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domingo, 7 de setembro de 2014

Crónica de Férias - 3: Nantes


Inaugurada em 1843, a Passagem Pommeraye deve o seu nome ao jovem notário Louis Pommeraye que pretendia transformar uma zona mal frequentada e degradada de Nantes num espaço comercial de luxo à semelhança das passagens elegantes de Paris, na época o último grito na capital francesa. Apesar dos protestos da população local que vivia próxima do rio Loire, a construção terminou ao fim de três anos, e a passagem tornou-se rapidamente num ponto de referência para a alta sociedade da cidade.  
Infelizmente, a crise económica de 1846 - 47 resultou num desastre financeiro, e Louis Pommeraye viveu os seus últimos dias na penúria.
O realizador Jacques Demy, natural de Nantes, escolheu a passagem como um dos cenários do seu filme Lola de 1961 com Anouk Aimée no papel principal. Creio que M.R. já referiu este filme no contexto da passagem (ou vice versa).

Nota: numa das lojas encontra-se uma pastelaria óptima que vende especialidades bretãs, entre elas, as chamadas Kouignettes. Um dos viajantes não resistiu...



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Notas soltas sobre o Advento


Estrasburgo, a capital da Alsácia, autointitula-se também Capital do Natal há muitos anos – enfim, outras cidades europeias estarão à altura de competir pelo título, mas um dos trunfos natalícios de Estrasburgo é inquestionavelmente o Marché de Noël. Este mercado representa, juntamente com o de Dresden, um dos mais antigos da Europa.
O Marché de Noël 2013 começou a 29 de Novembro  e terminará a 31 de Dezembro. Uma imagem da bela cidade alsaciana preencherá a vinheta dos próximos dias.

domingo, 20 de junho de 2010

Verão no Prosimetron

A chegada do Verão calendário justifica uma vinheta apropriada. Compete assim a Audrey Hepburn preencher a imagem durante os próximos dias que nos mostra a actriz numa praia no Sul de França, devidamente equipada com óculos de sol extravagantes. A fotografia é extraída do filme Two for the Road de Stanley Donen – uma homenagem à vida em comum entre dois seres humanos, com os seus altos e baixos, enquadrada em belos cenários estivais, cores fortes e quentes.

Realizada em Paris e na Côte d’Azur durante o Verão de 1966, Two for the Road convida o espectador a rever os vários estados de um matrimónio. A expectável narrativa cronológica destas fases é substituída por um network complexo de associações em que os acontecimentos do passado se interligam com os do presente de forma original e quase despercebida.


No início do filme, vemos Mark Wallace (Albert Finney) e sua esposa, Joana (Audrey Hepburn), num Mercedes de topo, algures na província inglesa. Um pequeno incidente numa aldeia faz despoletar memórias do primeiro encontro entre os dois, doze anos antes, quando Mark, ao viajar no Sul de França “à boleia”, se cruza com um grupo de raparigas inglesas num minibus em direcção a Chartres. Joana, que integra esta equipa, resiste a um surto de varicela que “vitimiza” as restantes amigas, entre elas Jackie (interpretada pela super-jovem Jacqueline Bisset), que estava na iminência de uma aventura amorosa com Mark. Os dois “sobreviventes”, Joana e Mark, decidem então continuar o percurso por terras gaulesas e vivem semanas inesquecíveis de namoro.

Entretanto, e decorrida uma década, confrontamo-nos com um casal economicamente bem sucedido que tem uma filha (Caroline). Os anos esfriaram o amor inicial, e uma viagem pela França recorda os dois protagonistas de situações ora românticas, ora difíceis, ocorridas por vezes nas mesmas localidades e nas mesmas estradas. Assim, este flashback à vida matrimonial conduz-nos, por exemplo, à lua de mel em que Mark e Joana partilham uma carrinha com um casal americano intragável. O revival leva-nos também aos tempos em que os dois, financeiramente mal situados, percorrem la Douce France num MG em segunda mão que acaba por incendiar-se numa cena de peripécia encantadora. A retrospectiva conjugal introduz-nos igualmente às escapadelas extra-conjugais a que ambos não escapam... Todavia, o passado comum e a perspectiva de um novo começo nos Estados Unidos fortalecem a relação entre Mark e Joana. Parece haver um futuro.

Stanley Donen serve-se, de forma inteligente, de sinais exteriores para assinalar as diversas etapas: o guarda-roupa simples e os meios de transporte em que Mark e Joana circulam enquanto jovens, descrevem a primeira paixão e felicidade incondicional. Os vestidos e acessórios, sobretudo os óculos de sol imprescindíveis de Mme Hepburn, bem como o Triumph Herald e o Mercedes 230 simbolizam o desgaste e o enfadonho da relação em especial e do Jet Set em geral. Os dois actores dominam a versatilidade necessária na perfeição; talvez nos admiremos principalmente com uma faceta menos conhecida de Hepburn que, ao contrário dos seus papéis nos anos 50, parece concluir uma evolução, iniciada em Breakfast at Tiffany’s: descobrimos finalmente uma mulher moderna que deixa de usar Givenchy e compra numa loja de pronto-a-vestir, não se priva de aplicar uma linguagem imprópria de uma lady, e que não vê no adultério o fim do mundo, ... características que não estranharíamos numa Julie Christie ou Jeanne Moreau, mas que nos surpreendem numa Hepburn convincente.

Two for the road dispõe bem. A estrada e o bom tempo de Verão são o elo comum às diversas estações deste casal. Com todos os encantos e todas as vicissitudes que uma relação possa comportar, concluímos, graças a Donen, que vale sempre a pena “trabalhar” numa relação. Neste sentido, espero que os estimados leitores tenham a oportunidade de ver muitos filmes animadores durante as próximas semanas. A todos um excelente Verão 2010!

domingo, 30 de agosto de 2009

Variétés françaises

Dez dias sem computador não significam o fim do mundo - pelo contrário. Significam, no entanto, a impossibilidade de agradecer atempadamente aos comentadores e prosimetronistas as palavras amáveis que li apenas ontem. Os meus agradecimentos, em especial, ao Luís pelas sugestões colocadas, bem como ao João Mattos e Silva pelo Petit Prince.
A transmissão de pensamentos continua a dominar, refiram-se os recentes exemplos de Louise Brooks e Sandra Dee. Das minhas recentes aquisições "francesas" consta uma colectânea com os êxitos de Gérard Lenorman. Voici les clés - dedicado ao João.


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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Mont Saint-Michel

O Mont Saint-Michel celebra este ano o seu 1300º aniversário. Em 708, Aubert, Bispo de Avranches, terá mandado construir um santuário por devoção ao arcanjo S. Miguel, sobre o Mont Tombe.

Durante o século X, monges da ordem de S. Bento passaram a residir na abadia que, situada no topo do monte, de acordo com a tradição beneditina, percorreu várias fases de construção: o interior românico da igreja foi enriquecido por um coro gótico e uma torre que, com o seu estilo gótico flamboyant, coroa o enorme rochedo.
As edificações da aldeia à volta da abadia pouco alteraram o seu visual exterior desde o século XIV (exceptuando, evidentemente, os “adornos” assustadores, próprios da gastronomia e da industria turística do século XXI…).

O jogo das marés que, ora separam, ora ligam o Mont Saint–Michel do / ao continente, tornou este destino de peregrinação num local mítico para a cristandade da Idade Média: aqui acabava a terra, a abadia representava o espelho terrestre de uma Jerusalém celeste.

A forte edificação serviu de ponto estratégico militar ao longo dos 13 séculos, em particular contra os ingleses durante a Guerra dos Cem Anos.

Hoje em dia, os inimigos não são de índole bélica. Os milhares de turistas que diariamente “invadem” o rochedo e a poluição que uma infra-estrutura turística acarreta são responsáveis pela transformação do Mont Saint-Michel num Disneyland em miniatura.

Outro perigo que assusta os cerca de 20 habitantes da aldeia, não incluindo os seis monges e as seis religiosas que aqui vivem: o braço do mar que garante a “independência” do Mont Saint-Michel corre risco de ficar assoreado. Obras de engenharia de grande envergadura estão em curso para salvaguardar a existência deste fenómeno único que, ainda que muito cobiçado pela Bretanha, é pertença oficial da Normandia.