Hipócrates,
citação retirada do livro: Um Milionário em Lisboa de José Rodrigues dos Santos

Peter Paul Rubens, Detalhe do Retrato de Helena Fourment  entre 1630-1632.
Colecção da Fundação Calouste Gulbenkian, comprada ao Hermitage.

Fotografia daqui

Este retrato já foi colocado por MR. Boa noite!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Leituras de férias - O Homem de Constantinopla

Calouste Gulbenkian, documentos expostos na Fundação Calouste Gulbenkian, O Coleccionador 2011


Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem sempre cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Fernando Pessoa, citado no "Homem de Constantinopla", 
(de José Rodrigues dos Santos. Lisboa: Gradiva, 2013)

Assim começa o livro de José Rodrigues dos Santos e a partir desta citação o livro cativa e prende a nossa atenção. 
Gulbenkian é uma figura enigmática, atraente pelos tesouros que reuniu e, no nosso caso, por ter escolhido Portugal.  
Bem haja pela dádiva cultural e científica que legou ao nosso país. 
A ficção criada por José Rodrigues dos Santos é inspirada em acontecimentos verídicos.

Neste momento existe sobre o coleccionador a obra: Calouste Sarkis Gulbenkian – O Homem e a sua Obra e Gulbenkian como coleccionador, de José de Azeredo Perdigão e Ana Lowndes Marques.
A Fundação está a preparar uma biografia que sairá, em princípio, em 2018/ 2019.

domingo, 6 de julho de 2014

Alguns tesouros do Museu Gulbenkian

Guardi - A Ponte sobre o Brenta junto às Comportas de Dolo, Veneza
Óleo sobre madeira, final do século XVIII
MCG Inv. 385 A

«Quando pouco depois abalou da embaixada otomana em Londres, Kaloust sentiu que precisava de comemorar a sua nomeação [como conselheiro financeiro nas embaixadas turcas de Londres e Paris] com algo de grandioso. Mas o quê? [...] 
«Foi nesse instante que se lembrou de um galeria de arte que Sir Kenneth Bark  lhe indicara umas semanas antes numa ruela escondida atrás de Charing Cross, para os lados de Convent Garden. Meteu-se no seu fiacre e deu a ordem ao cocheiro.
«"Trafalgar Square! E a trote!" [...]
«Uma vez chegado ao destino, o arménio apeou-se e galgou a escadaria até entrar na National Gallery, onde surpreendeu Sir Kenneth Bark no seu gabinete.
«"É hoje!", anunciou-lhe de chofre. "Vou comprar o Guardi!"
«"A sério?"
«Afogueado de excitação, Kaloust fez um gesto peremtório a chamar o amigo.
«"Venha daí!" [...]
«"Que bicho lhe mordeu?, perguntou Sir Kenneth [...]. "O que lhe deu para decidir avançar com a compra precisamente hoje?"
«"Digamos que o dia me correu bem. Quero celebrá-lo de forma especial e parece-me que o Guardi é perfeito para a ocasião." [...]
«O curador da National Gallery estacou diante de uma vitrina decorada com várias telas a óleo e a aguarela. Sobre a porta, uma tableta anunciava "Richardson's". [...]
«"Por favor", chamou Kaloust. "Para onde foi o quadro que aqui estava? Não me digam que já o vendeu!..."
«O homenzinho aproximou-se do canto apontado e percebeu logo qual a pintura a que o cliente se referia.
«"Ah, quer saber onde se encontra Vista do Mira sobre o Brenta?" Apontou para cima. "Tirámo-lo daqui  e transferimo-lo para o primeiro andar. Quer vê-lo?"
«"Se for possível..." [...]
«"Compro."
«Não o sabia ainda, mas foi assim [...] que Kaloust começou a colecionar pintura.»
José Rodrigues dos Santos - O homem de Constantinopla. Lisboa: Gradiva, 2013, p. 410-417

Não sei se o quadro é exatamente o que reproduzo, mas de entre os Guardi existentes no Museu Gulbenkian...

Corot - Ville d'Avray
Óleo sobre tela, 1874
MCG, Inv. 185

«Devido ás novas responsabilidades como conselheiro do governo otomano e como banqueiro, que celebrou com a aquisição de Ville d'Avray, um quadro de Corot [...].»
José Rodrigues dos Santos - O homem de Constantinopla. Lisboa: Gradiva, 2013, p. 434

George Romney - Miss Constable, 1787
Lisboa, MCG

«[...] "Até já celebrei e tudo!"
«"O quê? Não me diga que comprou mais um quadro..." [perguntou-lhe Krikor, o filho].
«Kaloust ergueu-se com inesperada agilidade e, com um gesto dramático, retirou o véu que cobria uma tela encostada à parede, deixando ver o retrato pintado de uma rapariga de chapéu largo na cabeça.
«"Chama-se Miss Constable e foi pintado por Romney", anunciou embevecido. "Uma maravilha, não achas?"»
José Rodrigues dos Santos - Um milionário em Lisboa. Lisboa: Gradiva, 2013, p. 32

Jean-Antoine Houdon (1741-1828) - Diana
Mármore, 1780
Paris, Casa de Gulbenkian na Av. de Iena
A mesma escultura no Museu Gulbenkian
Rubens - Retrato de Héléne Fourment, ca 1530-1532

«O vasto átrio coberto de mármores italianos e de um enorme tapete persa abria-se para uma magnífica escadaria [...] aos pés da qual assentava uma estátua de fêmea em pedra polida branca, tão alva e brilhante que parecia esculpida a marfim. Tratava-se de um dos maiores tesouros da coleção.
«"Ah, a Diana de Houdon!", exclamou Sir Kenneth Bark, o primeiro a chegar [...]. "Está de parabéns, meu caro Sarkisian! É uma jóia, não há dúvida! Ainda me custa a crer que o Hermitage a tenha vendido." [...]
«"Já me ofereceram um milhão de dólares por ela, sabia? Mas não vendo. O lugar de Diana é aqui."
A construção da mansão na avenue de Iena, número 51, levara dois anos e meio e a decoração mais cinco meses, mas a obra chegara enfim ao seu termo. Para comemorar o feto, Kaloust organizou uma receção elegante [...] para a qual convidou apenas o curador da National Gallery e seu conselheiro para a aquisição de obras de arte, Sir Kenneth Bark, e ainda o ministro plenipotenciário da Pérsia em Paris [...]. 
«Os vistantes contemplaram o Retrato de Hélène Fourent, em cetim negro e com uma pluma nos braços, saído do pincel de Rubens e que se encontrava pregado na parede diante deles.»
José Rodrigues dos Santos - Um milionário em Lisboa. Lisboa: Gradiva, 2013, p. 371-373

Duas das compras que Gulbenkian fez ao Hermitage.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O «Tesouro dos remédios da alma» - 23

«Os livros permaneciam em silêncio nas prateleiras ricamente trabalhadas daquela ala da Biblioteca Apostólica Vaticana [...]. Aquela podia ser a mais antiga biblioteca da Europa, e talvez também a mais bela [...].» (p. 13)

«Custava-lhe a crer, mas a verdade é que o funcionário da Biblioteca Apostólica Vaticana [...] lhe pousara na mesa o célebre Codex Vaticanus. Aquela relíquia de meados do século IV era o mais antigo manuscrito sobrevivente da Bíblia praticamente completa em grego, o que fazia dela o maior tesouro da Biblioteca Apostólica Vaticana.» (p. 15)

«O superintendente do NBCI indicou com o polegar o edifício atrás dele; era uma construção de traça moderna, encravada entre dois edifícios de linhas clássicas.
«"Esta é a Chester Beatty Library, uma biblioteca fundada com o espólio de um magnata do setor mineiro", disse. [...] Acontece que um historiador holandês, um tal Alexander Schwartz, professor de Arqueologia da Universidade de Amesterdão e colaborador da Biblical Archaeology Review, veio cá consultar uns manuscritos antigos da Bíblia." Fez com a cabeça um sinal para o edifício. "Parece que esta biblioteca tem umas coisas com um certo valor..."
«Tomás sorriu com a observação.
«"umas cosas?", perguntou com sarcasmo. "O espólio de Bílias da Chester Beatty Library é melhor que o do Vaticano"
«"O quê?", admirou-se Valentina. "Está a brincar!..."
«"A sério!", insistiu o historiador, apontando para o edfício. "Oiça, esta biblioteca guarda dois grandes tesouros. Um é o P45, o mais antigo exemplar quase completo do Novo testamento que jamais foi encontrado. Trata-se de um manuscrito em pergaminho e escrito em leras minúsculas. Recua ao século III. [...]
«E esta biblioteca guarda também o P46, a mais antiga cópia quase completa das Epístolas de Paulo. Este pergaminho foi redigido no ano 200, veja lá.» (p. 117)

José Rodrigues dos Santos - O último segredo. Lisboa: Gradiva, 2011


sábado, 12 de outubro de 2013

Frase da semana


Tenho orelhas grandes. As críticas entram a 100 e saem a 200.

- José Rodrigues dos Santos


Será que o escritor e jornalista é assim tão imune à crítica? Talvez ajude continuar a vender muito bem ...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

José Rodrigues dos Santos em francês

Paris: HC, 2013
€22,00

No Libération de domingo vêm duas páginas dedicadas a este romance de José Rodrigues dos Santos, saído em França em maio passado e que tem sido o romance sensação das praias francesas este Verão.
Só li um livro de JRS - A filha do capitão - que teria beneficiado se o autor tivesse concentrado a trama em menos páginas.
Não sou fã, mesmo nada, destes romances que viajam entre o histórico, o místico e o policial. Nem o Código Da Vinci consegui ler. E de JRS comecei a ler, já não sei se A fórmula de Deus, se O Códex 632 e não passei das primeiras páginas.
O que me levou a trazer este livro aqui foi o orgulho português - saloio - de gostarmos de ver um escritor português ser lido lá fora.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O último segredo


Ainda não li. Sei que foi apresentado no dia 21 de Outubro de 2011, uma sexta-feira.
Uma semana depois perguntaram-me:
- Já leu O Último Segredo, escrito por José Rodrigues dos Santos? Nele morre uma Professora de Paleografia da Universidade Nova de Lisboa!
- Não, não li!, respondi; vou comprar!
- Mas olhe que já esgotou a 2.ª edição!

Entrei hoje na FNAC e encontrei uma "estante" especial só para O Último Segredo. Apresentava o grande êxito da temporada. 5 edições em 15 dias, noventa mil exemplares...

Mas, qual não é o meu espanto. Na mesma "estante" havia exemplares da 1.ª edição; da 2.ª; da 3.ª; da 4.ª; e da 5.ª. Afinal, não estava esgotada nenhuma das edições.



Já me tinham falado que o grande segredo de algumas editoras era esse mesmo. Imprimir logo, no mesmo dia, em tiragem mais ou menos pequenas, consoante a espectativa que tinham do mercado, diferentes edições da mesma obra. Por um lado a impressão ficava quase ao preço da chuva; e por outro, é uma grande estratégia comercial: a indicação de que um livro tem 3, 4 ou 5 edições, 90.000 exemplares (pensando que se esgotaram as edições anteriores), cria um complexo de culpa perante um leitor atento: Puxa! como é que eu ainda não li esta obra!